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Graduada em Processamento de Dados
Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

domingo, 16 de novembro de 2014

Sobre os pedidos de intervenção militar

A passeata que ontem tomou a Avenida Paulista em São Paulo reuniu pelo menos 8.000 pessoas. Durante a passeata alguns manifestantes pediram Intervenção Militar. Sim, o cantor Lobão deixou a manifestação ao se deparar com cartazes a favor da intervenção. A manifestação se dividiu, alguns permaneceram na Paulista e outros seguiram até o fim do caminho planejado. São fatos, foi o que realmente aconteceu.

A manifestação foi organizada por pessoas da extrema-direita. A passeata em uníssono pedia a volta dos militares. Os manifestantes agrediram repórteres. Isto é maximizar alguns fatos isolados que não representavam a maioria e que ocorreram. Isto é manipulação dos fatos tendo por objetivo descaracterizar um movimento legítimo de parte da população brasileira.

Em muitas ocasiões na história, erros graves foram cometidos por muitos que tinham por objetivo um bem maior, principalmente quando não se queria, se conseguia ou se podia enfrentar o adversário em campo aberto, no debate de idéias e fatos ou através dos instrumentos que uma democracia amadurecida coloca à disposição da sociedade. O que precisamos entender é que a minoria que pede a volta dos militares se sente desta forma e principalmente acredita que a representação civil fracassou. Acreditam que apenas pela força é possível mudar a situação. Como eu disse antes, não são extraterrestres; são pessoas que assistem ao desmantelamento das instituições, que estão vivendo na pele o resultado do saqueamento generalizado que ocorreu nos cofres do governo, que vêem pessoas ocupando cargos nas últimas instâncias, nomeadas não por sua capacidade em agir, mas por sua capacidade em interferir no andamento do processo democrático, que sentem-se abandonadas, à própria sorte. É assim nas CPIs, é assim com as tentativas de nomear pessoas-chave no TCU, é assim em outros órgãos, é assim quando há a publicação de decretos que tiram do Congresso prerrogativas constitucionais e passa-se o poder de decisão para grupos que pertencem à base de sustentação do governo, como se representantes fossem da sociedade civil. E é principalmente assim que estas pessoas se sentem com um Congresso composto por membros de partidos que em sua maioria apóiam este sistema em troca de verbas e vantagens, que se cala e vota contra os interesses do povo que o elegeu como seu representante.

O pedido destas pessoas é cabível? Não, primeiro porque acredito que nenhum dos militares, de qualquer patente, do Exercíto, Marinha ou Aeronáutica, tem o menor interesse em pegar o abacaxi econômico e social que este país se tornou e  porque a história nos ensinou que nem o totalitarismo de direita ou de esquerda é aceitável. A História é uma mãe implacável. Quando se argumenta que os generais morreram pobres, esquece-se que o governo era comandado por civis e muitos corruptos ocuparam posições estratégicas. Esquece-se das pessoas que foram presas e mortas, sem direito sequer a julgamento, por decisão de alguns. O General Ulisses Grant também não fez fortuna pessoal, mas seu governo nos EUA foi um dos mais corruptos da história e o início do problema é bem retratado no filme "Lincoln". A Democracia, em sua plenitude é a melhor solução para enfrentar os desafios individuais e coletivos. A melhor coisa que poderia ter acontecido ao governo petista é ter enfrentado uma sólida oposição dentro do Congresso e ter ouvido nãos de pessoas que tinham o direito e prerrogativa de dizê-lo. Ao governar sem obstáculos ou destruindo pela mentira, pelos dossiês pela construção de mitos, tornaram-se soberbos, donos do mundo. Para comprovar o que digo, leia alguns dos discursos de Lula enquanto presidente. O poder ofusca a visão e o bom-senso dos que não tem uma base sólida para exercê-lo.

Em pelo menos duas ocasiões eu defendi que Dilma renunciasse a sua candidatura, pelo bem maior e pelo caos que sua eleição iria causar. Nestas ocasiões deixei claro que se eleita, ela estaria à frente de um governo que enfrentaria várias turbulências e que seriam grandes as chances de não terminar seu mandato. Acredito que alguém em seu círculo de convívio deve ter dito o mesmo para ela. Antes ela tivesse escutado mais e dado menos poder ao seu marqueteiro. Esta semana, Aécio Neves disse que se houvesse um Procon das eleições, que ela teria que devolver seu mandato, porque vendeu um país que não existia. E foi assim que ela chegou ao poder : vendendo uma ilusão, construída sob uma política de maquiar e esconder dados econômicos e estatísticos, utilizando o poder da máquina  administrativa em campanha. Mesmo que em números seu governo tenha sido o pior da história da República, ela conseguiu se eleger, não pela maioria, não porque fosse considerada a melhor, mas sobretudo no voto de cabresto que os programas sociais se tornaram,  pagos com dinheiro público, vendidos como produtos exclusivos de um Partido.

Quando a imprensa, por vontade própria, por medo ou por comprometimento em qualquer nível distorce ou não mostra estes movimentos, está aumentando o caos, pois só há duas conclusões possíveis: ou enfrenta a censura do governo ou sua própria. Se o papel da imprensa livre é noticiar imparcialmente, por que não o exercita? Ao contrário, por que há tantos artigos falaciosos e reportagens com cheiro de matéria paga nos telejornais e jornais de grande circulação? Por que há ampla cobertura de uma passeata organizada por Centrais Sindicais e o MTST, muitíssimo bem aparelhada, com balões de cores diferentes, que em nada lembram um movimento espontâneo da sociedade e há um silêncio absoluto nos telejornais sobre um movimento que de fato é espontâneo e que inclusive permite dentro dele a manifestação de vários outros segmentos da sociedade?


É preciso entender estas pessoas que pedem a intervenção, elas devem ser ouvidas e tratadas como  cidadãos que são, e é preciso respeitar seu direito de manifestação e de opinião, que em tempos de “politicamente correto” está sendo tratado como crime.  É preciso lembrar que não há crime de opinião e nem censura neste país. Também é preciso lembrar que os tempos são outros, as fontes são diversas e que não há necessidade de tutela moral. As instituições podem estar fragilizadas, mas ainda há pessoas de bom senso neste país, que sabem que devemos viver o presente e construir nosso futuro, sem repetir os erros do passado.

2 comentários:

  1. Eles estão avançando com o comunismo porque tem a certeza de que o povo não acredita que isto vai acontecer. Estão tentando retomar seus sonhos de 1960 e desrespeitando o povo brasileiro que não quer comunismo por aqui, pois o povo não é tão besta como muitos dizem e sabem que somos uns dos poucos países do mundo em que um cidadão pode ascender até sem estudos apenas com muito trabalho e foco além de alguma inteligência e astucia para aprender observando (sabedoria).

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    1. Obrigada por sua participação! Cabe a todos nós a defesa de nossa Democracia!

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