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Graduada em Processamento de Dados
Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Sobre a crise hídrica

Na contramão da realidade e em clima de eleições, mais uma vez um assunto de extrema importância foi banalizado, atribuindo-se ao Governador de São Paulo, Geraldo Alckimin a responsabilidade pela falta de água em São Paulo. A crise hídrica foi ocasionada pela pior seca que atingiu a Região Sudeste nos últimos 60 anos e é fruto direto das mudanças climáticas que atinge o planeta , o chamado Efeito Estufa,que aumentará as temperaturas do planeta e causa fenômenos climáticos extremos, como chuvas, inundações, estiagens, descongelamento das geleiras  e invernos rigorosos no hemisfério norte.

A  escassez de água ocasionada por este fenômeno somada ao crescimento e concentração de populações, desmatamento das matas ciliares, falta de proteção às nascentes, desvio do curso de rios para uso em projetos de irrigação e aumento da liberação de CO2 vem sendo objeto de campanhas educativas já há alguns anos. Quem já se esqueceu da campanha “Faça xixi no banho” ou “ Aproveite o banho para escovar os dentes” ? Quem já se esqueceu que na época da invasão do Iraque pelos americanos já se discutia que a segunda maior riqueza do Iraque era sua bacia hídrica  e a capacidade de fornecer água para a região? Em San Francisco, Califórnia, foi construído um gigantesco reservatório subterrâneo de água, que será acionado em caso de estiagem ou catástrofes naturais.

É preciso que encaremos a água como um bem valioso e que este assunto seja debatido com a seriedade que merece. Demorará 04 anos para os rios se recuperarem deste período de estiagem e depois das primeiras chuvas, tem gente que voltou aos velhos hábitos. É preciso que os novos lançamentos imobiliários contemplem projetos ecológicos de reaproveitamento da água da chuva e que haja estudos e projetos de recuperação das matas ciliares. Além disso, há que se preservar e aumentar as áreas verdes. No interior de São Paulo passamos dias com temperaturas que chegaram aos 40°C e há poucas árvores nas cidades. Muitas estão doentes ou infectadas com cupins e as sadias sofrem podas quase criminosas. Uma ótima idéia que chegou a São Paulo com algum atraso mas vem se popularizando são os telhados verdes, que ajudam a diminuir a temperatura interna dos imóveis. Além disso, embora a industria automobilística seja fundamental para nosso crescimento econômico, é preciso melhorar o transporte público de forma a diminuir a emissão de CO2 e permitir que durante a semana o carro fique na garagem, aliviando também o problema do trânsito caótico das grandes cidades. Quem já se esqueceu daquele famoso post que mostra políticos no metrô de Londres?

O problema do gerenciamento de água passa pelos governos e termina em seus habitantes, que devem mudar seus antigos hábitos. A crise hídrica pela qual São Paulo e interior passaram fez de cada um de nós fiscais do desperdício e mostrou que é possível viver bem poupando água. O que não se pode é abandonar estas práticas porque as chuvas voltaram ou estocar água em casa, sem proteção e sem os devidos cuidados,  expondo toda a população ao perigo da dengue.

Ter água limpa em suas torneiras é um direito do cidadão,mas exige também uma contrapartida Tratar a falta de água em uma Região do país como um problema  limitado a ação local de um governo em época de eleições é falta de caráter e de autocrítica. Há que se lembrar que quando um rio corta mais de um estado da federação, a questão da captação e gerenciamento é competência da União, já que o bem lhe pertence ( Art 20 – III – CF 1988) e infelizmente  até a Agência Nacional das Águas recebeu em seus quadros afilhados políticos do PT, que utilizaram sua influência para fazer negociatas no Porto de Santos.


O meteorologista argentino Vicente Barros , copresidente do Grupo de Trabalho sobre Adaptação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, já avisou que é preciso que Brasil e Argentina coloquem em funcionamento sistemas de alertas de inundações, pois estas regiões recebem chuvas pesadas e com as mudanças climáticas este quadro pode se agravar. Com intuito de prever e alertar populações sobre os riscos de inundação, evitando tragédias como as que se abateram sobre a região serrana do estado do Rio de Janeiro, estes sistemas  teriam como foco o nível dos rios e as previsões de chuva para a região. Ou seja, nada impede que após sofrermos com a estiagem prolongada possamos também enfrentar problemas sérios com inundações. Vivemos uma época de extremos, graças às interferências desastradas do homem sobre o meio-ambiente. Quanto antes assumirmos responsabilidade e passarmos para as ações concretas, mais chances termos de sobreviver.

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