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Graduada em Processamento de Dados
Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

sábado, 1 de novembro de 2014

Silêncio eloqüente

No dia de hoje ocorreram várias passeatas nas principais cidades do Brasil pedindo o Impeachment de Dilma. A maior delas ocorreu em São Paulo e reuniu cerca de 3.000 pessoas, mas depois de começar a contagem com 1.000, alguns sites se contentaram em fechar a conta em 2.500 participantes.  A mobilização foi caracterizada como uma “marcha da direita golpista” e em alguns sites foi ignorada. Em um outro site, a notícia desapareceu durante 40 minutos e depois que as fotos começaram a ser publicadas nas redes sociais, o artigo voltou. Em nenhum dos telejornais houve menção sobre as passeatas.  Fica a pergunta:  Se as passeatas eram movimentos isolados de pessoas que queriam a volta da ditadura e que não possuem nenhum significado relevante ao “banho de democracia” que representou o resultado da última eleição, por que não mostrar?

O problema atual de algumas empresas de comunicação é a auto-censura imposta por interesses financeiros que se materializam em um número imenso de inserções comerciais e matérias compradas a peso de ouro pelo Governo Federal. Talvez esta censura seja ainda mais eficiente e mais grotesca que a imposta por governos totalitários,  uma vez que é mais difícil de ser comprovada e combatida. Ninguém vai querer ocupar um espaço do jornal com receitas, como fez o “Estado de São Paulo” na época da ditadura para demonstrar o jugo da censura. Também acaba por prejudicar ainda mais o cidadão brasileiro em dois aspectos: No primeiro como cliente ele compra o jornal ou acessa o site acreditando que está comprando informação verdadeira, ou seja, lá se vai a credibilidade. O segundo aspecto é que ele acaba sendo vítima dos desvios de dinheiro público que assolam este país, uma vez que estes contratos são pagos com recursos arrecadados dos contribuintes e deixam de ser aplicados onde seriam mais necessários, como na saúde ou mesmo para dirimir os rombos . Isto levanta outra questão: Em um momento delicado na área econômica como é o que estamos vivendo, com déficits em quase todas as contas públicas, é hora de gastar recursos em inserções comerciais, de fazer publicidade, discípulos de Goebbels? As propagandas da Caixa são emblemáticas, pois o Tesouro Nacional no vermelho e vem usando recursos que pertencem a este banco para fazer superávit. Realmente, o silêncio traduz milhões de palavras.

Agora, quem são essas pessoas e o que elas querem? Nenhum deles quer a volta dos militares, nenhum deles pertence à ultra-direita reacionária . São pessoas que estão indignadas com tantas mentiras e com tanta corrupção que pedem ajuda. São pessoas que não engolem mais quatro anos de tormento baseados em menos de 3 milhões de votos. São pessoas que não confiam em Dilma e neste ponto,temos que concordar que mentindo como uma louca por meses, não é uma “vitória” pouco expressiva que vai fazer este sentimento mudar do dia para a noite. Boa parte do que está acontecendo já estava previsto. Em meu artigo “A hora mais escura” eu já falava sobre a antipatia e desconfiança que tomou conta de metade deste país com relação à Dilma, portanto isto já era previsível. Depois de discursar falando ao Nordeste que os ricos do Sudeste não gostavam de pobres e outras pérolas deste calibre ditas por Lula, ela vem a público, em seu primeiro pronunciamento à nação após a eleição e ignora 50% da população e diz não acreditar em divisões. O que ela e sua equipe esperavam? Braços abertos? O voto de confiança já foi dado por quem votou nela. Para os demais, respeito e ouvidos atentos. Chega de negociatas, factóides e manipulações. E chega de mentiras e “pedaladas”. O que todo mundo esperava para 2015 está acontecendo agora, dados não foram repassados à população mais por estratégia de campanha do que por respeito à Lei Eleitoral. Em uma semana ela repete a “receita do bolo”, que tanto acusou Armínio Fraga de ser cozinheiro. Suas atitudes desmentem seus discursos e o duro é que durante os debates, ficou clara sua inferioridade perante Aécio. Daqui uns dias veremos as “passeatas dos enganados”, que correspondem aos 51,6% de votos que ela teve.

Com relação a dois fatos que dominaram a semana deixo aqui minha opinião. Não acho que o PSDB errou em pedir auditoria junto ao TSE. Acho que foi um gesto simbólico que deixa claro o rumo que o partido adotará como oposição e serve para que haja uma reflexão sobre nosso sistema eleitoral. O segundo fato é a proposta de plebiscito proposta por Dilma para rever a legislação eleitoral. Não ocorrerá plebiscito ou referendo , simples assim. Por que? Porque ninguém vai servir aos velados propósitos golpistas deste governo, que é o de convocar uma nova constituinte para debater esta matéria, que com certeza não ficará só nisso.

Ironicamente, para quem tem a Venezuela como modelo a ser copiado, nosso Governo já começou bem. Ganhou em uma semana passeatas no Brasil inteiro pedindo o Impeachment de Dilma e questionando a votação nas urnas eletrônicas. É preciso ter cuidado com o que se pede, pois pode-se ganhar bem mais do que se esperava.

Um comentário:

  1. Tem vários vídeos do carro de som onde o narrador fala " Não queremos um novo 1964,não queremos uma nova ditatura". Depois ele fala " Enquanto houver um homem e mulher de bem neste país, nós lutaremos." Não caiam no golpe de que a passeata foi um movimento de reacionários. A imagem e o som desmentem a tinta! E pouco a pouco, a confiabilidade nestes meios de comunicação vai caindo.

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