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Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Regulação da mídia

Esperando acompanhar a votação do projeto lei que altera o cálculo do superávit das contas, eis que assisto um discurso bombástico do Senador Roberto Requião, do PMDB,  em defesa da regulação da mídia “monopolista”.  Segundo o Senador, a mídia tem disseminado o preconceito entre as regiões do país e dando excessiva cobertura aos protestos que pedem o Impeachment de Dilma.  Segundo ele, basta que duas pessoas se reúnam para brandir cartazes com este pedido e as passeatas são temas de abertura de jornal.

De acordo com o Senador, a mídia que pede apuração dos casos de corrupção é omissa quanto a divulgação dos que fazem remessas ilegais para o exterior, com os crimes que ceifam as vidas de pobres e negros, do narcotráfico e de evasão de divisas. Os casos de remessas e evasão não são investigados pela mídia monopolista porque trariam desconforto quanto às pessoas atingidas e são fáceis de serem apurados. Ele pede veementemente o controle da mídia e em suas considerações finais diz que na primeira delação premiada de Alberto Yousseff não tinha nenhum político do PT, dirigindo-se diretamente ao Senador Humberto Costa  e que os acusados estão todos soltos, que punido foi apenas ele que os denunciou como ladrões.

Além de defender a regulação da mídia, o Senador ainda crítica a imprensa brasileira que é excessivamente capitalista, que quer que o atual governo adote o programa econômico do candidato derrotado, que nossa imprensa é contra os interesses dos brasileiros e a favor do capital estrangeiro. Bate firme na questão de termos um banqueiro cuidando do Ministério da Fazenda, mas elogia a escolha da Senadora Kátia Abreu e de Joaquim Levy, do Bradesco para os Ministérios da Agricultura e Fazenda. O Bradesco ainda é um banco...

Erra o Senador quando diz que a imprensa dá ampla cobertura aos protestos. O que verificamos de fato é uma tentativa por parte da mídia de descaracterizar o movimento, transformando-o em protestos da “extrema-direita” e não há cobertura pela televisão. Erra o Senador quando coloca sobre os ombros da mídia a responsabilidade pelas divisas de um país. Para isso, há a Receita Federal e Banco Central que devem controlar estas transações. Se as instituições estão falhando, é preciso que se descubra por onde bilhões escapam do Brasil e punir os responsáveis. Erra o Senador quando coloca a responsabilidade pela defesa da vida dos menos desfavorecidos na mídia. A violência de hoje não escolhe mais cor ou classe social, atinge a todos e é dever do Estado desenvolver políticas para sua contenção e do Congresso em criar dispositivos legais que defendam a vida e punam exemplarmente os que atentam contra ela de alguma forma.


Lembrando que não há crime de opinião neste país, resta-nos lamentar que em pleno Século XXI ainda tenhamos pessoas que defendam estes mecanismos, mas ao mesmo tempo devemos nos parabenizar por termos instituições fortes o suficiente para não se desmancharem diante do primeiro conflito. Sobretudo, devemos nos sentir confortados por termos pessoas entre nós que escutam e questionam. É para frente que se anda, rumo à liberdade, com respeito, em uma sociedade dinâmica que aceita e dá boas-vindas à diferença e que a cada dia tenta construir instituições fortes, fraternas e sobretudo justas.

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