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Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

sábado, 1 de novembro de 2014

Muhammad Ali

Na quinta-feira assisti um programa na ESPN que analisa os confrontos históricos do Boxe Internacional. Foi exibido um documentário narrado originalmente por Joe Frazier sobre a luta entre George Foreman e Muhammad Ali no Zaire, tema do documentário premiado “Quando éramos rei”.  Coincidentemente, nesta semana foram publicadas notícias sobre o agravamento das condições de Ali, que sofre de Mal de Parkinson. Saudades de Ali e toda sua eloqüência, pai involuntário do Rap e do orgulho negro, ocupante de um lugar único na história do boxe, onde os critérios não são só suas lutas dentro do ring, mas as que o levaram rumo à grandeza e inspiraram milhares ao redor do mundo.

Creio que a vida de Ali é tão vasta e tão única que dificilmente um filme ou mesmo uma série farão justiça ao mito. Nascido Cassius Clay, que segundo ele era seu nome de escravo , foi vencedor da medalha de ouro nas Olimpíadas de Roma em 1960, que foi jogada em um rio,  como protesto pela  punição que o impediu de lutar por se recusar a lutar no Vietnã. Sua recusa em ir para a guerra é uma denúncia contra os critérios de recrutamento do Exercito Americano. Segundo ele,  sua primeira avaliação no exercito o considerou “burro demais”para ser um soldado, mas que devido o agravamento do conflito, onde os pobres e negros foram os primeiros convocados, agora era considerado apto. Argumentava que não conhecia aquelas pessoas que não tinham feito mau nenhum contra ele ou seu país e que não via sentido naquela guerra,  além de ser seguidor do Islã . O tempo  e a morte desnecessária de milhões de jovens entre 19 e 24 anos, as barbaridades cometidas e o resultado da guerra mostraram que ele estava certo. 

Se tivesse condições físicas e mentais, com certeza denunciaria que o Islã não significa morte e que estes jovens ocidentais que partem para o Iraque e Síria e cometem atrocidades inimagináveis não são seguidores da religião e sim assassinos. Quando afirmava ser lindo e ser o maior e o melhor dentro dos rings, ajudou a difundir nos EUA, recém saído da Campanha dos Direitos Civis o orgulho em ser negro. Quando dava suas entrevistas polêmicas e rimava furiosamente para mostrar sua superioridade ou a inferioridade do oponente, foi pai do que conheceríamos como Rap. Realizou grandes campanhas humanitárias em países miseráveis da África contra a fome e sua fundação continua sua luta, somada agora ao patrocínio dado às pesquisas para a cura do Mal de Parkinson. A medalha olímpica foi devolvida a ele nas Olimpíadas de Atlanta.

Assisti uma entrevista com George Foreman, grande campeão do Boxe Internacional, dono de uma força descomunal e que, afastado do boxe por anos para se dedicar a vida de pastor, voltou a lutar e conquistar vitórias. Nesta entrevista ele falava um pouco de sua carreira, como começou o negócio com as churrasqueiras que levam seu nome e rapidamente falou sobre a luta com Ali, que era mais velho que ele. Disse que a lição que ficou foi a de “não ir para o Zaire, se ferir nos treinamentos e acabar por sofrer um nocaute”. De fato, durante a luta, Ali ficou nas cordas e fica evidente a força e superioridade de Foreman. Acabou por vencê-lo por acertar diversas vezes o local do ferimento e por obrigá-lo a lutar por 8 rounds, o que para ele era novidade, já que ele liquidava suas lutas rapidamente. Além disso, ele foi provocado durante todo o confronto com frases como: “Isto é o melhor que você pode fazer?”

Há vários livros escritos por Ali sobre sua vida, reflexões sobre religião, amor ao próximo e perdão. Ele protagonizou um filme sobre sua própria vida, “The Greatest” e há também o filme estrelado por Will Smith, “Ali”. Vale a pena conhecer mais sobre ele, já que também foi um criador de controvérsias e pode-se ter uma visão não muito generosa sobre ele. A HBO produziu um documentário que foi exibido nos EUA em Outubro, sobre as grandes lutas de Ali,logo deve chegar por aqui. Mas a verdade é que sua vida é maior que o Mito construído e se divide em vários papéis:  O grande boxeador, o líder, o artista e finalmente, o homem, com seus defeitos e qualidades, erros e acertos, como qualquer um de nós.  

Um comentário:

  1. Complementando o artigo, há uma belíssima homenagem de George Foreman para Ali em seu site. Olink é este: http://www.georgeforeman.com/ring-tribute-ali

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