Quem sou eu

Minha foto

Graduada em Processamento de Dados
Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Mas nem tanto

Em muitas conversas entre amigas, sou agente dupla.  Quando conversamos sobre expectativas nas relações, no encontro, sobre o par ideal para cada uma, não consigo deixar em casa meu lado mãe-de-dois-filhos. Fico me perguntando se não há algo que eu possa acrescentar na educação deles , então me lembro que são adultos e independentes , mas ai vem meu lado Agostiniano que acredita que a educação é um processo constante e fico ali, ouvindo para depois reproduzir  alguns comentários como se resultados fossem  de minha observação e  experiência de vida.

Uma expressão constante em nossas conversas é “mas nem tanto”. Por exemplo: “ Quero um cara que tenha uma carreira profissional, que seja dedicado.” Vem outra e diz: “Mas nem tanto, tem que ter tempo para a família.” Quero um cara que se dedique à família, que ajude nas tarefas domésticas e na educação das crianças. Mas nem tanto, tem que trabalhar e dividir as despesas também. Quero um cara sensível, que me entenda, que compartilhe sua vida comigo, que não tenha vergonha de chorar. Mas nem tanto, não pode coincidir os períodos menstruais. Quero um cara mais “de chegada”, que saiba sem impor, que decida. Mas em tanto, cuidado para não precisar usar a Maria da Penha.

Fica difícil saber o que cada uma procura e a diferença entre o que é familiar e o que é ideal, entre o certo e o errado. Tempos difíceis para homens e mulheres, complicadíssimo estabelecer padrões. Os altos demais são uma manifestação da busca pela perfeição e da auto-sabotagem. Se não encontrar, a responsabilidade não é sua, é culpa do mundo  que não tem, entre seus milhões de habitantes,  aquele um que é o certinho para você. E ainda por cima, se existir, não mora na sua cidade. Se você abaixa os padrões, é o medo da solidão que fala mais alto, é crença arraigada que uma mulher só é completa ao lado de um homem, coisa de gente arcaica. E foi para isso que o movimento feminista queimou tantos sutiãs em praça pública?

Acho que no meio de tantas contradições, dá para entender um pouco o que uma mulher espera de um homem: um companheiro, amigo, que trabalhe mas que também reserve tempo para a família, que tenha sensibilidade ao falar e lidar com sua mulher, que respeite o espaço e a independência dela, mas que não se omita. Se você prestar atenção, em mundo que luta pela igualdade, os homens buscam muito destas características também. Este acaba sendo o ponto principal de minhas conversas com meus filhos e espero que eles façam melhor, afinal uma geração supera a outra.

A questão do visual muda um pouco para a mulher, porque o que encanta pode ser um detalhe, um trejeito ou a absoluta falta de jeito. Acho que uma coisa que não muda é a necessidade de ter o que se admirar no parceiro ou na parceira: a forma como encara a vida, a luta, a honestidade, a fidelidade, a forma como educa os filhos, os ideais. Afinal, um dia ele ou ela se aposenta, engorda, perde os cabelos e os delas ficarão louros "naturalmente", os filhos crescem e saem de casa, mas a relação continua.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe aqui seu comentário: