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Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Foi sem querer querendo!


" Foi sem querer querendo"! Esta frase famosa de Chaves, nosso Chaplin latino, é famosa. Utilizada por crianças que ainda assistem o seriado que tem altos índices de audiência no SBT, de vez em quando você escuta a mesma explicação de um adulto, que mesmo utilizando outras palavras, permance fiel no sentido.

Conheci "Chaves" através de meus irmãos mais novos, quando eu ainda era adolescente. Meus filhos assistiram o programa e junto com eles, a mãe. Acho que uma das causas do sucesso é a identificação dos personagens com alguém que conhecemos no dia a dia ou durante nossa infância. Assim, todo mundo conheceu e brincou com um Chaves na vida, tivemos nossa amiga "Chiquinha", tivemos um vizinho meio "Seu Madruga", um professor metido a galã, a mãe de um amigo ou amiga que se achava superior aos vizinhos, o menino chorão e mimado que é o dono das brincadeiras porque os melhores brinquedos são seus e a gente tem que aturar, e inclusive aquela senhora meio tétrica, mas que no fundo era uma solitária mulher de meio idade, que sabe mas não acredita que o tempo passou.Hoje, tem uma nova geração assistindo as mesmas aventuras, repetindo as mesmas frases. 

O programa já era antigo quando começou a ser exibido no Brasil. Na época de meus irmãos, o ator que interpretava o "Senhor Madruga" já era falecido. De todos os personagens, ele é meu favorito, pela forma malandra que vive a vida e as responsabilidades que assumiu. O cara que tenta fazer o bem, mas acaba não sendo levado a sério pela incapacidade em se adaptar às realidades do dia a dia.  O nome em si já contradiz o caráter do personagem, não muito fã do trabalho e do hábito de madrugar. Que tem um certo orgulho dentro de si por coisas, situações ou pessoas que passaram por sua vida, mas que ele foi incapaz de aproveitar a oportunidade. Sabe o que é certo, o que tem que ser feito, mas falta algo mais, talvez  perseverança. Em 2006 teve uma onda de colocar o "Sr.Madruga" em lugares em que ele nunca iria. Assim, vimos o "Madruga Morrison", o "Madruga Che Guevara", o "Madruga Ramones", o "Madruga Jedi", entre outos. Além disso, tem os memes da internet que ainda usam o personagem. Na época, achei o máximo esta camiseta e deixo aqui como homenagem.

Hoje faleceu Roberto Bolaños, criador dos personagens e que há muito tempo estava doente. Claramente, Chaves é inspirado em Charles Chaplin. O menino abandonado, que mora em um barril que fica exatamente na frente da única porta de acesso à vila, o que faz com que ignorá-lo seja uma tarefa impossível. Todos passam por ali, todos sabem sua história, interagem com ele mas são incapazes, alguns por sua própria pobreza, outros por insensibilidade em reasgatá-lo.Interage-se com a miséria, mas não se faz nada para que ela acabe ou que tenha seus efeitos pelo menos atenuados. Assim, os moradores da vila são sua família, Madruga é o pai, Dona Florinda a mãe, a Bruxa, a avó e Quico e Chiquinha são os irmãos, que se amam e se odeiam, se ajudam e sabotam o outro como só os irmãos sabem fazer.Gostaria de ter assistido um episódio em  que os personagens se encontrassem adultos, para a gente saber que caminho cada um seguiu na vida.Cheguei a assistir alguns episódios do Quico, provavelmente gravado em Miami, mas faltava alguma coisa ali. Sem os outros personagens, o Quico ainda era mais chato que o script original.

Confesso que nunca gostei do "Chapolin Colorado", mas acho que Bolaños criou personagens universais e fez através deles, uma crítica amarga à sociedade. Uma das coisas mais interessantes do programa é que, embora a maioria dos personagens dividissem o mesmo espaço e quase as mesmas vicissitudes, ainda há uma divisão em subclasses sociais e a distânia entre elas é explicíta no relacionamento pouco cordial o Sr Madruga e Dona Florinda, um vive à margem e o outro é parte do sistema. 

Que o nosso Chaplin latino descanse em paz!

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