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Graduada em Processamento de Dados
Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Esforço inútil

O “tratoraço” que se viu na Comissão de Orçamento e no Congresso Nacional há dois dias, que tem exaurido a base oposicionista e exposto os governistas ao ridículo em sua luta desenfreada para aprovar a toque de caixa do PN 36 que altera a LDO é inútil. Como condição prévia para a abertura do balcão de negócios que impera nos bastidores deste governo tido como “legítimo”, o vale-tudo que se viu nas votações da Comissão e na tentativa de votação no Congresso é apenas um paliativo para isentar a presidente das conseqüências de seus atos. Em um futuro próximo, os mesmos deputados e senadores que hoje fazem discursos para elogiar a condução das votações feita por Renan Calheiros pagarão um alto preço em suas bases eleitorais por suas ações.

Em uma de suas primeiras entrevistas após a eleição, Dilma chamou de “balela” a diminuição dos ministérios e não se comprometeu a diminuir os cargos comissionados. Não há notícia de solicitação de estudos para apresentação de projetos para melhorar os controles internos de acompanhamento de obras e de repasses,  de saneamento de dispositivos que permitem que o Governo gaste com o que não existe, como é o caso das falhas apontadas no Pronatec. Não há compromisso em gastar menos, mas há projetos para aumentar a receita através da volta da Cide e das mudanças já anunciadas nos benefícios previdenciários e no Seguro-Desemprego. Com certeza, haverá apresentação de projeto que institua a volta da CPMF. Estas medidas são para fazer caixa e cobrir alguns rombos nas contas.

Com relação aos benefícios previdenciários, diante da variedade de fontes que financiam a Previdência Social, as medidas anunciadas são imorais. Se há rombo, antes de passar a tesoura nos benefícios é preciso saber antes onde o sistema está sangrando. A desoneração em Folha de Pagamento é um  deles, mas a aberturas de créditos suplementares do Orçamento da Previdência para serem usados em saneamento básico é outra. Não questiono o destino, questiono o volume liberado em ano eleitoral. Tenho artigos antigos em que falo sobre as desonerações em folha e de sua capacidade em produzir rombos na Previdência e eu não tenho bola de cristal. Todo mundo sabia que ia dar nisso, menos quem administra os recursos.

Enfim, sem corte de gastos, sem política definida de austeridade, com o balcão de oportunidades aberto, não há possibilidade de fixar teto para despesas. O que é possível fazer é criar ou majorar impostos para diminuir o rombo existente. Há o repasse dos gastos e da responsabilidade para o Congresso e para o cidadão, mas não há compromisso assumido por quem tem a obrigação em gerir e definir gastos em diminuir despesas.Não há nenhum reconhecimento que há um mercado que está em polvorosa há quase um mês esperando definições deste governo. Em suas flutuações, há aumento das despesas do Governo quando ele tem que interferir no mercado de câmbio para segurar o valor do dólar. Balela é afirmar que não interfere. Algumas empresas que pretendiam investir no Brasil já cancelaram os projetos e outras, enquanto aguardam definições do governo vão tomando pé da realidade do mercado brasileiro, que tem consumidor endividado, perspectiva de inflação, majoração de tributos e estagnação da economia ou mesmo recessão para os dois próximos anos.


A atitude de Renan Calheiros hoje em mandar Mendonça Filho do DEM se calar é sinal dos tempos. A resposta do parlamentar dizendo que quem pode pedir para que ele se cale é o povo de Pernambuco que o elegeu é uma lição de democracia. A base governista que está silenciosa em sua maioria deveria neste momento escutar mais a oposição.  Antes perder o anel que o braço, que é o preço que pagarão pela aprovação deste “projeto”. Eles são a orquestra do Titanic, tocando durante o naufrágio do barco. A diferença aqui é que o Titanic original bateu em um iceberg por acidente. O navio de Dilma errou o caminho, bateu, desviou, bateu de novo, desviou, bateu de novo, como um carro com motorista sem habilitação tentando estacionar em vaga de edifício. E vai continuar assim até afundar, porque é incapaz de aprender com seus erros. Quer mais um exemplo? Por que continuar postergando a posse da equipe econômica? Por que não mostra ação ao invés deste silêncio, que só aumenta a impressão de constrangimento diante das verdades que estão aparecendo todos os dias? A abertura do balcão pode esperar as manobras do Congresso,que não darão o resultado esperado, já que a condução dos processos e o projeto são inconstitucionais. A parte econômica não pode esperar mais.

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