Quem sou eu

Minha foto

Graduada em Processamento de Dados
Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

domingo, 30 de novembro de 2014

Eles não tem noção

Em “Os Sertões” de Euclides da Cunha, há uma passagem em que ele narra o impacto causado sobre as tropas republicanas ao chegarem ao local do conflito, saindo d litoral e indo ao sertão:  “A distância social dilatava a distância geográfica; criava a sensação de um longo afastamento da pátria.” Acredito que alguns parlamentares em Brasília sofrem do mesmo mal, que se manifesta em duas correntes: os que acreditam na legitimidade do atual governo para pedir ou impor medidas de austeridade ou às que contrariem a lei e o bom senso e os que acreditam que Brasília situa-se na Europa e se esquecem que economicamente,  o velho continente também passa por um longo processo de adaptação ao legado da crise de 2008.

Ainda estamos de olho no resultado da votação que ocorrerá na terça-feira, que aprovará ou não a alteração no cálculo do superávit definido na LDO ou melhor dizendo; que livrará Dilma do Crime de Responsabilidade e já se fala no aumento dos salários dos deputados,senadores, da presidente, do vice e dos 39 Ministros. O projeto  é de autoria de Eduardo Henrique Alves e se for aprovado, elevará as despesas com o Legislativo em todos estados,  já que os deputados estaduais podem receber até 75% do salário dos deputados federais. Com certeza,  haverá aumento também nos salários dos Ministros do STF, que são utilizados como teto, ou seja, remuneração máxima que um servidor da administração direta ou indireta pode receber. Olha o tamanho do efeito cascata! Esquecem-se também que nesta semana foi votado o fim dos “super-salários” do Congresso, que são aqueles que ultrapassam o teto constitucional

O momento agora é de austeridade, respeito e de muito comedimento por parte dos parlamentares, que precisam ter em mente que os rombos na Petrobrás ocorreram em diretorias cujos ocupantes foram indicados ou apadrinhados por deputados e senadores.  Sobre a mesa de Teori Zavascki há uma lista com o nome de 70 “agentes políticos” delatados na Operação Lava-Jato. Não é hora de bancar o “Joselito, o que não tem noção”! É hora de dividir a fatura com todos os brasileiros.

Além disso é preciso ter em mente que logo outras medidas impopulares serão apreciadas no Congresso, seja através de projeto de lei ou de decretos presidenciais. São as medidas que mudarão os benefícios previdenciários e o seguro-desemprego. Serão votações curiosas estas:  de um lado o trabalhador verá ir embora as garantias de amparo em caso de doença, morte ou desemprego involuntário;  de outro, com objetivo de cortar despesas estará o Governo e sua absoluta incapacidade administrativa, de Dilma principalmente, que sentou-se na cadeira do Ministro da Fazenda, tomou a caneta e fez o que quis: desonerou onde não devia, permitiu gastos estratosféricos em ano eleitoral, abriu as comportas do BNDES aos grandes empresários e países estrangeiros, utilizou-se da máquina administrativa para fazer campanha, tem faturas secretas do cartão corporativo que totalizam mais de  R$ 15 milhões com um carimbo de “Secreto” sobre elas. Quando chegar a hora, quero ver os discursos da base aliada recomendando austeridade e lembrando que o momento que o país atravessa é delicado, que não há outra medida possível a não estas para salvar a economia do Brasil. Se receberem o aumento de 25% a partir de Dezembro, será ainda mais difícil fazer o discurso.

Quero deixar claro que sei que nem todos parlamentares pensam assim ou concordam com o projeto de Eduardo Henrique Alves, mas muitos ainda acreditam que a distância entre Brasília e o Brasil permite aquele clima propicio para votações mais que questionáveis. Esquecem-se da internet, dos portais de transparência, das redes sociais, dos canais da TV Senado e da TV Câmara, enfim, que há muitas maneiras em saber em tempo real o que acontece lá. As distâncias são as mesmas, mas o isolamento terminou.

Finalizando, gostaria de registrar mais uma de Dilma e a fonte é a revista Isto é desta semana. Em um dos debates, Aécio Neves perguntou à Dilma quem estava governando o país, já durante um mês ela foi ao Palácio do Planalto uma vez. Nesta semana, foi divulgado que Aécio de fato devolveu seus vencimentos relativos aos meses de Agosto, Setembro e Outubro, conforme ele havia se comprometido. Dilma não.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe aqui seu comentário: