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Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Desemprego

Na última semana o quase Ex-Ministro Guido Mantega fez declarações polêmicas, admitindo que o governo pensa em fazer ajustes no Seguro-desemprego, auxílio-doença e nas pensões por viuvez para fazer superávit. Vindas de um Ministro da Fazenda de um governo do Partido dos Trabalhadores e após as críticas veementes de Dilma às declarações de Marina sobre direitos trabalhistas, as declarações não explicadas deixaram os brasileiros no ar, sem entender como um governo que se julga o único capaz de fazer justiça social poderia sequer cogitar em mexer em uma caixa de abelhas deste tamanho. Afinal, são direitos dos trabalhadores, devidamente pagos por antecipação pelos empregados e empregadores, através dos descontos em folha de pagamento.

Hoje finalmente veio a explicação: o mercado de trabalho, em comparação com o período de Janeiro a Outubro de 2013 sofreu uma retração de 38%. Este é o pior Outubro para geração de empregos desde 1999, com um corte de 30.000 empregos com carteira assinada. Se você parar para pensar que  em Outubro as contratações de temporários para o final do ano estão em alta, dá para imaginar como o quadro e a moldura são ruins.  Ou seja, as declarações mostram que o Governo já aceita que o desemprego crescerá, como resultado direto da péssima política econômica que implantou, que gerou  resultados pífios da economia, com  taxa de inflação no teto da meta, endividamento em alta e baixo consumo.

Há vários artigos já publicados neste blog em que eu trato sobre o cenário econômico para 2015 e em todos eu falo sobre o aumento da taxa de desemprego. Isto não quer dizer que eu sou melhor do que ninguém;  dez entre dez economistas e analistas de mercado já alertavam para este cenário como o mais provável e posso dizer com humildade que eu reproduzi aquilo em que acreditei, vi  e senti como administradora também. Inclusive este panorama não era novidade para ninguém, ele só foi negado e encoberto por um discurso repleto de números falsos, de apelo populista e com finalidade eleitoreira da então candidata Dilma Rousseff.

Para segurar as contas, será promovido ajustes nestes benefícios que são uma segurança para quem está trabalhando. Imagine o impacto destas medidas, como por exemplo o corte de uma parcela do seguro-desemprego  para o trabalhador que enfrentará  um mercado de trabalho em retração,  que perdeu com a demissão o auxílio-alimentação, com inflação e que necessitará  de um tempo maior para recolocação. Imagine famílias em que as avós tomam conta dos netos por problemas diversos e que ela seja obrigada a optar por uma pensão, abrindo mão de outra. Imagine o que significará para o trabalhador que esteja afastado do trabalho ou mesmo em atividade e que tenha um gasto alto com medicamentos, o que significará para a família dele a perda ou diminuição do auxílio-doença.

A irresponsabilidade andou de mãos dadas com o superfaturamento, com empréstimos concedidos pelo BNDES para países estrangeiros, com pacotes de bondades que não tiveram seu impacto calculado a longo prazo, com gastos eleitorais exorbitantes, com o toma-lá-dá-cá político, com 22.000 pessoas em cargos comissionados, com uma máquina administrativa imensa que arfa sob o peso de 39 ministérios, com o descontrole de gastos em programas sociais e educacionais como o Pronatec, que continua a pagar mensalidades em instituições particulares para alunos desistentes porque falta capacidade técnica em acompanhar os projetos. Exige-se a presença de idosos e de pessoas com graves problemas de locomoção nos postos do INSS para recadastramento e manutenção dos benefícios previdenciários. Quais são as exigências e como é feito o acompanhamento dos beneficiários de programas como o Bolsa-Família? O que tem sido feito em estados como o Maranhão, cuja metade da população recebe este auxílio para melhorar a vida destas pessoas?  Na Bahia houve um desvio de R$ 20 milhões em verbas de um instituto que deveria ser aplicada na capacitação de pessoas para inclusão no mercado de trabalho. O dinheiro foi desviado para campanha política. Estes recursos já foram devolvidos e aplicados onde deveriam ser?


Há que se rever muitos problemas e cortar muitas despesas antes de fazer “ajustes” em direitos previdenciários. Há que se fechar antes de tudo a torneira dos desvios, do superfaturamento, das obras que receberam imensos aditivos contratuais e nunca são terminadas. E sobretudo,que os responsáveis por levar o Brasil à situação atual sejam punidos exemplarmente e que os desvios milionários sejam devolvidos a quem pertence de direito. E sobretudo, que o Congresso Nacional não aceite as alterações propostas na LDO, que é na prática uma forma de escapar impune das responsabilidades por tudo isto que está acontecendo.

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