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Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

domingo, 30 de novembro de 2014

Eles não tem noção

Em “Os Sertões” de Euclides da Cunha, há uma passagem em que ele narra o impacto causado sobre as tropas republicanas ao chegarem ao local do conflito, saindo d litoral e indo ao sertão:  “A distância social dilatava a distância geográfica; criava a sensação de um longo afastamento da pátria.” Acredito que alguns parlamentares em Brasília sofrem do mesmo mal, que se manifesta em duas correntes: os que acreditam na legitimidade do atual governo para pedir ou impor medidas de austeridade ou às que contrariem a lei e o bom senso e os que acreditam que Brasília situa-se na Europa e se esquecem que economicamente,  o velho continente também passa por um longo processo de adaptação ao legado da crise de 2008.

Ainda estamos de olho no resultado da votação que ocorrerá na terça-feira, que aprovará ou não a alteração no cálculo do superávit definido na LDO ou melhor dizendo; que livrará Dilma do Crime de Responsabilidade e já se fala no aumento dos salários dos deputados,senadores, da presidente, do vice e dos 39 Ministros. O projeto  é de autoria de Eduardo Henrique Alves e se for aprovado, elevará as despesas com o Legislativo em todos estados,  já que os deputados estaduais podem receber até 75% do salário dos deputados federais. Com certeza,  haverá aumento também nos salários dos Ministros do STF, que são utilizados como teto, ou seja, remuneração máxima que um servidor da administração direta ou indireta pode receber. Olha o tamanho do efeito cascata! Esquecem-se também que nesta semana foi votado o fim dos “super-salários” do Congresso, que são aqueles que ultrapassam o teto constitucional

O momento agora é de austeridade, respeito e de muito comedimento por parte dos parlamentares, que precisam ter em mente que os rombos na Petrobrás ocorreram em diretorias cujos ocupantes foram indicados ou apadrinhados por deputados e senadores.  Sobre a mesa de Teori Zavascki há uma lista com o nome de 70 “agentes políticos” delatados na Operação Lava-Jato. Não é hora de bancar o “Joselito, o que não tem noção”! É hora de dividir a fatura com todos os brasileiros.

Além disso é preciso ter em mente que logo outras medidas impopulares serão apreciadas no Congresso, seja através de projeto de lei ou de decretos presidenciais. São as medidas que mudarão os benefícios previdenciários e o seguro-desemprego. Serão votações curiosas estas:  de um lado o trabalhador verá ir embora as garantias de amparo em caso de doença, morte ou desemprego involuntário;  de outro, com objetivo de cortar despesas estará o Governo e sua absoluta incapacidade administrativa, de Dilma principalmente, que sentou-se na cadeira do Ministro da Fazenda, tomou a caneta e fez o que quis: desonerou onde não devia, permitiu gastos estratosféricos em ano eleitoral, abriu as comportas do BNDES aos grandes empresários e países estrangeiros, utilizou-se da máquina administrativa para fazer campanha, tem faturas secretas do cartão corporativo que totalizam mais de  R$ 15 milhões com um carimbo de “Secreto” sobre elas. Quando chegar a hora, quero ver os discursos da base aliada recomendando austeridade e lembrando que o momento que o país atravessa é delicado, que não há outra medida possível a não estas para salvar a economia do Brasil. Se receberem o aumento de 25% a partir de Dezembro, será ainda mais difícil fazer o discurso.

Quero deixar claro que sei que nem todos parlamentares pensam assim ou concordam com o projeto de Eduardo Henrique Alves, mas muitos ainda acreditam que a distância entre Brasília e o Brasil permite aquele clima propicio para votações mais que questionáveis. Esquecem-se da internet, dos portais de transparência, das redes sociais, dos canais da TV Senado e da TV Câmara, enfim, que há muitas maneiras em saber em tempo real o que acontece lá. As distâncias são as mesmas, mas o isolamento terminou.

Finalizando, gostaria de registrar mais uma de Dilma e a fonte é a revista Isto é desta semana. Em um dos debates, Aécio Neves perguntou à Dilma quem estava governando o país, já durante um mês ela foi ao Palácio do Planalto uma vez. Nesta semana, foi divulgado que Aécio de fato devolveu seus vencimentos relativos aos meses de Agosto, Setembro e Outubro, conforme ele havia se comprometido. Dilma não.

sábado, 29 de novembro de 2014

Boyhood

Se você ainda não viu, assista! Longo sim, mas cheio de nuances que só um filme que demorou doze anos para ser filmado pode ter.  O elenco conta com presenças como Patricia Arquette e Ethan Hawke que são os pais do então garoto e hoje rapaz Ellar Coltrane e Patrícia está espetacular. Ethan Hawke, que acreditou que sua participação na série “Antes do amanhecer,  Antes do pôr do Sol e Antes da meia-noite” fosse algo único em sua vida, participa agora de outro filme singular, filmado em um longo período de tempo e que gira em torno da vida de Mason.

O filme foi feito com um orçamento baixo de aproximadamente U$ 2,5 milhões de dólares e já  arrecadou mais de U$ 40 milhões pelo mundo a fora. Os cenários e os locais de filmagem duraram o tempo necessário para que possamos assistir o crescimento  e amadurecimento de  Mason Jr, com todas suas singularidades e similaridades com as nossas vidas.  Os atores e alguns membros da produção participaram na elaboração do script, que não existia formalmente no início das filmagens. Há diálogos que foram criados em cima de situações vividas pelos atores em sua vida real. Quando Mason vai para a faculdade, os conselhos dados por sua mãe tem algumas referências aos dados pela mãe de Ethan Hawke na mesma situação. Há referências políticas e culturais que ajudam a delimitar a situação em um período de tempo e a trilha sonora é excelente.

Em um final de semana que promete chuvas, ir ao cinema acaba sendo uma escolha perfeita. Se você optar por assistir Boyhood,  você terá um pouco de tudo aquilo que pode fazer de  um filme grande ser um grande filme: diversão, emoção, drama e esperança.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Foi sem querer querendo!


" Foi sem querer querendo"! Esta frase famosa de Chaves, nosso Chaplin latino, é famosa. Utilizada por crianças que ainda assistem o seriado que tem altos índices de audiência no SBT, de vez em quando você escuta a mesma explicação de um adulto, que mesmo utilizando outras palavras, permance fiel no sentido.

Conheci "Chaves" através de meus irmãos mais novos, quando eu ainda era adolescente. Meus filhos assistiram o programa e junto com eles, a mãe. Acho que uma das causas do sucesso é a identificação dos personagens com alguém que conhecemos no dia a dia ou durante nossa infância. Assim, todo mundo conheceu e brincou com um Chaves na vida, tivemos nossa amiga "Chiquinha", tivemos um vizinho meio "Seu Madruga", um professor metido a galã, a mãe de um amigo ou amiga que se achava superior aos vizinhos, o menino chorão e mimado que é o dono das brincadeiras porque os melhores brinquedos são seus e a gente tem que aturar, e inclusive aquela senhora meio tétrica, mas que no fundo era uma solitária mulher de meio idade, que sabe mas não acredita que o tempo passou.Hoje, tem uma nova geração assistindo as mesmas aventuras, repetindo as mesmas frases. 

O programa já era antigo quando começou a ser exibido no Brasil. Na época de meus irmãos, o ator que interpretava o "Senhor Madruga" já era falecido. De todos os personagens, ele é meu favorito, pela forma malandra que vive a vida e as responsabilidades que assumiu. O cara que tenta fazer o bem, mas acaba não sendo levado a sério pela incapacidade em se adaptar às realidades do dia a dia.  O nome em si já contradiz o caráter do personagem, não muito fã do trabalho e do hábito de madrugar. Que tem um certo orgulho dentro de si por coisas, situações ou pessoas que passaram por sua vida, mas que ele foi incapaz de aproveitar a oportunidade. Sabe o que é certo, o que tem que ser feito, mas falta algo mais, talvez  perseverança. Em 2006 teve uma onda de colocar o "Sr.Madruga" em lugares em que ele nunca iria. Assim, vimos o "Madruga Morrison", o "Madruga Che Guevara", o "Madruga Ramones", o "Madruga Jedi", entre outos. Além disso, tem os memes da internet que ainda usam o personagem. Na época, achei o máximo esta camiseta e deixo aqui como homenagem.

Hoje faleceu Roberto Bolaños, criador dos personagens e que há muito tempo estava doente. Claramente, Chaves é inspirado em Charles Chaplin. O menino abandonado, que mora em um barril que fica exatamente na frente da única porta de acesso à vila, o que faz com que ignorá-lo seja uma tarefa impossível. Todos passam por ali, todos sabem sua história, interagem com ele mas são incapazes, alguns por sua própria pobreza, outros por insensibilidade em reasgatá-lo.Interage-se com a miséria, mas não se faz nada para que ela acabe ou que tenha seus efeitos pelo menos atenuados. Assim, os moradores da vila são sua família, Madruga é o pai, Dona Florinda a mãe, a Bruxa, a avó e Quico e Chiquinha são os irmãos, que se amam e se odeiam, se ajudam e sabotam o outro como só os irmãos sabem fazer.Gostaria de ter assistido um episódio em  que os personagens se encontrassem adultos, para a gente saber que caminho cada um seguiu na vida.Cheguei a assistir alguns episódios do Quico, provavelmente gravado em Miami, mas faltava alguma coisa ali. Sem os outros personagens, o Quico ainda era mais chato que o script original.

Confesso que nunca gostei do "Chapolin Colorado", mas acho que Bolaños criou personagens universais e fez através deles, uma crítica amarga à sociedade. Uma das coisas mais interessantes do programa é que, embora a maioria dos personagens dividissem o mesmo espaço e quase as mesmas vicissitudes, ainda há uma divisão em subclasses sociais e a distânia entre elas é explicíta no relacionamento pouco cordial o Sr Madruga e Dona Florinda, um vive à margem e o outro é parte do sistema. 

Que o nosso Chaplin latino descanse em paz!

Ponto de Vista - Cilane Assad de Souza: Desemprego

Ponto de Vista - Cilane Assad de Souza: Desemprego: Na última semana o quase Ex-Ministro Guido Mantega fez declarações polêmicas, admitindo que o governo pensa em fazer ajustes no Seguro-de...

Just breathe


Yes I understand
That every life must end
As we sit alone, I Know someday we must go
Oh, I’m a lucky man, to count on both hands the ones I love
Some folks just have one, yeah, others they got none
Stay with me
Let’s just breathe

Practiced on our sins
Never gonna let me win
Under everything, just another human being
Yeah, I don’t wanna hurt, there’s so much in this world
To make me bleed
Stay with me, you’re all I see
Did I say that I need you?
Did I say that I want you?
Oh, If I didn’t I’m a fool, you see
No one knows this more than me

'Cause I come clean
I wonder every day, as I look upon your face
Everything you gave
And nothing you would take
Nothing you would take
Everything you gave
Did I say that I need you?
Did I say that I want you?
Oh, If I didn’t I’m a fool, you see
Nothing you would take
Everything you gave
Hold me till I die
Meet you on the other side

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Se o Governo não atrapalhar

Assisti os discursos da nova equipe econômica: Joaquim Levy que é nosso novo Ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, Ministro do Planejamento  e Alexandre Tombini que continuará como presidente do Banco Central. Embora “fontes” ligadas ao Planalto dissessem que houve uma certa divisão dentro do PT pois há os que considerem Levy como um representante do programa de governo de Aécio Neves, não acredito que isto seja verdade.  É uma estratégia que eles estão utilizando para mostrar uma indignação que não existe depois da chuva de mentiras que foi a campanha eleitoral do PT. É inacreditável que alguém de fato ache que eles podem ter uma forma de pensar diferente e a maior prova disto é o gosto pelo poder e pelo dinheiro público. Como é que vão financiar o bem estar da companherada se a estagnação e recessão continuarem?

Reli alguns posts que publiquei ao longo destes 07 meses de existência deste blog, pois detesto incoerência. Em todos os artigos que publiquei sobre economia falo sobre recessão, aumento da inflação, desemprego, alta das taxas de juros e do dólar e sobre os rombos nas contas públicas, a começar pelo artigo publicado em Abril sobre o déficit da Previdência Social, que na época era de R$ 2,6 bilhões. Nos últimos, falo um pouco sobre o aumento dos impostos e a provável volta da CPMF. Em um deles falo que passaremos por isto até 2016 e é o que vem por aí. Para os que não acreditaram nas análises do mercado, dos economistas, dos políticos (Aécio foi bem claro sobre os impactos na economia que seriam sentidos a partir do momento em que começasse as reformas necessárias para colocar o tripé macroeconômico em funcionamento) fica uma lição: se você for utilizar um ovo para qualquer receita, vai ter que quebrar o ovo primeiro, não tem outra solução.

Se o Governo não atrapalhar e a Dilma se conformar em ser apenas presidente, teremos dois anos duros pela frente. O desemprego subirá, a inflação continuará em alta corroendo os ganhos dos trabalhadores, teremos retração de crédito e aumento das taxas de juros. A partir da metade de 2016, as coisas começarão a melhorar, e ai mora o perigo, pois em 2018 teremos eleições presidenciais e a exemplo deste ano, começará a gastança desenfreada. As pessoas mais pobres, que são eleitores de Dilma sofrerão mais neste período, porque não terão “gordurinhas” para cortar, já estarão na pele. Os benefícios previdenciários e o salário-desemprego que sofrerão alterações, provavelmente terão o impacto suavizado pelos programas sociais. Provavelmente vem um “Bolsa-trabalhador” por aí.

Para os que acham que a credibilidade e a confiança foram restabelecidas, nacional e internacionalmente com os anúncios de hoje, recomendo muita cautela. Não se esqueçam que tramita no Congresso o projeto para alterar a LDO, que se aprovado da forma como está, libera o Governo da obrigação de produzir superávit e de poupar. É tudo o que uma presidente voluntariosa não pode ter em mãos. E como já vimos, falar a verdade não faz parte de seu rol de atributos positivos. Se o Governo, no caso Dilma, atrapalhar, as conseqüências são imprevisíveis. Como a gente costuma dizer, só depois de bater no fundo é que podemos dizer o tamanho da queda.


Hora de sacrifícios, de consumo consciente e de ter responsabilidade pela escolha que foi feita na urna. Não se esqueçam que o aumento dos combustíveis foi insuficiente para cobrir os prejuízos que a Petrobrás sofreu após quase um ano sem reajustes e que as tarifas de energia também terão aumento. Tempo também de vigiar nosso Governo e nossos políticos mais do que nunca, evitando “pedaladas” que aumentem os gastos públicos em obras superfaturadas e em outras manobras para beneficiar partidos e “campanhas políticas”. A matemática tem que ser seguida, pois se tirar de um lado, faltará do outro. Hora também de lembrar que se Dilma tivesse feito um governo melhor, menos populista, menos gastão, talvez estas dificuldades que passaremos pudessem ter sido evitadas

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Esforço inútil

O “tratoraço” que se viu na Comissão de Orçamento e no Congresso Nacional há dois dias, que tem exaurido a base oposicionista e exposto os governistas ao ridículo em sua luta desenfreada para aprovar a toque de caixa do PN 36 que altera a LDO é inútil. Como condição prévia para a abertura do balcão de negócios que impera nos bastidores deste governo tido como “legítimo”, o vale-tudo que se viu nas votações da Comissão e na tentativa de votação no Congresso é apenas um paliativo para isentar a presidente das conseqüências de seus atos. Em um futuro próximo, os mesmos deputados e senadores que hoje fazem discursos para elogiar a condução das votações feita por Renan Calheiros pagarão um alto preço em suas bases eleitorais por suas ações.

Em uma de suas primeiras entrevistas após a eleição, Dilma chamou de “balela” a diminuição dos ministérios e não se comprometeu a diminuir os cargos comissionados. Não há notícia de solicitação de estudos para apresentação de projetos para melhorar os controles internos de acompanhamento de obras e de repasses,  de saneamento de dispositivos que permitem que o Governo gaste com o que não existe, como é o caso das falhas apontadas no Pronatec. Não há compromisso em gastar menos, mas há projetos para aumentar a receita através da volta da Cide e das mudanças já anunciadas nos benefícios previdenciários e no Seguro-Desemprego. Com certeza, haverá apresentação de projeto que institua a volta da CPMF. Estas medidas são para fazer caixa e cobrir alguns rombos nas contas.

Com relação aos benefícios previdenciários, diante da variedade de fontes que financiam a Previdência Social, as medidas anunciadas são imorais. Se há rombo, antes de passar a tesoura nos benefícios é preciso saber antes onde o sistema está sangrando. A desoneração em Folha de Pagamento é um  deles, mas a aberturas de créditos suplementares do Orçamento da Previdência para serem usados em saneamento básico é outra. Não questiono o destino, questiono o volume liberado em ano eleitoral. Tenho artigos antigos em que falo sobre as desonerações em folha e de sua capacidade em produzir rombos na Previdência e eu não tenho bola de cristal. Todo mundo sabia que ia dar nisso, menos quem administra os recursos.

Enfim, sem corte de gastos, sem política definida de austeridade, com o balcão de oportunidades aberto, não há possibilidade de fixar teto para despesas. O que é possível fazer é criar ou majorar impostos para diminuir o rombo existente. Há o repasse dos gastos e da responsabilidade para o Congresso e para o cidadão, mas não há compromisso assumido por quem tem a obrigação em gerir e definir gastos em diminuir despesas.Não há nenhum reconhecimento que há um mercado que está em polvorosa há quase um mês esperando definições deste governo. Em suas flutuações, há aumento das despesas do Governo quando ele tem que interferir no mercado de câmbio para segurar o valor do dólar. Balela é afirmar que não interfere. Algumas empresas que pretendiam investir no Brasil já cancelaram os projetos e outras, enquanto aguardam definições do governo vão tomando pé da realidade do mercado brasileiro, que tem consumidor endividado, perspectiva de inflação, majoração de tributos e estagnação da economia ou mesmo recessão para os dois próximos anos.


A atitude de Renan Calheiros hoje em mandar Mendonça Filho do DEM se calar é sinal dos tempos. A resposta do parlamentar dizendo que quem pode pedir para que ele se cale é o povo de Pernambuco que o elegeu é uma lição de democracia. A base governista que está silenciosa em sua maioria deveria neste momento escutar mais a oposição.  Antes perder o anel que o braço, que é o preço que pagarão pela aprovação deste “projeto”. Eles são a orquestra do Titanic, tocando durante o naufrágio do barco. A diferença aqui é que o Titanic original bateu em um iceberg por acidente. O navio de Dilma errou o caminho, bateu, desviou, bateu de novo, desviou, bateu de novo, como um carro com motorista sem habilitação tentando estacionar em vaga de edifício. E vai continuar assim até afundar, porque é incapaz de aprender com seus erros. Quer mais um exemplo? Por que continuar postergando a posse da equipe econômica? Por que não mostra ação ao invés deste silêncio, que só aumenta a impressão de constrangimento diante das verdades que estão aparecendo todos os dias? A abertura do balcão pode esperar as manobras do Congresso,que não darão o resultado esperado, já que a condução dos processos e o projeto são inconstitucionais. A parte econômica não pode esperar mais.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

O problema é o nome

Há tempos tenho uma teoria: quando uma pessoa desenvolve um comportamento que tem um adjetivo ou um substantivo que o defina,  a pior ofensa é usar o termo gramatical que o define. Alguns são definidos assim por lei, assim o que rouba é ladrão, o que vende serviços que não podem de forma alguma serem negociados são os corruptos. Temos aqueles que são conhecidos pelo ofício que desempenham, como os que servem e são chamados de serviçais. Mas há uma exceção a regra, que são os presidiários. Estes, quando condenados juram inocência, mas costumam utilizar uma escala própria dentro de uma sociedade peculiar. Quanto pior o crime, mais alta a posição na sociedade presidiária.

Hoje nosso Congresso está reunido para apreciar 38 vetos presidenciais, mas o objetivo principal é aprovar o projeto governamental que altera a Lei Orçamentária, para que nossa presidente possa dar continuidade aos desastres administrativos diários sem nenhum inconveniente, como por exemplo, o peso da lei. A votação dos vetos deve obedecer a ordem cronológica e cada um deve ser votado após discussão individual. Como não há mais voto secreto nas matérias, deveríamos saber como os deputados que elegemos votou. Em um país que se orgulha em usar a “tecnologia da urna eletrônica”, seria normal que o Congresso Nacional e assim diz o regimento, utilizasse o painel eletrônico para registrar as votações.  Mas eis que entra o conflito de interesses entre  as verbas, as posições estratégicas em empresas públicas e Ministérios e o dever do Deputado ou Senador em representar o povo que lhe dá temporariamente poder para representá-lo. Ninguém quer que seu nominho e seu voto seja conhecido. Para isso, estão utilizando uma cédula em papel com os 38 vetos que o congressista deve votar, assinar e etiquetar.

Estão em pauta vetos importantes que dizem respeito à Reforma Política, à criação de municípios, ao agronegócio entre outros. Mas a pressa é para votar o Projeto da Lei Orçamentária. Só depois da votação será definido o Ministério. Mais uma “trucada” da Presidente que chegou a afirmar na Austrália que a Operação Lava-Jato mudaria para sempre a forma que a política é feita no Brasil. Mais uma vez, haverá a distribuição daquilo que nos pertence para ser usado de uma forma que não é cristã, que dirá republicana. É a velha maneira de fazer política, que ganhou upgrades com o Mensalão e agora o Petrolão;um pagava em dinheiro, outro dá acesso ilimitado ao dinheiro público.

Se o deputado ou senador está de fato a serviço do Planalto, que mal há em ter sua posição conhecida nacionalmente? Se ele acha que está certo, se há justificativa para o que faz, que mal há na publicidade de seus atos?  Agora é que vem a timidez? É vergonha de ser chamado de serviçal?  Se o interesse é econômico, qual  o problema em ser apontado como corrupto? A escolha não foi dele?  Que arque com as conseqüências de seus atos, como todos os brasileiros arcam com as suas. O problema destas pessoas é que, a partir do momento que se dá o nome é que vem a ofensa. O sentimento dos brasileiros e seus interesses são infinitamente menores do que o desconforto de “ Vossa Excelência”.  A conduta é uma questão de foro íntimo, nomeá-la é crime, é feio, é uma marca.

Mais uma vez lá estão PSDB, DEM,PSB e Solidariedade invocando os pontos, as vírgulas, os acentos do Regimento e da Constituição, anunciando obstrução e ameaçando ir ao STF. Aécio Neves fez um pronunciamento lembrando que o que está em jogo é a posição do Brasil perante o mundo. Todos congressistas da oposição tem dados sólidos de argumentação, cobrando inclusive acordos feitos entre as lideranças e Renan Calheiros, como bem lembrou o Senador Aloysio Nunes Ferreira sobre a forma como seriam feitas estas votações. No meio das discussões, eis que surge um deputado petista e começa a discutir os números do governo Fernando Henrique Cardoso. Diante de tantas mentiras, tantos dados maquiados e sonegados ao povo, de uma realidade ruim, quem se importa com o que aconteceu há doze anos atrás? O pior é que esta sumidade não responderia uma pergunta simples: com números tão ruins como herança , como o país só cresceu quando a mesma política econômica foi utilizada? As inovações de Dilma são responsáveis por tudo o que já aconteceu e o Congresso, aprovando este Projeto, será igualmente responsável pelo o que está por vir.

O problema ai é o nome e a exemplo dos presídios, quanto maior for o disparate aprovado a toque de caixa no Congresso, maior será sua posição dentro de um governo que ainda acredita na própria mentira,  que representa a maioria absoluta da população.

Uma eleição que não terminou

Assisti à reunião da Comissão de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização , onde os participantes puderam ouvir o tempo todo  os gritos de ordem dos manifestantes do lado de fora. Neste momento discute-se se os destaques serão votados individualmente ou se eles serão considerados como rejeitados pelo relatório do Senador Romero Jucá. A Oposição urrou, gritou, lutou, mas é minoria na casa. Apegaram-se ao regimento, à Constituição, à Lei de Responsabilidade Fiscal, enfim a todos argumentos possíveis, mas nada impediu a “tratoragem” da base governista. Um deputado do PDT chegou a dizer no início da sessão que a base deveria deixar a oposição falar o que quisesse e que, ao final eles aprovariam o projeto de qualquer forma. O texto foi aprovado e hoje (terça-feira) será encaminhado ao Congresso para votação.

Em várias ocasiões são feitos discursos contundentes, alguns alegando que houve fraude na eleição e que o estranho recolhimento de Dilma há quase um mês é a maior prova disto. Em outros momentos, são feitos sérios alertas quanto à posição do Brasil internacionalmente, já que aprovando as mudanças vai se embora o sistema de controle orçamentário do país. Com muita propriedade foi dito que um governante deve se submeter às leis do país e o que está acontecendo  é o contrário. Os deputados Mendonça Filho e Ronaldo Caiado veementemente acusam alguns de seus pares de condicionar seus votos à verbas, emendas e ministérios no Governo e,  para ajudar, exatamente às 23h21, foi publicado no Blog do Camarotti uma notícia que corrobora estas denúncias.

Uma eleição vencida por uma margem estreita de votos, onde o peso da máquina administrativa teve papel decisivo, com uma campanha suja e repleta de mentiras e que não termina, que não encerra seu processo. A cada novo dado que surge, fica latente a incompetência e descontrole vergonhoso de um governo  que sequer consegue chegar a um consenso para nomear sua equipe econômica e cozinha em fogo lento as reputações das pessoas que já foram anunciados.

A todo momento invoca-se a imagem de Aécio Neves, muitas vezes sozinho, dizendo o que estava acontecendo e o que deveria ser feito e é exatamente tudo o que estamos vendo. Muitas vezes chocou analistas, repórteres e economistas ao dizer que 2015 seria um ano duríssimo. Foi chamado  de mentiroso, combatido com números de um governo que encerrou seu ciclo há mais de doze anos. Disseram que ele não gostava de pobres e há trabalhadores sem receber salários da Petrobrás e de construtoras. Disseram que ele tiraria direitos trabalhistas, mas na mesma semana da vitória foi dito que este Governo estuda mudanças no auxílio-doença, seguro-desemprego e pensão por morte. Disseram que ele seria o candidato dos ricos, dos banqueiros que ficaram mais ricos ainda em 12 anos de PT, do arrocho e das taxas de juros. Impossível se conformar com o resultado desta eleição, o melhor e mais preparado candidato foi derrotado por uma quimera. Em menos de três dias a taxa Selic subiu e em uma semana os combustíveis tiveram reajustes. Os índices que medem o desemprego começam a subir e o arrocho virá com a inflação fora de controle e com o aumento das tarifas e preços controlados pelo Governo.


Hoje, nas primeiras filas sentaram-se Gleise Hoffmann e Humberto Costa, ambos acusados de se beneficiarem com gordas doações do sistema que imperou na Petrobrás. A Senadora Gleise Hoffmann em dado momento passou a comparar nosso déficit com economias como Estados Unidos, Itália, Japão e Canadá. O Japão passa por uma estagnação econômica há tempos, os demais países lutam para sair da ressaca que a crise de 2008 deixou. No caso dos americanos eles  encerraram duas guerras. Como eu já disse, o cenário internacional não ajudou, mas se as coisas tivessem sido melhor administradas aqui, os rombos não se multiplicariam. Como disse o Deputado Mendonça Ribeiro, restará à Dilma a adoção das políticas ultra ortodoxas para colocar o Brasil da forma como ela encontrou.

Hoje haverá a votação deste projeto no Congresso. Aos que puderem, sugiro que acompanhem. É uma chance única para vermos quem é quem ou quem ganhou o que, ou como o bem do Brasil vale bem pouco diante das verbas de um Ministério.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Regulação da mídia

Esperando acompanhar a votação do projeto lei que altera o cálculo do superávit das contas, eis que assisto um discurso bombástico do Senador Roberto Requião, do PMDB,  em defesa da regulação da mídia “monopolista”.  Segundo o Senador, a mídia tem disseminado o preconceito entre as regiões do país e dando excessiva cobertura aos protestos que pedem o Impeachment de Dilma.  Segundo ele, basta que duas pessoas se reúnam para brandir cartazes com este pedido e as passeatas são temas de abertura de jornal.

De acordo com o Senador, a mídia que pede apuração dos casos de corrupção é omissa quanto a divulgação dos que fazem remessas ilegais para o exterior, com os crimes que ceifam as vidas de pobres e negros, do narcotráfico e de evasão de divisas. Os casos de remessas e evasão não são investigados pela mídia monopolista porque trariam desconforto quanto às pessoas atingidas e são fáceis de serem apurados. Ele pede veementemente o controle da mídia e em suas considerações finais diz que na primeira delação premiada de Alberto Yousseff não tinha nenhum político do PT, dirigindo-se diretamente ao Senador Humberto Costa  e que os acusados estão todos soltos, que punido foi apenas ele que os denunciou como ladrões.

Além de defender a regulação da mídia, o Senador ainda crítica a imprensa brasileira que é excessivamente capitalista, que quer que o atual governo adote o programa econômico do candidato derrotado, que nossa imprensa é contra os interesses dos brasileiros e a favor do capital estrangeiro. Bate firme na questão de termos um banqueiro cuidando do Ministério da Fazenda, mas elogia a escolha da Senadora Kátia Abreu e de Joaquim Levy, do Bradesco para os Ministérios da Agricultura e Fazenda. O Bradesco ainda é um banco...

Erra o Senador quando diz que a imprensa dá ampla cobertura aos protestos. O que verificamos de fato é uma tentativa por parte da mídia de descaracterizar o movimento, transformando-o em protestos da “extrema-direita” e não há cobertura pela televisão. Erra o Senador quando coloca sobre os ombros da mídia a responsabilidade pelas divisas de um país. Para isso, há a Receita Federal e Banco Central que devem controlar estas transações. Se as instituições estão falhando, é preciso que se descubra por onde bilhões escapam do Brasil e punir os responsáveis. Erra o Senador quando coloca a responsabilidade pela defesa da vida dos menos desfavorecidos na mídia. A violência de hoje não escolhe mais cor ou classe social, atinge a todos e é dever do Estado desenvolver políticas para sua contenção e do Congresso em criar dispositivos legais que defendam a vida e punam exemplarmente os que atentam contra ela de alguma forma.


Lembrando que não há crime de opinião neste país, resta-nos lamentar que em pleno Século XXI ainda tenhamos pessoas que defendam estes mecanismos, mas ao mesmo tempo devemos nos parabenizar por termos instituições fortes o suficiente para não se desmancharem diante do primeiro conflito. Sobretudo, devemos nos sentir confortados por termos pessoas entre nós que escutam e questionam. É para frente que se anda, rumo à liberdade, com respeito, em uma sociedade dinâmica que aceita e dá boas-vindas à diferença e que a cada dia tenta construir instituições fortes, fraternas e sobretudo justas.

sábado, 22 de novembro de 2014

Responsabilidade e ética

Nesta segunda-feira será realizada a votação do projeto enviado pelo Governo que altera o cálculo do superávit primário das contas do governo. Na prática, será transformar o déficit em superávit, amortizando os investimentos do PAC e as desonerações. Na verdade, uma “pedalada” esperta para que a Presidente Dilma não seja julgada por Crime de Responsabilidade e como conseqüência, precise ser afastada do cargo. Com as contas de campanha sob análise de Gilmar Mendes no STF, que já ordenou um pente fino em todos os lançamentos  e conta com auxílio do Banco Central e da Receita Federal, há o risco real de alguma outra “pedaladinha” aparecer e impedir a diplomação de Dilma para um segundo mandato.

Diante dos perigos reais, o Governo ataca em duas frentes. Com relação às contas, o MPE pediu que a análise seja redistribuída para outro juiz, no caso Admar Gonzaga que pasmem, foi advogado de sua campanha em 2010 e foi nomeado em 2013 por Dilma. Admar trabalhou bastante nas eleições. Suspendeu a divulgação de dados da campanha de Aécio e também foi o responsável pela proibição da exibição da capa da Revista Veja que denunciava que Lula e Dilma sabiam dos descaminhos que ocorriam na Petrobrás.Em outra frente, temos Aloízio Mercadante auxiliado por Michel Temmer nos bastidores, que vem dando declarações bombásticas e pintando o apocalipse financeiro e administrativo pelo qual o Brasil passará as mudanças solicitadas na LDO não forem feitas da maneira que o Governo pediu, ou seja, a segunda Campanha do Terror do PT este ano. Estas declarações talvez estejam por trás do vergonhoso vale-tudo visto na Comissão Mista de Orçamento esta semana, que para aprovar o projeto tentou assassinar o regimento. A situação que se coloca é a seguinte: ou muda a lei ou o Brasil para. As perguntas que a sociedade faz são mais complexas:  Até quando pagaremos pela campanha vergonhosa que reconduziu Dilma Rousseff à presidência do Brasil? Com 39 ministros para auxiliá-la, sabendo do limite estabelecido por lei e das conseqüências em não cumpri-la, nada foi capaz de detê-la? Para que ela possa tomar posse em janeiro, quantas leis mais precisaremos mudar?

Com 12 pedidos de Impeachment já arquivados pelo Congresso e outros tantos na fila para serem analisados, depois de todas as dúvidas que pairam sobre a “vitória” de Dilma, é hora de encaminhar a análise de suas contas para o ex-advogado de sua campanha? É preciso que ela carregue mais uma suspeita nas costas, que seu mandato seja ainda mais contaminado pelas desconfianças despertadas em boa parte do eleitorado pelas mentiras contadas em rede nacional? Se não deve, não há o que temer e eu gosto muito daquele ditado, que cabe perfeitamente aqui:  “Não basta a mulher de César ser honesta, tem que parecer honesta”.  Para o Brasil é melhor que suas passem pelo crivo de Gilmar Mendes e se apresentarem problemas, que estes sejam devidamente explicados do que aprovadas com louvor por um de seus companheiros de partido e perder toda credibilidade e autoridade necessárias ao exercício do cargo antes de assumir.

Com relação ao projeto enviado para o Congresso, que o Regimento Interno seja seguido à risca e que os participantes da sessão tenham em mente que eles na prática estão alterando uma lei com o simples propósito de evitar que o responsável escape impunemente da situação. Quem votar a favor da alteração, condena o Brasil a longo prazo a pagar pelos erros de um Governo que de fato foi irresponsável e incompetente na condução da política econômica e afasta do Brasil toda e qualquer possibilidade de receber investimentos externos que são mais que necessários no momento. Faltou ética, faltou respeito ao lidar com recursos  públicos, faltou transparência e planejamento.

A questão do superávit não é apenas para mostrar números bonitos, é para evitar que o governo gaste mais do que arrecada, independente de partido. É para obrigar o governo a poupar e usar com responsabilidade os recursos arrecadados e em teoria serviria como uma avaliação do governo. Pelos números apresentados, Dilma foi reprovada em todos quesitos. É justo, é o certo e é uma lição para os aspirantes e governantes além de ser um passo histórico no fortalecimento das instituições de controle do Brasil que a lei não seja alterada e que os erros cometidos sejam punidos. Quanto maior o preço a pagar, maior o cuidado em não ultrapassar limites.

Quando o governo alega que as maiores economias do mundo estão passando pelo mesmo problema em virtude do prolongamento da crise econômica, varre para debaixo de um tapete que já começa a mostrar que ali jaz uma montanha de lixo, a irresponsabilidade, a incapacidade de tomar decisões baseadas em estudos sólidos e os gastos astronômicos feitos em ano eleitoral.  O mercado internacional dá sinais claros de desaceleração desde 2011 e é impressionante que a queda nas exportações não tenha sido considerada na hora de elaborar o Orçamento. Usando este argumento prova-se que o Governo é incapaz em acompanhar e prever o comportamento do mercado externo e planejar ações para evitar maiores impactos internos. É mais um sinal de incompetência.

Dilma foi reeleita presidente de um país que não existe, que baseou muitos argumentos de sua campanha em dados que não são reais. O que talvez seja necessário é mudar a lei não para acomodar a conduta da presidente, mas sim para ampliar a descrição dos atos que são Crimes de Responsabilidade  incluindo aí a mentira, a falta de ética, a maquiagem das contas, a proibição e manipulação de dados estatísticos e de resultados das contas públicas com intuito claro de enganar a população e se apoderar das estruturas do governo para uso próprio

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Engenharia reversa

Como fã de séries e filmes sobre ficção científica, assisto eventualmente alguns programas sobre a possibilidade de existência de vida alienígena. Alguns são muito interessantes, nos fazem pensar. Outros,  mostram o E.T de Varginha como um fenômeno que a Força Aérea Brasileira guarda a sete chaves. Através destes documentários, fiquei sabendo que dois presidentes dos Estados Unidos afirmam terem visto OVNIS: Jimmy Carter e Ronald Reagan. Reforço aqui o conceito que um OVNI não significa necessariamente uma nave alienígena, mas literalmente um Objeto Voador não Identificado.

Alguns destes documentários dizem  que os segredos americanos não são revelados sequer para os presidentes. Recentemente o Governo de Barack Obama anunciou que de fato existe a Área 51, o que já é um avanço e tanto. Explicam também que a grande quantidade de avistamentos de OVNIS no Novo México e em Nevada é ocasionada pela presença de bases militares que fazem experimentos na região, como o avião Stealth, que com seu peculiar formato podia se passar por nave alienígena.

Gostei particularmente de um documentário que foi exibido pelo canal H2, na última quinta-feira. Neste programa, há um questionamento sobre a rápida evolução da tecnologia no século XX, que foi do trem a vapor ao programa espacial em 60 anos. Segundo alguns especialistas, tamanha evolução em tão pouco tempo poderia ser explicada pelo uso de engenharia reversa aplicada em tecnologias alienígenas que alguns países têm e guardam em segredo. Não acredito nesta possibilidade, mas não deixo de me encantar pelas conquistas tecnológicas do século XX e XXI e seus contrastes. Somos capazes de pousar um módulo em um cometa, perfurá-lo e analisar sua composição em pouquíssimo tempo, mas somos incapazes de derrotar o ebola, que nesta última epidemia matou mais de 6.000 pessoas. Somos capazes de criar armas para matar a distância e não conseguimos resolver o problema da fome, que ainda é responsável pela morte de muitas pessoas. 

Ainda de acordo com eles, para efeito de comparação, o computador de bordo da Apolo 11 tem capacidade igual de processamento a de um smartphone atual. Gostei também de uma entrevista feita com um ex-astronauta que afirma não ter visto nada de diferente em sua viagem pelo espaço, mas que acredita que matematicamente é impossível não existir. A cada foto do Telescópio Hubble,  são exibidas novas galáxias com muitos planetas e que certamente em um deles há uma forma de vida mais avançada que uma bactéria.

A parte final do documentário diz que o físico Stephen Hawking concorda que  matematicamente é possível que exista outras formas de vida e que eles podem possuir de fato tecnologia bem superior a nossa, mas que o contato entre estas civilizações seria semelhante a chegada dos europeus na América. Dentro deste cenário, os índios seríamos nós e todo mundo sabe como termina esta história. Assim, devemos ter cuidado com nossos desejos, porque vai que acontece.

Saindo um pouco do campo dos documentários e indo para o entretenimento, há um filme que é exibido com freqüência nos canais pagos, que se chama “Paul, o alien fugitivo”, que é estrelado pela dupla Simon Pegg e Nick Frost, com participação de Seth Rogen fazendo a voz do alienígena. Deixo aqui como sugestão, porque os filmes desta dupla britânica geralmente são bem engraçados, com aquele humor peculiar dos ingleses. Neste, eles capricham nos contrastes e Paul é um personagem muito engraçado. Vale a pena assistir.

Mudanças climáticas

A seca que assolou a região Sudeste do Brasil e que deixou como saldo, rios e reservatórios de água secos, ainda não produziu todos seus efeitos. Sentiremos no próximo ano, nas bombas de combustível, os resultados da estiagem sobre a cultura da cana de açúcar. Estima-se que levará quatro anos de boas chuvas para recuperar os níveis dos rios, que é um resultado dramático do desmatamento das matas ciliares,  da falta de planejamento e bom senso no consumo de água e das mudanças climáticas que assolam nosso planeta. Esta quase catástrofe foi usada como tema de suma importância na disputa eleitoral deste ano, como se o único culpado por todos os transtornos fosse o Governador Geraldo Alckimin de São Paulo.

Depois do início das chuvas, a população não mais se pronunciou e o Governo Federal até agora não deu nenhuma resposta às propostas levadas pelo governador à Brasília. Limitaram-se a dizer que as propostas “deles” não eram destinadas a sanar os problemas atuais. Esqueceram-se que o problema é de longo prazo e que medidas de médio e longo prazo devem ser tomadas, para evitar que a população passe pelo mesmo problema novamente. Não vi até aqui nenhuma manifestação dos governos de Minas Gerais e do Rio de Janeiro, que sofreram em maior ou menor escala os efeitos da estiagem.

Não vejo também nenhuma manifestação popular, seja para propor uso mais consciente da água ou mesmo para fazer mutirões de reflorestamento nas áreas mais afetadas ( sob orientação e supervisão dos órgãos ambientais). Vejo também que são poucos os projetos que se preocupam em reutilizar água em novos lançamentos imobiliários ou mesmo em adaptações que permitam que construções mais antigas possam fazê-lo. Não vejo projetos que tenham por objetivo o plantio de árvores em regiões metropolitanas,já que os telhados verdes ainda são projetos caros e de difícil implantação para grandes superfícies como centros distribuidores, por exemplo. O que vejo é  que poucas pessoas mudaram seus hábitos, como por exemplo usar a água escoada de máquina de lavar roupas para limpar áreas externas,  diminuir a freqüência das lavagens do carro entre outras iniciativas. Deixo aqui sugestões para que partidos como o PV - Partido Verde faça ações mais concretas e se aproxime mais da população

É preciso mudar a mentalidade das pessoas e isto se faz através de campanhas educativas.  Não adianta nada ficar aguardando que apenas o governo tome uma atitude para que não volte a faltar água. Enfrentamos os efeitos das mudanças climáticas anunciadas há mais de dez anos e nada fizemos para mudar nossas atitudes ou para nos antecipar às dificuldades que elas trariam. Dito isto não isento o Governo, em todas suas esferas,  de planejar ações através da mensuração do consumo e das condições reais e ideais de fornecimento de água através da captação em rios e poços artesianos, premiando quem gasta menos e penalizando o desperdício. Não podemos colocar todas as fichas no Aquifero Guarani, que já apresenta sinais de degradação pela perfuração indiscriminada de poços e por contaminação do lençol freático .

Os Estados Unidos enfrentam nevascas fortes e antecipadas, depois de um verão de altas temperaturas. Já há receio de que algumas construções não possam suportar o peso da neve e alguns telhados já caíram. A quantidade de neve que caiu em uma semana corresponde ao esperado para quase um ano. A cidade de Buffalo, no estado de Nova York é a mais atingida. Há previsão para o aumento das temperaturas e para chuvas, o que pode indicar também perigo de inundações causadas pelo degelo. Na semana passada, em uma entrevista concedida durante o G-20, o presidente dos EUA Barack Obama prometeu uma doação de U$ 3 bilhões de dólares o Fundo Verde para Clima da ONU criado para auxiliar países em desenvolvimento a lidar com os efeitos das mudanças climáticas. Também na última semana, Estados Unidos e China chegaram a um acordo para diminuir a emissão de carbono na atmosfera. Para quem se lembra da poluição do ar em Pequim durante as Olimpíadas e das tempestades de areia que o país enfrenta, o acordo chega com atraso. Sabendo que as duas nações são as que mais poluem e que tem sofrido os efeitos na pele dos fenômenos climáticos, faz sentido que finalmente eles se comprometam a diminuir as emissões de poluentes.

Utilizar os recursos naturais com parcimônia e bom senso é uma questão de sobrevivência. Somos todos responsáveis, em menor ou maior grau pelas mudanças climáticas, conscientemente ou não. As notícias sobre o aumento do desmatamento na Amazônia são ainda mais preocupantes, pois a além de ser o “pulmão do mundo”, a floresta também é responsável pelo equilíbrio das temperaturas e distribuição das chuvas. Realmente, precisamos de tanta madeira assim? Não há nenhum outro material que substitua em durabilidade e aparência a madeira?


É preciso agir enquanto há tempo e não apenas reagir ao que virá. Não podemos mais ignorar os efeitos das mudanças climáticas e continuar tendo o pensamento mágico que isto não acontecerá por aqui, que os efeitos estão longe. Eles batem a nossa porta! Repense seus hábitos, suas necessidades e cultive o consumo consciente. Ele fará bem para seu bolso e para a natureza

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Sobre Samuel Klein

Um dos comerciais mais bonitos produzidos no Brasil foi um das Casas Bahia em que Samuel Klein falava sobre sua vida. Polonês, judeu,  sobrevivente do horror nazista e de Auschiwitz,  perdeu a mãe e quatro irmãs em outro campo de concentração. Após a guerra, acreditando no sonho americano, ele queria ir para os Estados Unidos, mas acabou vindo para o Brasil, com U$ 6.000,00 e fixou residência em São Caetano.

Comprou uma carteira de clientes e passou a vender tecidos e roupas. Anos mais tarde, abriu sua primeira loja, a primeira de muitas “Casas Bahia” que tornaram-se extremamente populares por oferecer mercadorias com preços competitivos e crediário a pessoas pobres, que de outra forma não poderiam adquirir um bem. Hoje poderíamos dizer que foi o primeiro "case" de sucesso com a Classe C e D. Correu riscos imensos em uma época em que o Brasil passava pelos efeitos da inflação que acabou em hiperinflação. Foi em frente, oferecendo crediário e aceitando sua sorte, pois acreditava no homem simples, cujo único patrimônio é o nome. De pouco mais que um mascate,  ao longo da vida Klein construiu um imenso patrimônio, sendo considerado em 2013 pela Revista Forbes como o 78º homem mais rico do mundo. Sobrevivente da  Segunda Guerra Mundial, Samuel também era um homem dedicado à caridade, tendo feito grandes doações para a comunidade judaica e para outras instituições ao longo de sua vida.

Sua experiência empresarial foi amplamente copiada, algumas vezes com sucesso. Ficou famoso o refrão de uma das músicas dos Mamonas Assassinas, “Chopis Center” : “ A minha felicidade é ter crediário nas Casas Bahia”. Enquanto dono do grupo, acompanhou de perto o dia a dia da empresa e nunca foi bater às portas do Governo Federal pedindo linhas de crédito exclusivas ou pleiteando Bolsas-Empresário, que este governo que temos se tornou especialista em conceder a quem não precisa. Após a venda para o grupo Pão de Açúcar, passou a ser membro da diretoria e depois se arrependeu do negócio. A família ainda fez algumas tentativas para comprar novamente as Casas Bahia, mas não foi possível.

A vida de Samuel Klein é uma inspiração para todos os brasileiros que acreditam na dedicação, no empreendedorismo, no esforço individual e na vitória contra a pobreza pelo trabalho e com trabalho. Em um país em que muitos estão aguardam iniciativas do governo,  a trajetória de vida de Samuel provou que vencer depende antes de tudo do individuo. Com tantos motivos para desistir, persistiu sem se lamentar publicamente da sorte, da perda de parte da família condenada a horrores extremos pela intolerância e desumanidade de um regime, dos horrores que jovem ainda viveu. Seguiu em frente, sem desanimar fazendo sua hora e seu destino. Homem de vida simples, nunca foi tomado pela febre da ostentação que toma algumas pessoas que conseguem um relativo sucesso na vida e que é na verdade é uma mistura de falta de princípios com falta de educação.

Morto hoje aos 91 anos, sua vida é inspiração principalmente para os jovens. Se você for analisar cuidadosamente, há mais motivos para desistir do que para continuar, mas para os que continuam e vencem primeiramente seus medos, suas tragédias e desafiam o destino com trabalho e perseverança, é possível conquistar coisas inimagináveis, ir a lugares incríveis e ser uma fonte para os outros que também querem ir em frente. Polonês por nascimento, mas brasileiro por adoção. Hoje, sem dúvida,  enterramos um grande homem.