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Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Sobre Suzane e Elize

No melhor estilo tablóide, recebemos notícias de Suzanne Von Ritchthofen e de Elize Matsununga. Com matérias repletas de detalhes publicadas em quase todos jornais e revistas, a intimidade das duas foi aberta para conhecimento do público. Não sendo suficiente, o irmão de Suzane, celebridade por conta de uma fatalidade e não por anseio, foi contactado para expor sua opinião sobre a coversão e estado civil da irmã. Obviamente, ele recusou. Era um menino quando tudo aconteceu, que enfrentou situações e sentimentos que provavelmente o abalaram profundamente e mesmo assim, refez sua vida longe dos holofotes. Qualquer opinião ou sentimento que ele tenha, pertencem a ele e somente ele sabe exatamente a profundidade e as marcas deixadas por tudo o que passou. Tudo o mais é apenas curiosidade mórbida e ninguém tem por obrigação satisfazer este desejo.

Com relação a Suzane, nada pode ser reparado. Os pais se foram, os irmãos estão presos, a família dos irmãos enfrenta as consequências dos atos, sua própria família a deixou e o futuro promissor da menina se foi. Ela é agora é uma mulher que há doze anos cumpre pena, que amadureceu no sistema prisional brasileiro, que é o braço do Estado para correção e recuperação do detento. O que ela tinha dentro de sí e o ambiente mudaram ainda mais a pessoa que ela foi um dia. Se há justiça possível para um caso como este, ela já foi aplicada. O resto é com ela, que tem que conviver diariamente com as conseqüências de seus atos.  Com relação à Elize, o julgamento não foi marcado, mas dificilmente sairá de lá a tempo de acompanhar o crescimento da filha e reparar as relações familiares. O estigma de seu ato a acompanhará por toda a vida e afetará quem quer que conviva com ela.

As duas cumprem suas penas em Tremembé. Podemos pedir punições rigorosas com todos agravantes que a lei permite, podemos nos horrorizar diante dos atos cometidos, mas o fato de serem presas não nos dá o direito total sobre a pessoa ou sobre a intimidade das duas. Elas não são nossa propriedade. O que acontece dentro de um presídio é de nosso interesse sim, quanto à situação, segurança, condições de higiene e programas aplicados para a futura reinserção, principalmente se após o cumprimento da pena de fato estarão  aptas a viver em sociedade como pessoas produtivas e sem apresentar riscos à sociedade. E é importante também saber se há condições de segurança para que este convívio possa ser restabelecido, principalmente no caso de Suzane.

Com relação à intimidade e a dinâmica dos relacionamentos desenvolvidos dentro de um presídio, penso que a divulgação é uma violação do direito delas. O nosso escárnio, nosso preconceito, e as sátiras produzidas em cima da série “Orange is the new black” as ajudará em que medida?  O que a filha de Elize fará com esta informação? As relações, a dinâmica dentro de um presídio  dizem  respeito a elas e a mais ninguém. Não podemos confundir o cumprimento da lei e das penas com vexação contínua. Se um necessariamente complementa o outro, porque a hipocrisia em não adotar a pena de morte? Porque a morte moral é  tão dolorosa e definitiva quanto à física.

Se uma de nossas maiores preocupações é a reinserção do preso na sociedade e no mercado de trabalho, matérias deste tipo ajudam em quê? Certamente, aumentam o preconceito e diminuem as oportunidades pessoais e profissionais. E que ninguém confunda o respeito à intimidade com chancela dos atos ou defesa por penas menores.  O que me incomoda é saber se isto tudo era realmente necessário ou não.

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