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Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Um louco problema


As doenças mentais são estigmatizadas no mundo inteiro e no Brasil, além da omissão da sociedade que é chamada ocasionalmente ao debate pelo apelo de uma ou outra novela, há um pensamento reinante na classe médica contrário à internação.  Se por um lado os leigos encaram o portador de doenças mentais como um indivíduo inútil e altamente perigoso, os que são encarregados de tratar o problema, na esfera médica e penal acham que cabe à família e apenas a ela tratar o doente. Ainda paira a imagem do manicômio no inconsciente de todos, onde os pacientes ficavam nus, sujos e abandonados pela família, embora o tratamento que alguns recebem em casa, muitos por falta de recursos materiais e humanos, não seja muito diferente deste quadro.

Há graus e doenças diferentes, portanto deveria haver centros diferenciados, por exemplo para tratamento da depressão em fase aguda, com risco de suicídio. Há os casos dos esquizofrênicos , que dependendo do grau e de alguns períodos de exacerbação da doença, de fato precisam de internação. O dramaturgo Ferreira Goulart, que é pai de um paciente portador da doença já disse em entrevistas que aquele que diz que o esquizofrênico não precisa de internação ama seu filho mais do que ele. Quando me refiro a um centro de internação para estes pacientes não tenho em mente pátios e quartos que na verdade são depósitos de pessoas. Penso em um centro com profissionais especializados, atendimento humanizado e que ofereça além da medicação necessária para conter o surto, outras abordagens como  terapia ocupacional e comportamental. Exemplos tem no mundo inteiro para serem estudados e adaptados.

E há os casos dos portadores de doença mental de alta periculosidade, que ou são julgados como pessoas capazes e vão cumprir pena em cadeias comuns, pondo sua vida e a de outros detentos em risco ou vão para estabelecimentos próprios e alguns voltam para a família. O resultado desta política é que mesmo quando identificada por profissionais a incapacidade da pessoa em controlar seus atos, ou seja, matarão novamente, são colocados na rua e voltam a cometer assassinatos como o maníaco que agiu no entorno de Brasília ou são mortos, como o caso do Bandido da Luz Vermelha. Um outro caso emblemático, que obviamente carece de maiores esclarecimentos, foi a detenção hoje de Cadú, assassino confesso do cartunista Glauco e de seu filho por suspeita de latrocínio ( roubo seguido de morte). Este rapaz foi preso após tiroteio com policiais na fronteira com o Paraguai, expondo sua vida e ferindo um policial. Surpreendentemente, após passar um período em uma Casa de Custódia no Paraná, ao chegar em Goiás foi declarado incapaz e posto em liberdade, já que o o Governo de Goiás é contra a internação. Caso fique comprovado que ele de fato participou de mais um crime, o que será feito? Mais uma vida perdida em vão?
Há pessoas que são irrecuperáveis, tanto as “normais” como as portadoras de doença mental, menores de idade e cidadãos em pleno exercício de seus direitos. Embora com o péssimo sistema carcerário que temos, a Justiça no Brasil construiu suas bases penais apostando na recuperação do indivíduo. O Estado pouco faz para que isso ocorra, mas acredita-se que, depois de cumprir pena com todo tipo de gente e algumas vezes em condições subumanas, que o indivíduo sairá de lá apto a ser um cidadão exemplar. Para toda regra, há uma exceção e é preciso encarar também esta realidade. Ninguém quer criar depósitos de loucos, mas a internação psiquiátrica é uma realidade. Dolorosa para a família, para o paciente, mas muitas vezes necessária e um mal menor.

Um comentário:

  1. ARTIGO PUBLICADO EM SETEMBRO/2014.
    Infelizmente, se cumpriu e o Cadú foi assassinado na penitenciária hoje.. A solução de problemas não passa apenas pela análise de situações passadas. É preciso vislumbrar o futuro. Errou o MP e errou a Justiça. O doente mental quando mata tem que ser internado em Casa de Custódia. A liberdade deste rapaz custou a vida de duas pessoas. A prisão dele em penitenciária custou a vida dele.

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