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Graduada em Processamento de Dados
Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Pobre, mas limpinha!


Os assalariados como eu, nos meses regulares, têm uma corrida com três obstáculos : as contas do início, do meio e do fim do mês. Hoje saltei o terceiro obstáculo e realmente me senti uma vencedora, afinal as contas estavam em dia. Inclusive uma que estava em atraso e que eu liguei toda eufórica para confirmar o pagamento. Em algum momento entre o pagamento e o telefonema , enquanto ensaiava mentalmente meu discurso de agradecimento – “Gostaria de agradecer  primeiramente aos meus pais por terem feito de mim alguém adimplente...” – pensei seriamente no motivo de minha alegria, uma vez que após o recebimento do bem que aquela pessoa me vendeu, a minha única obrigação era pagar. Pagamento é obrigação, é o que se espera, é o normal. O atraso é a exceção.

E é isso mesmo, comemorei a pontualidade de meus pagamentos, cantando interiormente aquela música do Ivan Lins que é assim:
 “Desanimar jamais. Já aprendemos muito neste tempo, afinal de contas não tem cabimento, entregar o jogo, no primeiro tempo.”

Mas é que este esquema tático que vivemos, o  5-2-5 que é trabalhar cinco meses para pagar impostos, dois meses para consumir e cinco para se pagar o que consumiu, nos leva a ter sentimentos como estes. E nessa roda vida de valores, quando se cumpre aquilo que é obrigação, a gente se sente vencedor. E nessa loucura que está nossa economia, é um privilégio poder arcar com suas despesas sem engrossar a fila de inadimplentes que chega a 55 milhões de brasileiros. Será que teremos a mesma conversa sobre empregos?

Não consigo me lembrar exatamente quando as coisas ficaram assim e me pergunto se a vida não é mais do que isto e obviamente a resposta é sim. Só sei que, tirando minhas preocupações normais, consigo por a cabeça no travesseiro e dormir tranqüila, feliz mesmo em saber que pago minhas contas com aquilo que recebo, que meu pagamento não sai da boca ou da necessidade de ninguém, que meu emprego é meu e o mantenho por minha capacidade e desempenho . Não o obtive por conhecer alguém, por indicação ou nomeação de outrem, às custas de esquemas nebulosos.  É por mérito próprio e por dedicação, porque não são poucos os  dias que dá vontade de falar que eu não sabia de nada, que eu não tinha conhecimento de que as coisas eram assim, de arrumar mil desculpas para justificar aquilo que é de minha competência e responsabilidade saber e fazer. Ao contrário de alguns, respondo por meus atos e por minhas omissões.

Enfim, assalariada, empregada, contando com o 13º salário e por enquanto, adimplente. Pobre, mas limpinha, como diz o ditado popular. 

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