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Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

TV por assinatura


O número de assinantes do serviço de TV paga cresceu fortemente no Brasil nos últimos anos, em parte pelo aumento do poder aquisitivo das classes C e D e em parte pela péssima programação da TV aberta. Há que se destacar também a entrada de outras empresas neste segmento e o barateamento da tecnologia. Se antes o serviço era fornecido exclusivamente por cabo e dependente das condições de infra-estrutura e implantação por área, o barateamento do serviço via satélite contribuiu fortemente para a difusão e cobertura. Hoje , se não houver um obstáculo físico que impeça a chegada do sinal, a cobertura do serviço atinge todo território nacional.

Número de assinantes                                         

Com o aumento na base de assinantes veio também os lucros gerados pelos anúncios, antes utilizado por poucas empresas que buscavam um nicho particular de clientes. O preço dos anúncios ainda é baixo se comparado aos praticados pelas emissoras de TV aberta. Além disso, o número de canais disponíveis aumentou consideravelmente. Canais como o Discovery se dividiram e apresentam programação segmentada, assim temos um canal dedicado à investigações, outro com a programação voltada para mulheres , outro para amantes de carros e assim vai. Sendo assim, este é um dos únicos setores da economia que não tem problemas de receita. Cresce fortemente e não é uma tendência passageira, é uma realidade que veio para ficar, apesar de suas vulnerabilidades. Em tempos de famílias endividadas e inflação crescente, acaba por ser um dos primeiros confortos que se abre mão.

Faturamento com publicidade                         
A programação porém, deixa a desejar.Embora os pacotes populares sejam um dos fatores que ajudaram o crescimento do setor, a maior parte dos assinantes opta por pacotes intermediários, cujo preço não ultrapassa os R$ 80,00. Os canais que compõem estes pacotes em sua maioria estão dublados, embora a transmissão digital e em HD permita o uso da tecla SAP. A dublagem, feita em massa, é péssima! Mesmo com o aviso de SAP disponível, em muitos filmes e programas não há legendas e o brasileiro está acostumado com legendas e áudio original. Além disso, as expressões próprias do idioma original do programa são substituídas por gírias típicas do Rio de Janeiro. Para um país que na Copa teve como ponto negativo a dificuldade de comunicação em inglês, o excesso de dublagem passa a ser um ponto negativo, perde-se a oportunidade de familiarização com um novo idioma e de aprendizado. Certamente a dublagem foi adotada para tornar o produto acessível aos novos consumidores, mas sendo a legenda mais barata e havendo tecnologia para disponibilizar os dois serviços, para que irritar os demais clientes desta forma? E aqui não cabe reclamação por aumento de custos, já que as receitas crescem dia a dia.

Outro ponto negativo são as reprises constantes. Com a obrigação de apresentar conteúdo nacional, as reprises de filmes brasileiros irritam. Você corre o risco de assistir um filme em um canal e no dia seguinte o mesmo filme em outro canal e por ai vai, veja por exemplo o caso de “Saneamento Básico”. E o mesmo acontece em outros canais que exibem filmes. Vou citar aqui alguns exemplos de filmes que são reprisados a exaustão:  “ A procura da felicidade”, “ Exterminador do Futuro 1 a 4”, “Velozes e Furiosos – 1 a 6 “, “Penetras bons de bico” entre outros. Não se engane achando que isto não acontece com os pacotes que incluem o Telecine e HBO!Nos EUA e na Europa há a exibição de programas de meio de temporada, justamente para evitar tantos reprises. Aqui, ainda assistimos Friends!

Além disso, será que precisamos de tantos programas sobre tatuagem, carros e alguns de gosto duvidoso como o “Pelados e largados”? Será que não é redundante o número de programas sobre relíquias e compras de armazéns? E os documentários? O canal Nat Geo, que tem um acervo maravilhoso tem exibido programas de fazer inveja a turma dos noticiários policiais da TV aberta. Onde fica a diferença? Será que com a exibição de conteúdos dublados na TV paga, que também são exibidos na TV aberta e a importação de padrões desta para aquela o negócio não corre risco de    tornar obsoleto?
A opção por popularizar a programação é uma forma de aumentar a penetração em segmentos antes considerados inacessíveis, mas é uma estrada de duas mãos. Se é possível agregar ao mesmo produto características que o tornam interessantes públicos diferentes, a opção por um só em detrimento de outros é uma estratégia burra ainda mais nesta época de incertezas econômicas. Por se tratar de prestação de serviços com pagamentos continuados e que por sua natureza acabam tendo uma percepção abstrata para quem consome, acabam por ser o primeiro alvo no corte de despesas em favor do consumo de bens.

Para manter-se indispensável é preciso que haja também a preocupação em diferenciar pela qualidade, em inovar em ser também instrumento de difusão de cultura, conhecimento e entretenimento para despertar a necessidade em ter e manter o serviço. Há que se lembrar que é um serviço pago por particulares, que querem e merecem algo mais. Há que se lembrar também que embora tenha se tornado fácil ter o serviço, nunca foi tão fácil cancelar. 

Faturamento do Setor                                        

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