Quem sou eu

Minha foto

Graduada em Processamento de Dados
Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Passeata do MTST


Iniciado nos anos 80, o Movimento dos Trabalhadores sem Terra a princípio contou com minha simpatia, pois o que eu enxergava era uma possibilidade de justiça social. Com o passar dos anos, sucessivas invasões e tudo aquilo que todos acompanhamos, eu considero que hoje não é um movimento legítimo.  Tento entender o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto e sigo perdida.

O que me confunde é que a princípio, todo programa habitacional tem que ter um cadastro e as unidades residenciais são distribuídas seguindo a ordem de inscrição. Para se inscrever, é preciso comprovar uma série de pré-requisitos, entre eles a renda e se a pessoa já possui ou não imóvel. O que me deixa perdida neste movimento é a invasão de áreas que ainda não foram destinadas a projetos habitacionais e a ordem de distribuição das unidades, que aparentemente se dará no grito. Se eu estou cadastrada, mas não invadi, a ordem de inscrição será mantida? Todos os que invadiram atendem a todos os requisitos para receberem uma unidade habitacional?

Hoje confesso que fiquei ainda mais perdida. Horário de pico ônibus, trabalhadores indo para o trabalho e o Movimento bloqueia avenidas como a Bandeirantes e a Juscelino Kubitschek para protestar contra a qualidade dos serviços prestados pelas operadoras de telefonia móvel. Simples assim!  Na hora em que li as reportagens, surgiram três perguntas:

- Faz parte das atribuições do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto protestar por serviços de telefonia móvel?

- Se eu quero protestar pela qualidade de serviços da telefonia móvel eu devo me dirigir às operadoras ou à Anatel. As primeiras são responsáveis pelo serviço, a segunda regulamenta o setor, recebe reclamações e tem competência para proibir vendas e aplicar multas.

- Por que eu preciso bloquear avenidas em horário de pico de movimentação de trabalhadores? Por que eu preciso deixar a vida destas pessoas ainda mais difícil? O meu direito de ter um telefone celular é maior que a obrigação destas pessoas que tem responsabilidades, horários a cumprir para  trabalhar, ganhar seu sustento, em uma economia que apresenta crescimento no nível de desemprego?

Eu concordo que os serviços de telefonia e internet em geral precisam melhorar. É uma questão de infra-estrutura principalmente.Concordo também que o valor de tarifas, sobretudo dos telefones fixos e dos serviços de banda larga são altas. Se há alguns locais onde você não consegue sinal de celular, tem regiões inteiras que não tem acesso a banda larga. Acho que estes serviços poderiam melhorar, mas não faz muito tempo, telefone era investimento, onde você comprava a linha, tinha ações da empresa e alugava, como um imóvel. Mas também acho que há muitas opções hoje no mercado na área de telefonia móvel e cada uma oferece várias promoções de acordo com seu perfil. Com o advento de aparelhos de até quatro chips, você pode usufruir de vários benefícios simultaneamente, ou seja, você não está preso a nenhuma operadora.

Diante disso, por mais que eu tente, fica difícil entender este Movimento. Embora saibamos que há um grande déficit habitacional em São Paulo, há vários projetos que podem ser implantados para diminuir este problema, que passam longe de invasões e passeatas. Como eu já disse em um post anterior, viver em democracia é conviver com diferenças, é respeitá-las e aprender com a diversidade. Mas para isto, é preciso ter seriedade nas manifestações e nas solicitações para não banalizar o direito de protesto. A causa de hoje não é merecedora de uma mobilização tão grande que prejudicou a princípio os trabalhadores. As solicitações poderiam e deveriam ter sido feitas diretamente aos órgãos responsáveis. E em minha opinião, você tem que ter legitimidade para isso, porque você corre o risco de ter o movimento desacreditado e passar por oportunista. Uma vez perdida a credibilidade ...

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe aqui seu comentário: