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Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Padrão SUS de qualidade


Moro em uma cidade que tem 435.000 habitantes, localizada no interior de São Paulo que é conhecida pela  qualidade dos serviços médicos prestados, contando inclusive com uma Faculdade de Medicina pública, que ainda não foi encampada por nenhuma das grandes universidades do Estado. Por incrível que pareça, contamos também com médicos cubanos, que atendem em postos de saúde. Recentemente os números do Programa Mais Médicos aqui na região foram inflados na estatística apresentada pelo Ministério da Saúde.

Temos três hospitais que atendem ao SUS. O primeiro deles, que é o Hospital de Base, atende também municípios vizinhos que continuam investindo na velha política que é mais fácil e barato terceirizar o atendimento em saúde do que contar com recursos próprios. É mais barato comprar ambulâncias e ônibus para o transporte destes doentes do que atendê-los em sua própria cidade. O segundo hospital é a Santa Casa de Misericórdia, que como todas as santas casas, passou por uma crise terrível há alguns anos atrás. O terceiro hospital é o IELAR, que é uma instituição beneficente, construído por uma Associação que mantém além do Hospital outras obras de caridade. Este hospital recebe recursos do SUS através da Prefeitura Municipal, que se orgulha de pagar pelo serviço prestado pontualmente R$ 1,1 milhão mensais. O hospital gasta mensalmente R$ 1,8 milhões, ou seja, há um déficit de R$ 700.000,00 mensais.

Há duas semanas atrás, sem dinheiro para pagar os funcionários e sem medicamentos, o hospital suspendeu todos atendimentos, depois de problemas com a Prefeitura. O que se viu foram pacientes sendo atendidos nos corredores,nas  salas de espera e recepção do Hospital de Base e da Santa Casa, que não tem condição de atender a demanda da cidade. A Prefeitura queria que o hospital reconhecesse uma dívida e prestasse contas mais detalhadas. A dívida foi reconhecida e parcelada em 100 vezes mas restam as dívidas com a Receita Federal. Trocou-se a Diretoria, o hospital voltou a atender e o problema continua o mesmo. Com o déficit mensal, é impossível continuar atendendo, já que não é possível pagar médicos e funcionários. Hoje foi anunciado que o hospital pode fechar.

Medicina custa caro e o fator principal não é o médico, problema que o Governo Federal procurou contornar pagando R$ 900,00 mensais aos médicos cubanos. Os hospitais gastam com funcionários, equipamentos, suprimentos, manutenção, alimentação, roupas, energia elétrica, água e uma infinidade de coisas. Mesmo na Saúde Suplementar, ou seja, através de convênios médicos e seguro saúde, custo é a palavra chave. Aliás o crescimento deste setor nos últimos 10 anos é impressionante ( o temor do SUS é o maior incentivo ) e para oferecer tudo o que a lei determina, os aumentos médios praticados pelas operadoras é sempre bem maior que o índice da inflação do período. Em um ambiente assim, como esperar que um prestador de serviço possa sobreviver e oferecer serviços de qualidade sendo que mensalmente ele deve quase metade do que recebe? Se há uma solução que envolva Prefeitura e Instituição, para que ela seja considerada beneficente e usufrua os benefícios fiscais e de repasse de verbas, não seria obrigação da Prefeitura orientar e ajudar nesta classificação, tendo em vista o atendimento à população? Além disso tudo, o prédio do hospital precisa passar por reformas, atendendo a laudos da Vigilância Sanitária.

Que o valor repassado pelo SUS para atendimento de procedimentos de baixa e média complexidade é muito baixo, todos sabem. Que o atendimento exclusivo para o SUS pode inviabilizar financeiramente um hospital, todo mundo também sabe. O que fazer então? Quem vai atender estas pessoas, se já está comprovado que os dois outros hospitais não conseguem atender a demanda? Estas pessoas, que trabalham, pagam impostos tem que pagar com a vida em uma hora de necessidade?

Fazer discurso falando que o SUS é maravilhoso, sabendo que neste Brasil imenso tem coisas muito piores é desumano. Fazer propaganda em cima disso, é cruel. Cobrar mais impostos para a saúde chega a ser provocação diante da carga tributária nababesca que pagamos. O que se quer é uma solução e rápida, lembrando que são vidas que estão em jogo e que o cidadão tem direito a saúde, ao atendimento humanizado e ao respeito a sua dignidade pessoal.

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