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Graduada em Processamento de Dados
Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

domingo, 13 de julho de 2014

As discussões sobre a seleção

Toda vez que perdemos uma Copa, inicia-se o debate, ocasionado pelas críticas da imprensa sobre o futuro da seleção  e sobre os erros cometidos Mais treinos para melhorar o entrosamento, escolha de um treinador que comandará a seleção do início ao fim, renovação na CBF, profissionalismo no futebol,etc.Como eu me lembro com mais nitidez da Copa de 1978, são 36 anos que ouço o mesmo discurso. Quem já se esqueceu da seleção comandada por Falcão e que acabou caindo por falta de resultados?

O problema maior é que, mudando a forma de trabalho, é preciso ter resultados imediatos. Brasileiro não consegue lidar com "longo prazo"; acredita-se que  no futebol somos tão bons, mas tão bons mesmo  que o nosso pior é o melhor dos outros. Ao primeiro resultado negativo ou não tão positivo assim, lá vem a turma do palpite e lembre-se, cada um tem um, para questionar o resultado, o projeto e tudo mais. "Como não goleamos a seleção da Tscumênia naquele amistoso por 20x 0?". "Tem que honrar a camisa". "Terra do Rei Pelé", "Geração de 70", " Os únicos penta-campões". E dá-lhe pressão por técnico,por jogador e por esquema tático.

Acho que a melhor coisa que aconteceu no futebol este ano  foi a derrota no jogo contra a Alemanha, que disputa a final graças a um projeto de longo prazo, que envolveu objetivo, formação, renovação e marketing. Com toda simpatia dos jogadores e comissão técnica alemães, que fizeram muito bem sua lição de casa, todos eles são categóricos quando afirmam que vieram aqui para ganhar a Copa. Deram não só um show dentro, como fora de campo também. Que a CBF, pródiga em escândalos, tem muito o que aprender, não resta dúvidas, mas também os brasileiros e a imprensa esportiva não ficam atrás. 

Os alemães mostraram respeito por seus adversários, se entrosaram com a população local, deixaram um legado físico que vai além da Copa, que é a construção de uma escola, de um campo de treinamento. Respeitaram a cultura local e procuraram aprender com ela, ao ponto de um deles publicar em posts que é "noveleiro" e usar a hashtag "Sabe de nada, inocente". Tem um repórter alemão, o Ralf, que fala muito bem português e faz boas matérias até para a mídia nacional. Enquanto isto, a nossa imprensa, quer futebol arte com uma seleção de jovens, que embora joguem em grandes times, não estavam preparados para tudo o que enfentaram e demonstraram claramente que a coisa estava pesando,com um choro que começava no hino e explodia no final da partida. Faltou experiência e sangue-frio aos jogadores, que agora são criticados impiedosamente. 

"Palpite" no dicionário significa: dar uma dica, chutar, intuição, opinião, sugestão de intrometido. É uma forma de interferir no trabalho de alguém sem se comprometer. Se der certo, glórias são avocadas; se der errado, foi um "só" um palpite. Tem inclusive gente na imprensa esportiva que gosta de polemizar, de dar uma opinião sem sentido e ficar batendo na tecla. O time do coração? Aquele um que existiu um dia.O duro é que todo mundo gosta de palpitar, até dentro de outras organizações, mas na hora de assumir, de chamar para si a responsabilidade pelo erro; ai você não acha ninguém. Esta Copa foi pródiga nesta área. Alguns comentaristas estavam tão a vontade que até utilizaram seu veículo de comunicação para expressar opiniões sobre política e fazer acusações a outros colegas de imprensa. Na hora de enfrentar as manifestações públicas, ai passaram a ser "perseguidos". 

Que o futebol como esporte e como atividade econômica precisa se profissionalizar do topo até a base, não há dúvidas. Que os jogadores estão expostos à tabelas de jogos que atendem interesses diversos e não levam em conta o bem estar deles, é mais do que claro. Que eles estão expostos a negociatas e que muitos não tem seus direitos respeitados, isto é público e notório. Mas é preciso também que esta onda de renovação chegue a imprensa esportiva, que também fatura alto.Que haja mais profissionalismo e que se entenda que um trabalho de renovação, como o que terá quer ser feito no Brasil não é tarefa para os próximos quatro anos. Pode ser que dure mais. Precisamos mudar, mas precisamos antes de tudo saber por que estamos mudando e para onde vamos.

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