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Graduada em Processamento de Dados
Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

domingo, 6 de julho de 2014

A Copa e as mortes na China

A China é um dos países que enfrentou várias mudanças radicais  ao longo do século XX e XXI. Quase província da Grã-Bretanha no início do século XX, reflexo do Neo-colonialismo, em 1911 caiu o último imperador da Dinastia Manchu e nasceu a República. Depois disso, o país enfrentou os japoneses na Segunda Guerra Mundial e a partir de 1949, sob a liderança de Mao-Tse Tung, tem início a Revolução Cultural e a implantação do Comunismo.

País de dimensões continentais, superpoluso, onde podemos encontrar comunidades  cristãs, mulçumanas e budistas, as diretrizes e a mão de ferro do Partido Comunista, que tinham como objetivo a transformação de uma sociedade essencialmente agrária para uma potência industrial, suprimiu as liberdades pessoais em favor da coletividade. Se por um lado os objetivos foram conquistados, à custas de graves conseqüências ao meio-ambiente, gerando inclusive a “Grande fome” de 1958 a 1961 e a política atroz de controle de natalidade, suprimiu também a figura do indivíduo e cerceou seu crescimento com as dores e angustias que fazem parte do processo de amadurecimento e estabelecimento de limites.

Grande potência econômica atual, que constrói cidades fantasmas para manter o ritmo de crescimento, mas que ao mesmo tempo tem um grande déficit habitacional, a China enfrenta também um rápido processo de ocidentalização e mudanças de padrões culturais, que confrontados com sua cultura e resquícios de isolamento, gera comportamentos compulsivos. Foi assim com a internet e os jogos com múltiplos jogadores, onde foi preciso tratar o vício dos jogadores e usuários em “clínicas”, com métodos questionáveis do ponto de vista humanitário e médico.

Agora a Febre da Copa do Mundo, que atingiu inclusive americanos e registrou índices de audiência similares aos de grandes jogos da NBA, tem suas peculiaridades na China. Como os jogos são transmitidos durante a noite, algumas pessoas chegam a ficar quatro dias sem dormir, acompanhando todas as partidas. A desidratação, esgotamento e as comidas gordurosas típicas do Ocidente ingeridas nestas “noitadas” regadas a cerveja, tem aumentado o número de atendimentos médicos por problemas cardiovasculares e conseqüentemente o número de infartos. Outro lado nefasto da Febre são as apostas. Os suicídios se repetem pela impossibilidade de pagar os débitos contraídos, inclusive já foi registrado um caso de simulação de seqüestro.

Alguns especialistas falam que o chinês normalmente não trata problemas como ansiedade e depressão e que, em eventos que acabam contagiando massas, estes problemas acabam por vir a tona com força total. Dizem também que é preciso criar na China a cultura da saúde mental, com campanhas de esclarecimento e encaminhamento.

Mais um desafio para a China que com certeza o enfrentará de uma forma muito peculiar, ou pela imposição de conduta ou pelo controle do Estado nas apostas como eles fizeram com a Internet e as Redes Sociais. Não interessa à China o fortalecimento da figura do individuo, com visão própria, limites e opiniões. Afinal o indivíduo questiona, busca condições melhores de vida e conforto e pensa. Como vimos nas manifestações ocorridas na Praça da Paz Celestial em 1989  e a forma como foram sufocadas, um ideal é tão ou mais perigoso que um inimigo e deve ser massacrado.

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