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Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

terça-feira, 22 de julho de 2014

Quando fui milionária


Acessando minhas redes sociais me deparei com uma postagem de meu primo, falando justamente sobre isto. Fui milionária duas vezes, pelo que me lembro. Na época, o Brasil vivia o processo da hiperinflação e o cruzado ou cruzeiro, valia muito pouco,  assim, o que hoje era cem, amanhã seria mil e depois, um milhão.

Para proteger seu dinheiro, havia uma aplicação que se chamava overnight. Antes do plano Collor, ela garantia rendimentos de 100% durante o período. Meu primeiro salário foi aplicado em um fundo que me garantiu 50% de rendimentos após 30 dias! E sagrado depósito na caderneta de poupança. Uma vez fiz um saque desastrado que quase me custou o casamento! Compras a crédito, impossível, tudo à vista ou com cheque pré-datado. Para compras com cartão de crédito, que poucas empresas aceitavam, geralmente tinha uma cobrança adicional. Nas compras de supermercado, era aconselhável fazer um estoque. Em tempos em que não existia internet, feliz era quem conhecia um mórmon para ter dicas de conservação de alimentos, já que esta prática é aconselhada pela religião deles!

Quanto ao fato de ser milionária, não significava nada na prática, era simplesmente a correção do valor perdido para inflação. Éramos milionários para ter uma vida do que hoje pode ser considerado Classe C ou D. Na verdade, quando a coisa chegava na casa dos milhões, complicava na hora de fazer as contas. Como o uso de computadores não era comum nas residências na época, pois o país estava saindo da Lei de Reserva de Mercado, o excesso de zeros era um problemão para as calculadoras. Assim, com plano ou sem plano, cortava-se os zeros e começava tudo de novo.

Quando Fernando Collor foi eleito, todo mundo sabia que haveria bloqueio das contas de poupança e do overnight. Embora a Ministra Zélia negasse, o confisco estava no ar. Nessa época nossas economias já tinham sido gastas em uma reforma em nossa casa, que só foi comprada graças a negociações que duraram uma semana e ao proprietário que segurou o preço do imóvel durante 15 dias. Mas acabamos tendo que pagar o “empréstimo compulsório” nos combustíveis. Quando falamos em empréstimo, imaginamos que receberemos de volta, mas não foi o que aconteceu neste caso! Meus pais guardaram por anos um calhamaço de notinhas de postos de combustíveis com esta esperança.

Veio então o Plano Real. Um real valia um dólar e as medidas foram implementadas gradativamente. Ainda me lembro de soldados nas portas das agências do Banco do Brasil antes da implantação da moeda. Teve explosão de consumo, teve gente que pagou ágio para comprar um Corsa ( carro zero era investimento), mas o dinheiro começou a valer alguma coisa e aos poucos, as coisas foram chegando no lugar. Depois disso, teve a crise com a Moratória da Rússia, em 1998, onde a Tailândia, para conter a desvalorização de sua moeda, esgotou suas reservas. No Brasil sentimos os efeitos, mas com a adoção do câmbio flutuante o perigo maior foi contornado.

Não sou milionária, mas não tenho saudades do tempo em que fui e fico aliviada quando vejo meus filhos fazendo planos de longo prazo. Hoje, minha maior preocupação é com a inflação, porque se tenho um aumento de 8%, sei que na prática meu aumento real foi de no máximo 1,48%. Fico preocupada em as Leis de Conteúdo Nacional, porque elas acabam por sangrar o Tesouro desnecessariamente. Fico preocupada com a falta de orçamento e como tamanho da máquina administrativa do governo. Fico preocupada com as empresas distribuidoras de energia que viram sua receita diminuir e agora buscam empréstimos para se manter. Fico aterrorizada com a interferência do governo na economia, afastando investidores, com a falta de recursos e bom senso na gestão da saúde, que repassa valores irrisórios a hospitais, que para sobreviver, diminuem o número de leitos e os atendimentos do SUS. Fico envergonhada com a corrupção que assola nosso país e revoltada quando vejo a qualidade das obras entregues, especialmente quando um viaduto cai e mata pessoas antes mesmo de ser inaugurado. Fico enojada quando vejo a evolução do patrimônio de pessoas que se alimentam da miséria alheia, através desta máquina de desvio e de esquemas que se instalou no centro do poder. Não era este o país que imaginávamos quando começamos a ter esperanças de um futuro melhor.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Comportamento bizarro

Um membro do Conselho de Segurança Americana foi demitido porque mantinha uma conta secreta no Twitter, onde publicava ofensas a políticos e figuras públicas americanas, inclusive do Partido Democrata. Um piloto tranca o copiloto para fora da cabine e segundo alguns membros atribuíram a atitude a um desentendimento ainda em terra. Assessores do governador de New Jersey ordenaram o bloqueio de uma ponte para se vingar de um prefeito que não apoiava o projeto de reeleição. Um cineasta, após ganhar um Oscar, passa a utilizar a estatueta para fazer gestos obscenos nas festas após a premiação.

Notícias como estas, há alguns anos atrás eram publicadas em tablóides ou em jornais sensacionalistas, perto das matérias sobre alguém que jurava ter visto Elvis Presley ou ter sido abduzido por óvnis. Tão fantásticas e tão absurdas, mas envolvendo cargos onde não se permite este tipo de comportamento, estas histórias serviriam para roteiros de filmes. E nenhum dos protagonistas é um garotão recém-formado em uma universidade, são pessoas que possuem experiência e no caso do piloto; vidas dependem dele.

Falta de coerência e de hombridade antes de mais nada: se uma atitude não pode ser exercida pelo ocupante do cargo, há que se escolher entre a atitude e o cargo, ambos excluem-se mutuamente.  Se é mais importante manter um perfil no Twitter onde você externar sua opinião sobre as pessoas livremente, então peça demissão de seu cargo no Conselho de Segurança. Se há um desentendimento entre pilotos que não conseguem dividir o mesmo espaço e a cabine é um espaço muito pequeno, vá ao departamento competente e peça para viajar com outro copiloto ou sofra as conseqüências de uma reunião bem constrangedora. Tudo em terra, e de preferência, enterre o assunto depois. Agora, não vá discutir a relação a 10.000 pés de altura, com centenas de vidas dependendo de seu desempenho profissional. Se uma premiação, qualquer que seja, é uma extensão de sua genitália, não se inscreva para nenhuma  e não aceite indicações. Não é legal, não é engraçado e ninguém quer saber! Para alguns, aquilo vale muito!

Com relação aos assessores do Governador de New Jersey, com esta atitude eles conseguiram mostrar sua falta de hombridade e de entendimento que a ponte é via pública, não é espaço particular para picuinhas. Conseguiram também criar uma dúvida no eleitor, que até então tinha em sua mente a postura digna do governador por ocasião do Furacão Sandy.
Geralmente há uma lista de requisitos para uma pessoa ocupar um cargo e a pessoa que quer ocupar este lugar tem que aceitar os requisitos e não moldar o cargo às suas necessidades e conveniências. Se você não consegue se comprometer com as exigências, viva sua vida como quiser, o mundo é grande! Mas não se preste ou protagonize cenas bizarras, que acabam por exibir suas fraquezas. O futuro é construído por ações e o nosso presente está cheio de pessoas pequenas, que praticam ações muitas vezes baixas. De que lado você está e como quer ser visto e lembrado?

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Fantasmas


Tendo por finalidade aumentar a segurança, as câmeras de vídeo são uma presença constante em nossa vida. Às vezes, elas gravam imagens que são difíceis de decifrar em uma primeira análise, então surgem as explicações paranormais, que são estão na internet em vários sites. Outro fato que contribui bastante para a difusão destas imagens são as máquinas fotográficas digitais : com preço mais acessível e dispensando a necessidade de revelação, são práticas e permitem o compartilhamento de imagens em redes sociais.

Com relação aos fantasmas, sua existência depende da crença ou do grau de informação da pessoa. Uma conhecida minha alegava que determinado terreno era assombrado porque algumas chamas surgiam misteriosamente. Neste terreno havia várias árvores frutíferas, como abacateiros e mangueiras. O que acontecia ali era o famoso fogo fátuo ou a combustão do metano das frutas em decomposição quando entrava em contato com o oxigênio do ar.

Verdade ou montagem, tem algumas imagens bem interessantes. Relaciono algumas bem curiosas:


1 1.     Fantasma de Henrique VIII em Hampton Court:

2. Poltergeist em Manchester:


3. Fila da morte de Sandakan - Bornéu :

4. Mulher de branco no Hotel Decebal - Romênia 

5º Fantasma no filme Joelma 23º Andar
Abraços!

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Ponto de Vista - Cilane Assad de Souza: Os senhores da guerra

Ponto de Vista - Cilane Assad de Souza: Os senhores da guerra: Os EUA não tem dúvidas de que o avião da Malasyan Airlines que caiu na fronteira entre Russia e Ucrânia foi abatido por um míssil. Rússia...

Os senhores da guerra

Os EUA não tem dúvidas de que o avião da Malaysian Airlines que caiu na fronteira entre Russia e Ucrânia foi abatido por um míssil. Rússia e Ucrânia trocam acusações, mas é quase certo que os separatistas ucranianos  tenham abatido o avião com armamentos cedidos pela Rússia. O fato é que 295 passageiros perderam a vida e entre eles estavam várias crianças, a maioria dos passageiros eram holandeses, como efeito colateral de um confronto que se arrasta há meses e que está longe de chegar ao fim.

A Rússia e os EUA são os principais exportadores de armas e a participação russa cresceu para 27%, em parte graças aos embargos americanos que proíbem que nações européias vendam armas para países que sofrem estas represálias. A Venezuela é um dos países que compram armamento da Rússia, além de países que faziam parte da União Soviética e de países africanos. Gana é um dos maiores compradores. Outro grande cliente de Moscou é a Síria, mas o governo russo garante que estas armas não são usadas contra civis. Já nos EUA, a industria bélica é alimentada pelos confrontos em que os EUA estão envolvidos, pelo consumo interno e de aliados.

A guerra acaba sendo um negócio lucrativo para muitos setores produtivos de muitos países. Uma campanha militar, como a do Iraque movimenta vários setores como alimentação, transporte, vestuário, calçados,medicamentos, alojamento, armas,munições, telecomunicações, informática e outros. Muito dos equipamentos e tecnologias que utilizamos em nosso dia a dia foram desenvolvidas para fins militares. Grandes empresas como a General Motors e a Mitsubish tem divisões para criação e fornecimento de equipamentos militares. Desde o início da Guerra do Vietnã discute-se o peso do lobby da industria bélica nas decisões governamentais dos EUA.

Estas armas, espalhadas pelo mundo, alimentam revoluções, genocídios e tragédias como a de hoje. Mesmo que os separatistas ucranianos tenham lançado o míssil que abateu este avião, há a mão invisível de Moscou. Ao mesmo tempo que lamentamos por estas vidas que foram perdidas, quantas pessoas morreram hoje no mundo vítimas de conflitos? Quem fornece os foguetes que o Hamas atira diariamente contra Israel? Que fornece armas aos talibãs, aos insurgentes no Iraque? Quem alimenta os massacres em várias repúblicas africanas? Como os traficantes do Rio e de facções criminosas adquirem armas tão potentes?

Comércio legalizado ou não, é o comércio da morte. Guerras acontecem por qualquer motivo,uma vez que os homens ainda são incapazes de entender o valor de uma vida. O problema maior não é como ela começa, mas quando e como terminará. Se ao menos fossemos capazes de aprender com nossos erros!

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Passeata do MTST


Iniciado nos anos 80, o Movimento dos Trabalhadores sem Terra a princípio contou com minha simpatia, pois o que eu enxergava era uma possibilidade de justiça social. Com o passar dos anos, sucessivas invasões e tudo aquilo que todos acompanhamos, eu considero que hoje não é um movimento legítimo.  Tento entender o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto e sigo perdida.

O que me confunde é que a princípio, todo programa habitacional tem que ter um cadastro e as unidades residenciais são distribuídas seguindo a ordem de inscrição. Para se inscrever, é preciso comprovar uma série de pré-requisitos, entre eles a renda e se a pessoa já possui ou não imóvel. O que me deixa perdida neste movimento é a invasão de áreas que ainda não foram destinadas a projetos habitacionais e a ordem de distribuição das unidades, que aparentemente se dará no grito. Se eu estou cadastrada, mas não invadi, a ordem de inscrição será mantida? Todos os que invadiram atendem a todos os requisitos para receberem uma unidade habitacional?

Hoje confesso que fiquei ainda mais perdida. Horário de pico ônibus, trabalhadores indo para o trabalho e o Movimento bloqueia avenidas como a Bandeirantes e a Juscelino Kubitschek para protestar contra a qualidade dos serviços prestados pelas operadoras de telefonia móvel. Simples assim!  Na hora em que li as reportagens, surgiram três perguntas:

- Faz parte das atribuições do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto protestar por serviços de telefonia móvel?

- Se eu quero protestar pela qualidade de serviços da telefonia móvel eu devo me dirigir às operadoras ou à Anatel. As primeiras são responsáveis pelo serviço, a segunda regulamenta o setor, recebe reclamações e tem competência para proibir vendas e aplicar multas.

- Por que eu preciso bloquear avenidas em horário de pico de movimentação de trabalhadores? Por que eu preciso deixar a vida destas pessoas ainda mais difícil? O meu direito de ter um telefone celular é maior que a obrigação destas pessoas que tem responsabilidades, horários a cumprir para  trabalhar, ganhar seu sustento, em uma economia que apresenta crescimento no nível de desemprego?

Eu concordo que os serviços de telefonia e internet em geral precisam melhorar. É uma questão de infra-estrutura principalmente.Concordo também que o valor de tarifas, sobretudo dos telefones fixos e dos serviços de banda larga são altas. Se há alguns locais onde você não consegue sinal de celular, tem regiões inteiras que não tem acesso a banda larga. Acho que estes serviços poderiam melhorar, mas não faz muito tempo, telefone era investimento, onde você comprava a linha, tinha ações da empresa e alugava, como um imóvel. Mas também acho que há muitas opções hoje no mercado na área de telefonia móvel e cada uma oferece várias promoções de acordo com seu perfil. Com o advento de aparelhos de até quatro chips, você pode usufruir de vários benefícios simultaneamente, ou seja, você não está preso a nenhuma operadora.

Diante disso, por mais que eu tente, fica difícil entender este Movimento. Embora saibamos que há um grande déficit habitacional em São Paulo, há vários projetos que podem ser implantados para diminuir este problema, que passam longe de invasões e passeatas. Como eu já disse em um post anterior, viver em democracia é conviver com diferenças, é respeitá-las e aprender com a diversidade. Mas para isto, é preciso ter seriedade nas manifestações e nas solicitações para não banalizar o direito de protesto. A causa de hoje não é merecedora de uma mobilização tão grande que prejudicou a princípio os trabalhadores. As solicitações poderiam e deveriam ter sido feitas diretamente aos órgãos responsáveis. E em minha opinião, você tem que ter legitimidade para isso, porque você corre o risco de ter o movimento desacreditado e passar por oportunista. Uma vez perdida a credibilidade ...

Padrão SUS de qualidade


Moro em uma cidade que tem 435.000 habitantes, localizada no interior de São Paulo que é conhecida pela  qualidade dos serviços médicos prestados, contando inclusive com uma Faculdade de Medicina pública, que ainda não foi encampada por nenhuma das grandes universidades do Estado. Por incrível que pareça, contamos também com médicos cubanos, que atendem em postos de saúde. Recentemente os números do Programa Mais Médicos aqui na região foram inflados na estatística apresentada pelo Ministério da Saúde.

Temos três hospitais que atendem ao SUS. O primeiro deles, que é o Hospital de Base, atende também municípios vizinhos que continuam investindo na velha política que é mais fácil e barato terceirizar o atendimento em saúde do que contar com recursos próprios. É mais barato comprar ambulâncias e ônibus para o transporte destes doentes do que atendê-los em sua própria cidade. O segundo hospital é a Santa Casa de Misericórdia, que como todas as santas casas, passou por uma crise terrível há alguns anos atrás. O terceiro hospital é o IELAR, que é uma instituição beneficente, construído por uma Associação que mantém além do Hospital outras obras de caridade. Este hospital recebe recursos do SUS através da Prefeitura Municipal, que se orgulha de pagar pelo serviço prestado pontualmente R$ 1,1 milhão mensais. O hospital gasta mensalmente R$ 1,8 milhões, ou seja, há um déficit de R$ 700.000,00 mensais.

Há duas semanas atrás, sem dinheiro para pagar os funcionários e sem medicamentos, o hospital suspendeu todos atendimentos, depois de problemas com a Prefeitura. O que se viu foram pacientes sendo atendidos nos corredores,nas  salas de espera e recepção do Hospital de Base e da Santa Casa, que não tem condição de atender a demanda da cidade. A Prefeitura queria que o hospital reconhecesse uma dívida e prestasse contas mais detalhadas. A dívida foi reconhecida e parcelada em 100 vezes mas restam as dívidas com a Receita Federal. Trocou-se a Diretoria, o hospital voltou a atender e o problema continua o mesmo. Com o déficit mensal, é impossível continuar atendendo, já que não é possível pagar médicos e funcionários. Hoje foi anunciado que o hospital pode fechar.

Medicina custa caro e o fator principal não é o médico, problema que o Governo Federal procurou contornar pagando R$ 900,00 mensais aos médicos cubanos. Os hospitais gastam com funcionários, equipamentos, suprimentos, manutenção, alimentação, roupas, energia elétrica, água e uma infinidade de coisas. Mesmo na Saúde Suplementar, ou seja, através de convênios médicos e seguro saúde, custo é a palavra chave. Aliás o crescimento deste setor nos últimos 10 anos é impressionante ( o temor do SUS é o maior incentivo ) e para oferecer tudo o que a lei determina, os aumentos médios praticados pelas operadoras é sempre bem maior que o índice da inflação do período. Em um ambiente assim, como esperar que um prestador de serviço possa sobreviver e oferecer serviços de qualidade sendo que mensalmente ele deve quase metade do que recebe? Se há uma solução que envolva Prefeitura e Instituição, para que ela seja considerada beneficente e usufrua os benefícios fiscais e de repasse de verbas, não seria obrigação da Prefeitura orientar e ajudar nesta classificação, tendo em vista o atendimento à população? Além disso tudo, o prédio do hospital precisa passar por reformas, atendendo a laudos da Vigilância Sanitária.

Que o valor repassado pelo SUS para atendimento de procedimentos de baixa e média complexidade é muito baixo, todos sabem. Que o atendimento exclusivo para o SUS pode inviabilizar financeiramente um hospital, todo mundo também sabe. O que fazer então? Quem vai atender estas pessoas, se já está comprovado que os dois outros hospitais não conseguem atender a demanda? Estas pessoas, que trabalham, pagam impostos tem que pagar com a vida em uma hora de necessidade?

Fazer discurso falando que o SUS é maravilhoso, sabendo que neste Brasil imenso tem coisas muito piores é desumano. Fazer propaganda em cima disso, é cruel. Cobrar mais impostos para a saúde chega a ser provocação diante da carga tributária nababesca que pagamos. O que se quer é uma solução e rápida, lembrando que são vidas que estão em jogo e que o cidadão tem direito a saúde, ao atendimento humanizado e ao respeito a sua dignidade pessoal.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Os presos e os ativistas políticos do Brasil

Quando me perguntam sobre os presos e ativistas políticos brasileiros ainda fico confusa. Como para mim a Turma da Papuda foi condenada por vários crimes comuns, esqueço que para alguns ( na maioria os próprios detentos) eles são considerados “presos políticos”. Quanto aos “ativistas”, tenho que me esforçar muito para relacionar os atos praticados sempre pelos mesmos elementos, como por exemplo quebrar bancos  e concessionárias de carros importados, como “ativismo”. Fico me perguntando o que a Mercedes-Benz , a Lamborghini ou a BMW fizeram  contra o Brasil para serem alvos freqüentes desta turma. Se os bancos estão cada vez mais ricos, a culpa é deste governo que ai está, que mantém com estes grupos um canal de diálogo, segundo as próprias declarações de Gilberto Carvalho durante a Copa.
Ativismo é lutar por uma causa, não é tirar do povo o direito de protestar, de ir às ruas, de denunciar, como eles fizeram covardemente por trás de suas máscaras. Ativismo não significa incendiar ônibus, depredar estações de metrô e trens,  uma vez que este não é o meio de transporte da “elite dominante”e nem dos corruptos.

Com relação às prisões que ocorreram em São Paulo e especialmente no Rio de Janeiro, houve uma extensa investigação e todas elas foram feitas durante o dia, fundamentadas em provas e na lei e com mandados expedidos por juízes competentes. Caí por terra o argumento da ilegalidade das prisões. Com os presos foi encontrado um revólver, munição e bombas caseiras, entre elas uma capaz de ferir por estilhaços. No caso da arma, o pai de uma das presas que diz pertencer ao grupo MEPR - Movimento Estudantil Popular Revolucionário (Revolução contra quem e para quem?) alegou ser o dono . Diante de tudo o que foi apreendido e das investigações em curso, de saber do que são capazes, que o diga a família do cinegrafista Santiago Ilídio de Andrade, eles não estavam planejando um protesto com cartazes no dia de encerramento da Copa, perto do Maracanã, né?


Acho muito questionável a posição da OAB nestes casos, bem como a nota que foi emitida por ocasião do confronto entre o advogado de José Genuíno e o Ministro Joaquim Barbosa no STF. Tem horas que o melhor é esperar para ver o quadro completo. Além disso, todos tem advogados, a família de todos sabem onde estão presos e inclusive já entraram com pedido de habeas-corpus. Importante lembrar também que vivemos em um país democrático, com divisão dos poderes e independência do Judiciário, ou seja, a lei é igual para todos, com os ônus e bônus. E com relação à a tão propalada “ação de intimidação” e diante da virulência da manifestação de ontem na Tijuca, qual é o direito que prevalece: o direito constitucional de ir e vir ou o deles, de intimidar e amedrontar a população?  

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Os caras mais legais do mundo

Ontem foi o Dia Mundial do Rock. Para quem acompanhou a maratona, o canal Bis ofereceu  um presentaço: “Charlie is my Darling”, documentário de 1965 que acompanha a banda em uma turnê pela Irlanda. Embora a preocupação maior deles fosse entrar e sair de teatros e correr das fãs, tem muita música boa e a interpretação deles era ótima.

É uma coisa incrível para quem gosta muito dos Stones ver algumas entrevistas e a maneira como eles interagiam com o público e entre eles. Uma das melhores partes é ver o nascimento de uma composição deles, com Keith ao violão a todo vapor e um Mick entediado, com uma visão bem própria da canção fazendo as letras. Muito do que aconteceu depois com eles você pode perceber que estava ali a semente, como em uma parte que Keith Richards pergunta a Mick se ele pensa que ele é Deus.

Há garotas e garotos na platéia, há pessoas saindo feridas, há um padre assistindo e falando da qualidade musical deles, há o Mick Jagger garotão com uma visão muito realista de seu papel; que é o de simplesmente entreter e a constatação que ele no palco era um personagem. Para a época, a afirmação que ele faz que há um toque sexual na relação da platéia com eles é extremamente ousada. E há musicas, as que gostamos de ouvir até hoje como “Time is on my side” e o hino de uma geração, “Satisfaction”.

Em uma entrevista concedida há muitos anos atrás, Mick Jagger considerou que ele e Keith Richards eram os caras mais legais do mundo.  Embora hoje sejam mais parceiros nos negócios que amigos, eles ainda são excelentes no que fazem. Juntos, eles revolucionaram o mundo, criaram grandes músicas, viveram grandes dramas e namoraram todas as garotas. Os Rolling Stones estão há mais de 50 anos na estrada e não tem que provar mais nada para ninguém, mas cada vez que assistimos a um documentário da carreira deles, como “Exile on Main Street”,  ou contextualiza uma música com a época, você se renova e quer mais.

domingo, 13 de julho de 2014

As discussões sobre a seleção

Toda vez que perdemos uma Copa, inicia-se o debate, ocasionado pelas críticas da imprensa sobre o futuro da seleção  e sobre os erros cometidos Mais treinos para melhorar o entrosamento, escolha de um treinador que comandará a seleção do início ao fim, renovação na CBF, profissionalismo no futebol,etc.Como eu me lembro com mais nitidez da Copa de 1978, são 36 anos que ouço o mesmo discurso. Quem já se esqueceu da seleção comandada por Falcão e que acabou caindo por falta de resultados?

O problema maior é que, mudando a forma de trabalho, é preciso ter resultados imediatos. Brasileiro não consegue lidar com "longo prazo"; acredita-se que  no futebol somos tão bons, mas tão bons mesmo  que o nosso pior é o melhor dos outros. Ao primeiro resultado negativo ou não tão positivo assim, lá vem a turma do palpite e lembre-se, cada um tem um, para questionar o resultado, o projeto e tudo mais. "Como não goleamos a seleção da Tscumênia naquele amistoso por 20x 0?". "Tem que honrar a camisa". "Terra do Rei Pelé", "Geração de 70", " Os únicos penta-campões". E dá-lhe pressão por técnico,por jogador e por esquema tático.

Acho que a melhor coisa que aconteceu no futebol este ano  foi a derrota no jogo contra a Alemanha, que disputa a final graças a um projeto de longo prazo, que envolveu objetivo, formação, renovação e marketing. Com toda simpatia dos jogadores e comissão técnica alemães, que fizeram muito bem sua lição de casa, todos eles são categóricos quando afirmam que vieram aqui para ganhar a Copa. Deram não só um show dentro, como fora de campo também. Que a CBF, pródiga em escândalos, tem muito o que aprender, não resta dúvidas, mas também os brasileiros e a imprensa esportiva não ficam atrás. 

Os alemães mostraram respeito por seus adversários, se entrosaram com a população local, deixaram um legado físico que vai além da Copa, que é a construção de uma escola, de um campo de treinamento. Respeitaram a cultura local e procuraram aprender com ela, ao ponto de um deles publicar em posts que é "noveleiro" e usar a hashtag "Sabe de nada, inocente". Tem um repórter alemão, o Ralf, que fala muito bem português e faz boas matérias até para a mídia nacional. Enquanto isto, a nossa imprensa, quer futebol arte com uma seleção de jovens, que embora joguem em grandes times, não estavam preparados para tudo o que enfentaram e demonstraram claramente que a coisa estava pesando,com um choro que começava no hino e explodia no final da partida. Faltou experiência e sangue-frio aos jogadores, que agora são criticados impiedosamente. 

"Palpite" no dicionário significa: dar uma dica, chutar, intuição, opinião, sugestão de intrometido. É uma forma de interferir no trabalho de alguém sem se comprometer. Se der certo, glórias são avocadas; se der errado, foi um "só" um palpite. Tem inclusive gente na imprensa esportiva que gosta de polemizar, de dar uma opinião sem sentido e ficar batendo na tecla. O time do coração? Aquele um que existiu um dia.O duro é que todo mundo gosta de palpitar, até dentro de outras organizações, mas na hora de assumir, de chamar para si a responsabilidade pelo erro; ai você não acha ninguém. Esta Copa foi pródiga nesta área. Alguns comentaristas estavam tão a vontade que até utilizaram seu veículo de comunicação para expressar opiniões sobre política e fazer acusações a outros colegas de imprensa. Na hora de enfrentar as manifestações públicas, ai passaram a ser "perseguidos". 

Que o futebol como esporte e como atividade econômica precisa se profissionalizar do topo até a base, não há dúvidas. Que os jogadores estão expostos à tabelas de jogos que atendem interesses diversos e não levam em conta o bem estar deles, é mais do que claro. Que eles estão expostos a negociatas e que muitos não tem seus direitos respeitados, isto é público e notório. Mas é preciso também que esta onda de renovação chegue a imprensa esportiva, que também fatura alto.Que haja mais profissionalismo e que se entenda que um trabalho de renovação, como o que terá quer ser feito no Brasil não é tarefa para os próximos quatro anos. Pode ser que dure mais. Precisamos mudar, mas precisamos antes de tudo saber por que estamos mudando e para onde vamos.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

O Arrebatamento

De tempos em tempos alguma passagem bíblica entra em discussão, às vezes em decorrência de um desastre natural ou não, às vezes por algum filme.  Agora discute-se o Arrebatamento em duas séries de TV. Uma, como uma das explicações para o fenômeno que acontece em uma pequena cidade do sul dos EUA, mas que no livro que deu origem a série acontece no mundo, que é Ressurection e outra que estreou na HBO, The Leftovers ( Deixados para trás), que baseia-se em mais de um livro, sendo o principal “The Leftoves” de Tom Perrota, e foi escrita por Damon Lindolf , que também foi criador de Lost, ao lado de J.J.Abrahms.

O Arrebatamento aparece no Velho Testamento, com a subida de Elias ao Paraíso. No Novo Testamento, Paulo descreve que Jesus voltará e os mortos ressuscitarão e subirão ao Céu. Depois disso, os vivos que crêem em Deus serão chamados e subirão ao Céu sem passar pela morte. Os demais serão deixados para trás, para o que está previsto no Apocalipse.Há visões diferentes sobre o momento do Arrebatamento: se será antes, durante ou depois do período de Tribulação, que Daniel previu. A única certeza que temos é que Jesus prometeu voltar após o cumprimento das profecias de Daniel e que haverá então a separação dos justos dos injustos, que seria o Julgamento Final.

A série The Leftovers tem inicio depois que 2% da população mundial desaparece e ninguém consegue explicar o que aconteceu e então há questionamentos se o que ocorreu foi o Arrebatamento. Um dos personagens não acredita nesta explicação, pois ele sendo um pastor e tendo fé, não seria deixado para trás e passa a expor os pecados dos que foram levados como prova de seu ponto de vista. Já a série Ressurection trata da ressurreição dos mortos, que voltam sem motivo aparente e enfrentam as dificuldades do tempo, da família e do medo do que é desconhecido.

Estas “ondas bíblicas” são interessantes porque trazem a tona explicações baseadas em fatos, que atenuam ou mesmo acabam por desencorajar versões populares e até mesmo o surgimento de seitas. Então, prepare-se para ouvir falar bastante sobre este acontecimento em diversos meios de comunicação.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Tempo de mudanças


Faltam quatro meses para as Eleições, onde escolheremos em uma tacada Presidente, Senador, Deputado Federal e Estadual. É também uma oportunidade única de renovação, onde poderemos afastar do Congresso e das Assembléias Legislativas todas as figurinhas carimbadas que usam o mandato político como apoio e moeda de troca e que estão comprometidas com atividades que não podemos considerar “republicanas”.

Hoje deveria haver  votações da Lei de Diretrizes Orçamentárias no Congresso. Pela lei, a votação deveria terminar até 17/07, para que sejam apresentadas as emendas dos congressistas. Sem quorum, a votação foi adiada. Lemnbrando que a LDO é imprescindível para formulação do Orçamento Federal. Não há quorum há duas semanas na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, conforme publicações do Senador Álvaro Dias, que acaba sendo uma exceção neste mar, para votar a quebra de sigilo bancário e fiscal dos acusados de desvios na Petrobrás. A Comissão tem prazo e mais uma vez, a exemplo do que aconteceu em 2009, perde-se a oportunidade de investigar os estranhos negócios de uma empresa, que era extremamente lucrativa e agora é uma das mais endividadas do mundo. Se em 2009 o Senado tivesse feito seu dever, as coisas hoje estariam bem diferentes. Vamos concordar  que falta de quorum é falta de parlamentar ao trabalho, pelo qual ele é muitíssimo bem pago. Se você se comportar desta forma em seu trabalho, o que acontece? No mínimo, rua.

Além disso, em parte pela Copa, em parte pela situação econômica do país, a inflação em Junho já estourou o teto da meta, com o IPCA a 6,52%. Não há ninguém que você converse que esteja bem, ganhando dinheiro e cheio de esperanças. Vemos lojas fechando, comerciantes e prestadores de serviço se queixando que a inadimplência está alta, pequenos empresários preocupados e preços nunca antes imaginados nos supermercados. Por outro lado, os juros estão altíssimos para quem usa o cheque especial ou precisa contratar um empréstimo para investir ou para ganhar fôlego em sua empresa.

Como não temos presidente e sim candidata em campanha há mais de um ano, as coisas vão sendo empurradas com a barriga. De vez em quando a gente lê algumas notícias que dão a impressão que há um abismo gigantesco entre governo e população.Por exemplo, o esforço do Governo para levar empresas farmacêuticas para Cuba, que já ganhou um porto financiado por nós, negociação de empréstimo para construção de hidroelétrica na Venezuela quando o racionamento não está totalmente descartado no Brasil e as distribuidoras estão negociando empréstimos para pagar seus débitos, causados em grande parte pelo uso das termoelétricas, importação de banana do Equador (alguém sabe se o Equador está honrando sua dívida com o BNDS?) e por ai vai.

Vamos aproveitar a oportunidade e renovar com coragem e seriedade. Este é um momento delicado na história do Brasil e não se trata de luta de classes, trata-se de banir os que se aproveitam e exploram o povo, através de altos impostos e se apropriaram da máquina administrativa, utilizando seus recursos para o enriquecimento próprio e do partido e que aplicam o butim para construir um sonho, favorecendo políticas e governos que beiram o fascismo, apoiados em uma ideologia que nasceu nos anos sessenta e que foi morta pela realidade nos anos oitenta. O mais importante é que o sonho não é partilhado pela população, que tem em seus representantes pouquíssimas pessoas de bom senso que estão percebendo que por decreto este mesmo governo os está transformando em peças obsoletas.

Brasil x Alemanha: Os posts mais legais



Como todos  fiquei triste ontem com a derrota do Brasil pela Alemanha. Uma das coisas mais bacanas das redes sociais é a possibilidade de partilhar sentimentos e ver como as pessoas estão encarando os acontecimentos. Grata surpresa, acabei refletindo bastante mas também me diverti muito.

Hoje vou mostrar os posts mais legais que meus amigos virtuais deixaram  e este post é uma homenagem a estas pessoas, pela forma única que cada um reagiu e se expressou.

1º - “Estou trancado em meu quarto, pois tenho um cachorro pastor-alemão. Acho que se eu sair no quintal ele vai rir de mim”.

2º “Linda a homenagem que a seleção fez para o Neymar: Se ele não joga, ninguém joga” – Perfil do Felix

3º “Fui no banheiro rapidinho e quando voltei já estava 5x0” – Perfil do Félix

4º “ Fred. Onde ele vive? O que faz? Para que serve? Hoje, no Globo Repórter”.

5º “Sobre o jogo: Não sei se é replay ou se é outro gol!” Perfil do Felix

6º “ Assistindo ao jogo na casa de M. e de L. Alemanha 2 x0 .Meu carro ficou na casa de minha sogra, há 3 minutos.Ao voltar, 5x0. Pergunta: Se eu for um pouco mais longe, quando eu voltar estará 10x0?”

7º “ Será que os alemães aceitam Bolsa-Família?” – Foto com a Dilma

8º “ Nem a fábrica da Volkswagen faz 5 Gols em 30 minutos.”

9º Lula para Dilma:  “ Companheira, agora sua reeleição foi para o ralo”.

10º “ Eis que o futebol se nivelou à saúde, educação e segurança.”

Uma de minhas amigas postou um poema que o Carlos Drumond de Andrade fez,quando o Brasil foi derrotado pela Argentina, na Copa de 1978, chamado “Foi-se Copa? 24/06/1978” . Vale a pena ler. A todos, mais uma vez meus agradecimentos por terem ajudado a diminuir minha decepção.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Brasil x Alemanha


Triste porque perdemos, compreensível porque a Alemanha foi extremamente regular desde sua primeira partida. Melhor equipe, teve melhor visão, jogou com suas melhores características e também em cima do erro do adversário, aproveitou o momento e definiu a partida. Vamos ver quem vai enfrentar na final,mas fez a melhor campanha. Veio para vencer.

O placar poderia ter sido menos “elástico”, mas é uma geração de jogadores jovens, que tem potencial. Se o jogo acabou, a vida e a Copa continuam. Espero que desta vez não encontrem um “Barbosa”, que se sentiu humilhado e cumprindo pena até o final da vida. Viveu com simplicidade, com um olhar culpado e humilde, sempre se explicando, atitude que só é possível em um país com tantas inversões de valores como o nosso, onde a gente vê nos jornais gente graúda, que fez sua fortuna tirando dinheiro dos miseráveis, em colunas sociais ou em festas nababescas.

Espero também que até o final da Copa paire este clima de otimismo, com cidades limpas e bem policiadas. Gostaria que pelo menos estes dois últimos aspectos fossem mantidos por mais 335 dias de todos os anos. A segurança e a limpeza dependem do poder público, mas a população poderia ter mais empenho na parte que lhe cabe,não precisa jogar todo o lixo que consome na rua.

Enfim, espero que façamos uma festa bonita de encerramento, que as pessoas de despeçam do Brasil com vontade de voltar. E que voltem e tragam mais pessoas e que possamos ser mais profissionais ao recebê-los, para que a industria do turismo cresça, gere empregos e renda.

Sábado é a disputa pelo terceiro lugar. Vou torcer para que eles consigam, pois vencer significa ter a terceira melhor seleção do mundo, o que não é pouco. Que eles tenham garra e tranqüilidade, para que possam fazer o seu melhor. Aos jogadores, ao técnico Luís Felipe Scolari,  meus agradecimentos. Em todas as partidas que vocês jogaram, o Brasil ficou mais leve, esperançoso e alegre!Aos criadores dos "Simpsons": Parabéns pelo palpite!

domingo, 6 de julho de 2014

A Copa e as mortes na China

A China é um dos países que enfrentou várias mudanças radicais  ao longo do século XX e XXI. Quase província da Grã-Bretanha no início do século XX, reflexo do Neo-colonialismo, em 1911 caiu o último imperador da Dinastia Manchu e nasceu a República. Depois disso, o país enfrentou os japoneses na Segunda Guerra Mundial e a partir de 1949, sob a liderança de Mao-Tse Tung, tem início a Revolução Cultural e a implantação do Comunismo.

País de dimensões continentais, superpoluso, onde podemos encontrar comunidades  cristãs, mulçumanas e budistas, as diretrizes e a mão de ferro do Partido Comunista, que tinham como objetivo a transformação de uma sociedade essencialmente agrária para uma potência industrial, suprimiu as liberdades pessoais em favor da coletividade. Se por um lado os objetivos foram conquistados, à custas de graves conseqüências ao meio-ambiente, gerando inclusive a “Grande fome” de 1958 a 1961 e a política atroz de controle de natalidade, suprimiu também a figura do indivíduo e cerceou seu crescimento com as dores e angustias que fazem parte do processo de amadurecimento e estabelecimento de limites.

Grande potência econômica atual, que constrói cidades fantasmas para manter o ritmo de crescimento, mas que ao mesmo tempo tem um grande déficit habitacional, a China enfrenta também um rápido processo de ocidentalização e mudanças de padrões culturais, que confrontados com sua cultura e resquícios de isolamento, gera comportamentos compulsivos. Foi assim com a internet e os jogos com múltiplos jogadores, onde foi preciso tratar o vício dos jogadores e usuários em “clínicas”, com métodos questionáveis do ponto de vista humanitário e médico.

Agora a Febre da Copa do Mundo, que atingiu inclusive americanos e registrou índices de audiência similares aos de grandes jogos da NBA, tem suas peculiaridades na China. Como os jogos são transmitidos durante a noite, algumas pessoas chegam a ficar quatro dias sem dormir, acompanhando todas as partidas. A desidratação, esgotamento e as comidas gordurosas típicas do Ocidente ingeridas nestas “noitadas” regadas a cerveja, tem aumentado o número de atendimentos médicos por problemas cardiovasculares e conseqüentemente o número de infartos. Outro lado nefasto da Febre são as apostas. Os suicídios se repetem pela impossibilidade de pagar os débitos contraídos, inclusive já foi registrado um caso de simulação de seqüestro.

Alguns especialistas falam que o chinês normalmente não trata problemas como ansiedade e depressão e que, em eventos que acabam contagiando massas, estes problemas acabam por vir a tona com força total. Dizem também que é preciso criar na China a cultura da saúde mental, com campanhas de esclarecimento e encaminhamento.

Mais um desafio para a China que com certeza o enfrentará de uma forma muito peculiar, ou pela imposição de conduta ou pelo controle do Estado nas apostas como eles fizeram com a Internet e as Redes Sociais. Não interessa à China o fortalecimento da figura do individuo, com visão própria, limites e opiniões. Afinal o indivíduo questiona, busca condições melhores de vida e conforto e pensa. Como vimos nas manifestações ocorridas na Praça da Paz Celestial em 1989  e a forma como foram sufocadas, um ideal é tão ou mais perigoso que um inimigo e deve ser massacrado.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Qual é sua motivação?

Há algum tempo atrás, meu filho escreveu um artigo que eu gosto muito sobre o que é motivação, que eu achei espetacular. Neste mundo um tanto quanto louco em que vivemos, às vezes é difícil seguir em frente, em saber “o que te tira da cama”.
Para quem está meio perdido, dou aqui algumas sugestões de vídeo que circulam na internet:

1.    Vídeo de apoio dos mineiros chilenos à seleção:

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2. Encontre sua grandeza - Nike


3. Chegue lá - Ayrton Senna


4. Work before glory - Michael Jordan



5. Discurso de Steve Jobs em Stanford



quinta-feira, 3 de julho de 2014

Tempo de Copa

Para os estrangeiros que vieram assistir aos jogos e para nós, os brasileiros, o ”namoro” está chegando ao fim. Superando até o pessimismo do brasileiro, que enfrentou greves e protestos, que ficou sem condução no meio do dia de trabalho, que viu através dos noticiários que muitos estádios ainda não estavam prontos, acabou sendo um alívio e um imenso prazer assistir as sucessivas invasões dos torcedores.

Ainda faltam algumas rodadas para a Copa terminar, mas vimos coisas incríveis todos os dias. Crianças que sabiam de cor o nome dos jogadores japoneses, a alegria dos holandeses e seu acampamento; a torcida do Japão que deu uma grande lição de cidadania; torcedores dormindo em um canto da rodoviária do Rio de Janeiro e deixando tudo em ordem quando saiam; a empolgação da torcida americana e a garra e dedicação do time, que despertou admiração por onde passou; os chilenos e sua tremenda torcida.  Eles fizeram uma caravana imensa para assistir ao jogo em Cuiabá e atravessaram o Brasil para estar perto de sua seleção.

Muito bacana também foi a integração entre brasileiros e estrangeiros. Não faltam relatos de pessoas que sem entender muito bem o que um estrangeiro precisava, o acompanhava até o mercado ou a um restaurante, o taxista que encontrou uma mochila cheia de ingressos e devolveu, as comparações entre cachaça e tequila, entre cerveja brasileira e alemã.
Boa parte dos turistas promete voltar para as Olimpíadas e isso é bom para o Brasil. É importante também que o turista conheça nossos produtos, nossa industria, nossa cultura. Podemos oferecer mais que chinelo de dedo como diz o comentarista George Vidor. É preciso fazer desta vez muito bem a lição de casa. O idioma foi a maior barreira e a população do Rio de Janeiro , sede das Olimpíadas e das grandes cidades precisam superar este entrave. E sobretudo, é preciso caprichar na segurança, que foi o maior medo dos turistas que para cá vieram.Fazer deste evento uma vitrine positiva e uma porta aberta permanentemente.

E importante também, como já disse em posts anteriores é acompanhar as obras e os orçamentos para que, meses antes do evento,não estejamos com as ruas cheias de pessoas protestando e quebrando concessionárias e bancos.A cidadania para ser exercida plenamente, pressupõe direitos e deveres. É nosso dever acompanhar como o dinheiro público é gasto. Depois que a oportunidade passa, qualquer reclamação perde legitimidade.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Lei dos Direitos Civis nos EUA


 A segregação racial nos estados do sul dos EUA foi cruel. Fruto da derrota sulista na Guerra de Secessão Americana, a intolerância contra negros e outras minorias era bem semelhante ao Apartheid, na África do Sul. Os afro-americanos não podiam entrar em locais que exibiam placas “Somente para pessoas brancas”, tinham que ceder seus lugares em ônibus para brancos e ainda tinham que enfrentar a famigerada Klu-Klux-Kan, que fazia seus “julgamentos”.

Porém, nos anos sessenta, surgiram as primeiras lideranças que lutavam pelos direitos civis da população afro-americana. Entre estes líderes estava o Pastor Martin Luther King Jr , que pregava a luta pacífica pela igualdade racial. Em Junho de 1963, um tribunal federal ordenou que a Universidade do Alabama aceitasse a matrícula de dois alunos negros e o Governador do estado, George Wallace foi até a porta da Universidade impedir a matrícula dos alunos. Foi preciso que o então presidente John F Kennedy federalizasse a Guarda Civil do Estado do Alabama para garantir a entrada dos estudantes. No mesmo dia, o Presidente Kennedy falou ao país, transformando a questão dos direitos civis dos afro-americanos em uma questão moral. Neste discurso ele lembra que os EUA foram constituídos por indivíduos de várias raças, sob o princípio que todos os homens são criados igualmente e que o direito de um diminui quando o de outro é ameaçado. Lembra que embora tenham sido libertados por Lincoln há um século, nem todos eram livres. Mesmo sabendo que poderia perder votos nos estados do sul, ele encaminhou ao Congresso no dia seguinte o pedido para elaboração da
Lei dos Direitos Civis.Em agosto 28/08/1963, houve a Marcha em Washington por Trabalho e Liberdade, que reuniu 250.000 pessoas. Neste dia, o Pastor Martin Luther King Jr fez seu famoso discurso “Eu tenho um sonho”, em frente ao monumento de Lincoln. A Lei dos Direitos Civis entretanto, só foi assinada no dia 02/07/1964 pelo então presidente Lyndon B.Johnson, após a morte de Kennedy.

Cinquenta anos separam estes acontecimentos. Hoje, legalmente não é possível negar ou cercear direitos, mas nem todos são tratados como iguais. A luta contra o preconceito é mais longa e árdua que a luta pelo reconhecimento de um direito,porque o primeiro nasce da negação do segundo. Porém é preciso encarar este desafio não só pelo medo da lei, mas pelo reconhecimento da igualdade e pela certeza que juntos podemos fazer um mundo mais justo, enriquecido pela diversidade e fortalecido pela fraternidade.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Quem quer dinheiro?

Quem não se lembra do Sílvio Santos fazendo esta pergunta para seu auditório enquanto lançava pequenos aviões de dinheiro?  Embora milhões de brasileiros tenham saído da pobreza, ninguém no Brasil pode se dar ao luxo de desperdiçar dinheiro, principalmente o Governo, mesmo batendo recordes de arrecadação de impostos todos os meses.

Quando a gente vê os doze estádios da Copa, que foram construídos ou reformados com aditivos em cima
de aditivos, boa parte deles entregues em cima da hora e incompletos, sendo ainda que  metade foi desnecessária, se levarmos  em conta que tivemos  quatro jogos por dia na fase de grupos .Não estamos incluindo aí o preço mais alto, que foram as vidas perdidas dos operários que trabalharam nas obras. Quando você para e pensa nas obras que cada cidade recebeu, como reforma e ampliação de aeroportos, abertura de avenidas e obras para facilitar a mobilidade, você percebe que não há bom senso, não há um estudo de viabilidade econômica e que não há respeito algum pelo contribuinte, que chega a pagar cerca de 30% de impostos nos alimentos!O pior é que muitos deles não têm como gerar receita sequer para a própria manutenção!

Se o objetivo era fazer destas cidades uma vitrine do Brasil, há várias maneiras de fazer isto gastando menos. Se o objetivo era que todos os brasileiros participassem da Copa, sinto muito, mas nem sempre tudo é possível. Se o objetivo era desenvolver estas regiões, deveriam ter tido a humildade de estudar ações de governos passados e propor projetos que de fato tragam desenvolvimento sustentável e de longo prazo às populações e isso não se faz em uma tacada só, querendo acertar doze bolas de uma vez.

A Copa realmente trouxe muitos turistas e muita visibilidade,mas o legado maior, que são as obras de infra-estrutura, de mobilidade, de modernização, poderiam ser melhores e mais profundas se tivessem se concentrado em menos regiões e se atendesse as reais necessidades de outras áreas, como hospitais, saneamento básico, tratamento de água e esgoto, postos de saúde entre outras.


Falta bom senso, humildade, capacidade administrativa e pessoas capacitadas em nosso Governo. Isto fica evidente com a forma como o dinheiro público é gasto. O Senador Álvaro Dias tem feito várias declarações e encaminhou também pedido ao Supremo Tribunal Federal para que o Senado possa ter acesso aos dados dos empréstimos que o BNDS tem feito a países como Cuba e Venezuela. De outro lado vemos que a Previdência está deficitária, vemos esta manobra junto a Petrobrás para pagamento de 15 bilhões de dólares ao governo pela exploração excedente do pré-sal, em um momento que a empresa está fragilizada e que teve como conseqüência imediata a desvalorização em 8% das ações , e teve como objetivo a geração de caixa para o Governo. Se sobra dinheiro para “emprestar” a estes países, então vamos começar a falar em diminuir os tributos, porque afinal de contas, todo mundo também quer e precisa de dinheiro, principalmente aqueles que pagam o equivalente a cinco meses de  trabalho em impostos!