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Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

domingo, 11 de maio de 2014

Nivelando Machado de Assis por baixo

O projeto de  reescrever o livro “O Alienista” de Machado de Assis, que a escritora Patrícia Secco apresentou ao Ministério da Cultura em 2009, foi uma das grandes polêmicas desta semana.
Machado de Assis, além primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, tem sua obra reconhecida internacionalmente, em grande parte graças  a uma coletânea publicada em vários idiomas, em 1975, pelo Ministério da Cultura. Alguns escritores comparam suas obras aos dos russos, como Leo Tolstoy  e Fyodor Dostoyevsky. Ele também tem admiradores de peso como José Saramago e até mesmo Woody Allen .
A primeira coisa que me chamou atenção foi que este projeto é de 2009, ou seja, durante 05 anos esse projeto esteve rodando e só está causando este alvoroço todo porque a imprensa levou ao conhecimento do público. A mesma imprensa que o governo quer tanto calar.
Depois vem a inevitável pergunta: por que Machado de Assis? Sua obra não constitui uma leitura árdua e ele não costuma se utilizar de adjetivos sofisticados. É uma obra acessível e extremamente atual. Não seria mais fácil introduzir o aluno ao universo de Machado e ao dicionário, para que ele possa enriquecer seu vocabulário? Nas entrevistas de emprego que tem redação e até mesmo no exame da OAB o que derruba o candidato  é o português, que está cada vez mais judiado, ainda mais em tempos de SMS.
Na minha opinião, temos que fazer por merecer Machado, temos que olhar para cima e não continuar nivelando por baixo. O politicamente correto às vezes faz isto. O português é um idioma lindo, rico, que façamos uso dele totalmente. O próprio Machado não teve acesso à educação universitária e foi criado em um morro no Rio de Janeiro e ele é um dos exemplos mais claros que o sucesso depende muito do esforço e do que cada um tem por objetivo na vida.
O objetivo de Patrícia Secco é fazer com que Machado seja mais acessível para os brasileiros. O caminho que ela escolheu é um retrato de como nossos governantes vêem o brasileiro: ignorante e incapaz de contornar qualquer dificuldade, se alguma aparecer, é mais fácil demolir  e aparentemente, incapaz de evoluir.

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