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Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Desejo a todos


São meus votos para 2015 para todos nós!
Amor para recomeçar
"Eu te desejo
Não parar tão cedo
Pois toda idade tem
Prazer e medo
E com os que erram
Feio e bastante
Que você consiga
Ser tolerante
Quando você ficar triste
Que seja por um dia
E não o ano inteiro
E que você descubra
Que rir é bom
Mas que rir de tudo
É desespero
Desejo
Que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda exista amor
Pra recomeçar
Pra recomeçar
Eu te desejo muitos amigos
Mas que em um
Você possa confiar
E que tenha até
Inimigos
Pra você não deixar
De duvidar
Quando você ficar triste
Que seja por um dia
E não o ano inteiro
E que você descubra
Que rir é bom
Mas que rir de tudo
É desespero
Desejo

Que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda exista amor
Pra recomeçar
Pra recomeçar
Eu desejo
Que você ganhe dinheiro
Pois é preciso
Viver também
E que você diga a ele
Pelo menos uma vez
Quem é mesmo
O dono de quem
Desejo
Que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda exista amor
Pra recomeçar
Eu desejo
Que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor
Pra recomeçar"
Frejat

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

A posse

Brasília se prepara para a posse de Dilma que ocorrerá nesta quinta-feira, 01/01/2015. O Cerimonial do Palácio do Planalto já fez os ensaios, 4.000 agentes garantirão a segurança. É esperada a participação de vários chefes de estado, sendo que o primeiro a ser cumprimentado será o presidente do Paraguai. Para que o evento não fique vazio, a militância do PT já organizou comitivas que participarão do evento e na parte da noite do já famoso “Bailão da Posse”.

Com o anúncio de parte de seu ministério, fica evidente o toma-lá-dá-cá dos partidos. Hoje foi divulgado um comunicado oficial do grupo “Atletas pelo Brasil” que manifesta seu desagrado e vergonha pela nomeação de George Hilton do PRB-MG para o Ministério dos Esportes. Hoje também foram anunciados mais 07 ministros, faltam ainda 15, já que serão mantidos 39 ministérios, o que é uma contradição em tempos de contenção de despesas e “administração da escassez”. Além disso, Mercadante conduziu hoje a reunião com as centrais sindicais, onde os cortes de benefícios e novas regras para o pagamento do seguro-desemprego e do abono salarial foram discutidas. Depois da bandalheira promovida pelo Ministério da Pesca com as licenças e pedidos de seguro-desemprego durante a campanha eleitoral, agora haverá regras para esta categoria. Quem sabe fazer o que é errado sabe exatamente onde consertar, até ai tudo bem. Agora, a pensão por morte que o cônjuge sobrevivente receberá passará a ser escalonada, ou seja de 100% passará para 50%, acrescidos de 10% por dependentes.  Não bastando a tragédia que a morte representa dentro de uma família, será necessário lidar com a queda de pelo menos 40% dos recursos financeiros, para quem tem um único filho. Dentro deste contexto, a manutenção dos 39 ministérios é imoral e desumana.  

Hoje resolvi me aprofundar na biografia de Dilma Rousseff. A negação de algumas passagens de sua vida e as contradições de nossa presidente estão presentes desde a tenra infância. Todos sabem que ela nasceu em uma família de classe média alta e que o pai, um imigrante búlgaro deixou um patrimônio considerável ao morrer. O que poucos sabem é que o pai de Dilma foi também um empreendedor. Sendo assim, ela deveria reconhecer mais do que ninguém a necessidade em se obter lucro em um negócio e não condená-lo ou expropriá-lo como ela fez à base da caneta no setor elétrico. Em vários momentos de sua vida ela comete os mesmos erros várias vezes. A insistência em manter Graça Foster, em reconhecer os erros de seu governo e de Lula, em repetir à exaustão as mentiras da campanha, inclusive internacionalmente, manter uma imagem integra mas viver cercada de pessoas questionáveis, fazer um dossiê dos gastos do cartão corporativo da ex-primeira dama Ruth Cardoso e gastar milhões com o seu, cujas faturas são “secretas”. Em minha busca encontrei um artigo escrito por Augusto Nunes em 01/01/2011 em que ele aborda que em Dilma há várias Dilmas. Engraçado é que o artigo é profético, pois ele cita seis exemplos do pragmatismo de Dilma. Em cinco desses exemplos está a gênese dos problemas que seu governo criou e que agora o país pagará caro para desatar o nó. E ele fecha o artigo com o seguinte tópico: UMA QUESTÃO MORAL- UMA CAMPANHA ERIGIDA SOBRE MENTIRAS. Quatro anos depois...

O que é certo é que em dois dias Dilma assumirá seu segundo mandato. As oportunidades que ela perdeu para governar pelo exemplo, dirimindo o mal-estar causado pelo “estelionato eleitoral” estão sendo desperdiçadas uma a uma, como a troca pontual da presidência da Petrobrás e a própria manutenção da estrutura ministerial. O único acerto, que foi a nomeação de Joaquim Levy que já tomou pé do tamanho do desastre econômico produzido nos últimos quatro anos, também parece ser certeza de curta permanência no cargo. As intromissões de Mercadante na transição já são notórias e é preciso lembrar que o atual Ministro da Casa Civil tem um histórico gigantesco de trapalhadas. Outra característica de Dilma é a centralização. Dificilmente Levy terá espaço para trabalhar e fazer o que é preciso. Além disso, na metade do caminho será preciso pavimentar o caminho para Lula, que voltará em 2018. Aparentemente, a ressaca da virada do ano nos atormentará por um longo período.

domingo, 28 de dezembro de 2014

Movimento Passe Livre

Depois de alguns dias de férias absolutas (sem internet, sem telefone, sem televisão, sem jornais), com direito a flanar muito ao lado da família estou de volta. Estou tentando recuperar o tempo perdido, lendo os jornais que se acumularam em minha casa e minhas revistas semanais.  Alguns assuntos são novos, outros são variações do mesmo tema, mas entre as notícias que li até agora a que mais me surpreendeu foi a mobilização do Movimento Passe Livre nas redes sociais para novos protestos. Ao que parece a primeira mobilização acontecerá dia 09/01.

Participei das passeatas de Junho de 2013 porque acreditei que ali houve um despertar da população. As declarações de alguns políticos e membros da base governista beiravam o descalabro e aos poucos, nossas instituições, direitos e garantias estavam sendo tomadas por pessoas cujo único compromisso era com as regalias que o sistema oferecia. A revolta levou multidões para as ruas e o que se viu foi uma explosão de raiva que teve como catalisador a violenta repressão feita pela polícia de São Paulo contra os manifestantes. Acredito que houve três vitórias que a presença do povo nas ruas colheu: o arquivamento da PEC 37, um certo respeito temporário por parte dos políticos e a capacidade da sociedade em se mobilizar e protestar, em se fazer presente. Números não representavam mais as pessoas, elas estavam presentes. O que me atraiu foi o todo, não o MPL  e muito menos sua causa.

Transporte público sequer é barato em grandes países com economias fortes, porque sabe-se que o combustível que os alimenta é caro, seja petróleo ou eletricidade e além disso tem os custos agregados, com salários,manutenções e outros. O que é justo é exigir qualidade, quantidade, agilidade e segurança. É preciso que se abra as caixas pretas que os contratos de concessão são, é preciso ampliar a oferta afim de enfraquecer a cartelização informal do setor e é preciso também que práticas como as que ocorreram em Santo André na gestão de Celso Daniel não se repitam. Querer transporte público de graça e no grito é esquecer que para cada despesa tem que haver uma contrapartida, no caso aumento dos impostos. É ignorar que a sociedade em geral paga só na compra de alimentos 30% de impostos, é terceirizar custos.

Além disso, é querer se eximir da responsabilidade e fugir da realidade. Alguns animais não são mais iguais que outros. Os reajustes estão chegando para todos. As tarifas de transporte público são as primeiras e estão represadas há dois anos. Já estamos com bandeira vermelha na tarifa de energia, o que significa que o KWh ( a cada 100 KWh consumidos) custará R$ 3,00. Na prática, isto representa 8,3% de aumento. Já é esperado que a ANEEL funcione livremente, ou seja, todo descompasso na cadeia de fornecimento será repassado para o consumidor. Além disso, na transição de Mantega para Levy já ficou muito claro que o Tesouro Nacional não tem como fazer novos repasses. A Caixa Econômica e o Banco do Brasil provavelmente terão que receber aportes. No caso da CEF, graças a  uma pedalada, os dividendos pagos ao Tesouro e a conjuntura econômica atual enfraqueceram o banco. Essas “pedaladas” foram necessárias para cobrir as despesas causadas pelos “pacotes de bondades” implementados por Dilma ao longo dos últimos quatro anos. E prestem atenção nas perdas de arrecadação que a ampliação de ramos de atividade de empresas que hoje pagam tributos pelo regime de Lucro Presumido e que a partir de janeiro migrarão para o SIMPLES causará. A medida é justa, mas haverá perdas significativas de receitas tributárias.

A chuva está chegando e ela será para todos. Agora é bem tarde para reclamar, principalmente quando todo mundo sabia a economia precisava passar por reajustes profundos para que o país possa crescer. Só acreditou nas mentiras da campanha quem realmente não tinha condição de buscar por informações. Os demais, que votaram conscientemente e que dão a Dilma 40% de aprovação, são cúmplices. 

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Poema de Natal




Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar nossos mortos -
Para isso temos braços longo para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será a nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos-
Para isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre o berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece para quem se vai -
Mas que essa hora não esqueça
E por ela nossos corações
Se deixem graves e simples.
Para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte -
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

Vinícius de Moraes






segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Parece campanha

Dilma foi diplomada, mas apenas no dia 1º de Janeiro de 2015 tomará posse para seu segundo mandato. Lula porém já está de olho em 2018 e começa a dar aos poucos a largada na corrida presidencial.

Ainda em Outubro, poucos dias após o final do segundo turno, Lula já admitia para amigos que pretende candidatar-se a presidência em 2018 e que estava disposto a interferir mais no segundo mandato de Dilma. Na semana passada ele sugeriu a criação de um gabinete para controlar crises em Brasília. Ontem, como convidado especial de Guilherme Boulos, participou da entrega de apartamentos construídos pelo programa “Minha casa,minha vida” em parceria com o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) de São Paulo.  Antes da chegada de Lula, Guilherme Boulos, líder do movimento, reforçou que Lula participaria como patrono do projeto e seu gesto indicava uma reaproximação do PT com os movimentos sociais, postura que Dilma não adotou.

Ao ser chamado para falar, fez um daqueles discursos macunaímicos para o povo, como se de fato se preocupasse com o bem estar de cada um. Disse que ficou espantado com o tamanho dos apartamentos (cerca de 65 m2 ) enquanto as casas do programa “Minha casa, minha vida) tinham em média 38m2. Disse que a culpa pela diferença no tamanho das moradias era das grandes empreiteiras, já que ao conversar com o construtor dos apartamentos, que é proprietário de uma empresa em Araçatuba, foi informado que não há diferença no custo da unidade nesta faixa de metragem. Disse também que enviaria fotos para Dilma, para o Ministério das Cidades e para a Caixa, e que os pequenos empreiteiros precisam ser consultados em projetos como este.

Ao fazer este discurso, Lula esqueceu que a Lei de Licitações, que tanto ele como Dilma atropelaram em mais de uma ocasião, tem por objetivo garantir o acesso de todos prestadores de serviço às obras públicas e que um dos critérios a ser seguido pela Administração Pública é o melhor projeto e melhor preço e não a maior “caixinha”, como ocorreu na Petrobrás e em outros órgãos do Governo, durante e depois de seu período como presidente. Ao fazer sua defesa dos desfavorecidos contra algo ou alguém grande, no caso em questão as grandes empreiteiras, omitiu que o cartel formado cresceu de vento em popa graças às doações aos partidos políticos. Onde um cartel atua, não há espaço para os pequenos.

Como a parceria que fez com que a construção dos apartamentos fosse possível envolveu dinheiro público, participando como patrono ou não, Lula pegou carona em um evento do Governo para começar sua caminhada rumo a 2018. Ontem, ele em nada lembrava o louco furioso da campanha, acusando os paulistas e as regiões sul e sudeste de não quererem o bem dos nordestinos, como se nessas regiões do país houvesse uma casta com privilégios natos e não populações inteiras, formadas por imigrantes e migrantes inclusive do Nordeste, que trabalharam a vida inteira para terem uma vida digna. Se há privilégios neste país quem os utiliza são alguns políticos e um determinado partido que não tem plano de governo e sim um projeto de poder e que precisa  manter-se no governo e que continua se apropriando dos programas sociais e do que é obrigação do Estado como se política dele fosse. E se há aproveitadores que não se importam com os mais desfavorecidos, são aqueles que recebem indevidamente benefícios, apropriando-se do que é público e que neste momento discutem o loteamento de 15.000 cargos federais nos estados para compensar a perda de Ministérios.

Se Lula será o candidato do PT em 2018 não há com o que se surpreender, pois é uma repetição da história. Depois do desastre que foi o Governo Dilma, vem Joaquim Levy, um estranho nas fileiras do petismo para colocar a casa em ordem. Quando tudo estiver em pé e funcionando, vem Lula, se apropria de tudo de bom que foi feito e joga os erros debaixo do tapete ou ataca FHC por coisas que aconteceram há 12 anos na economia e mais uma vez reforça o mito que a História do Brasil começou no dia de sua eleição.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Uma geração supera a outra

Gosto muito desta época do ano onde em uma semana comemoramos uma tradição milenar e na outra nos preparamos para o futuro. Gosto demais da oportunidade de passar um tempo maior com a família, das festas, da decoração e da esperança que a “virada” traz.  Gosto de dizer que faço projetos e não promessas, mas na prática, no dia a dia, acaba tudo sendo uma coisa só. O que importa é pelo menos ter em mente sempre quem eu sou, para onde vou e o que fazer para chegar lá. O resto dependerá de minha dedicação, da oportunidade e também dos imprevistos, que alguns chamam de sorte.

Analisando minhas expectativas e revendo o passado, pensei um pouco sobre a importância da persistência. Como uma coisa leva a outra, percebi que uma das campanhas publicitárias mais bem elaboradas que eu já vi foi “Keep walking”, desenvolvida pela agência inglesa Bartle Bogle Hegarty – BBH para a Johnnie Walker. Em 1999 eles  foram contratados para desenvolver uma campanha mundial  que trouxesse de volta a relevância da marca e de seus produtos, o que até então era feito por agências locais espalhadas pelo mundo. Voltar às origens e seguir para o futuro, inspirando-se no ícone da marca, o cavalheiro determinado que caminha sobre uma linha, que pode ser a do tempo. Do início,na Escócia em 1860 até os dias atuais,  cada geração da família contribuiu de forma significativa para que a empresa crescesse. Assim as primeiras campanhas tinham como tema a superação de uma geração pela a próxima e a importância de continuar a caminhar ou melhor, de persistir. A exemplo do que aconteceu no Brasil, nas manifestações de Julho de 2013 em que a campanha "O gigante acordou" foi utilizada como forma de mobilização e pelas pessoas nos protestos, o mesmo ocorreu no Líbano e na Grécia.

Uma das lembranças mais caras de meu bisavô foi a passagem do Cometa Halley, no início do Século XX.  A cauda do cometa cruzou o céu de um ponto ao outro, espalhando pânico entre as pessoas. Alguns julgavam que era o fim do mundo.  Anos depois, minha avó ficou intrigada com o esforço que minha irmã e eu fazíamos para ficarmos acordadas durante uma noite de Natal, em frente a sua casa olhando fixamente para o céu. Quando ela nos perguntou se estávamos esperando o Papai Noel, respondemos com convicção que não, pois já sabíamos que ele não existia e que tínhamos um excelente motivo para estarmos ali e que não se tratava de uma fantasia. O que nos interessava naquela noite era ver a “Estrela de Belém”! Ela riu e nos explicou que a “estrela” na verdade era um cometa e nos contou a história de seu pai. Este ano, quando minha avó começou a esquecer do passado e do presente, minha mãe, meus filhos, minhas sobrinhas, minha irmã e eu vimos uma pequena sonda pousar gentilmente no núcleo de um cometa e perfurá-lo  o suficiente para  analisar e transmitir para a Terra todos seus segredos.

Uma geração deve continuar o trabalho da anterior e superá-la. Aprender com os erros e acertos de quem nos precedeu e partir para novas conquistas. Mais sábios, mais humanos e com mais compaixão. Superar os obstáculos sempre , mas levar junto os que não tiveram oportunidades para contornar suas dificuldades. Caminhar para o futuro, mas sem esquecer daquilo que nos torna humanos, que é o amor, a amizade, a honestidade, a lealdade nas relações, os laços familiares e o respeito pelos indefesos, sejam crianças ou idosos. Inovar sempre e utilizar os frutos de nossas conquistas para transformar nossa vida e a dos outros em etapas menos áridas e não para criar desertos.

Aos meus familiares, amigos, e agora aos meus leitores, agradeço por caminharem comigo. A todos, desejo que o Natal traga união, paz e alegrias e que 2015 seja um ano de grandes realizações pessoais e coletivas, com muitos motivos para celebrarmos e que sobretudo permaneçamos juntos pelo caminho.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

E a conta em Cayman?

Há pouco mais de um ano, o Brasil estava às voltas com o negócio escuso da ocasião, que era o  generoso emprego oferecido pelo Hotel Saint Peter a José Dirceu. Para exercer as funções de gerente, ele receberia como salário a bagatela de R$ 20 mil. A imprensa caiu em cima e descobriu-se que o hotel pertencia à Truston Internacional, cuja sede fica no Panamá e cujo sócio majoritário era um “laranja”.  Ao checar a documentação da Truston, descobriu-se que o mesmo endereço abrigava a Truston e uma filial da JD Assessoria e Consultoria, empresa que pertence a José Dirceu. Indo atété o local, descobriram que lá funciona um escritório de advocacia, o  Morgan & Morgan, que oferece “laranjas” para abertura deste tipo de negócio,  cuja finalidade maior é a pulverização de recursos financeiros para dificultar o rastreamento. Nenhuma investigação foi feita para se saber se há contas da JD no Panamá, o que é mais do que provável.

Na mesma época, o ex-delegado Romeu Tuma Junior lançava o livro “Assassinato de reputações - um crime de Estado”, onde afirmava que tinha localizado uma das contas do Mensalão, em nome de José Dirceu, nas Ilhas Cayman. Como prova há uma carta em que o Governo das Ilhas confirma a existência da conta e indaga de que forma deve ser feita a cooperação com o Brasil, já que o pedido de esclarecimento foi feito pelo então Ministro da Justiça Tarso Genro. Até hoje não foi feita nenhuma investigação sobre a conta, o saldo e a origem dos recursos que a abasteceram.

Sabe-se que José Dirceu amealhou uma fortuna com suas consultorias, que se traduziram em contratos vantajosos entre as empresas que o contrataram e o Governo Federal. Na Operação Lava-Jato foi encontrado um contrato entre a Camargo Corrêa, em que o ex-ministro recebeu R$ 886 mil reais pelos serviços prestados. Um dos clientes de José Dirceu foi a Construtora Delta, que foi a empresa que mais fechou contratos com o Governo Federal em 2010 e pagou a José Dirceu R$ 20 mil em honorários. A Delta inclusive foi a primeira empresa que assumiu a construção do Complexo  Petroquímico  Comperj, contratada pela Petrobrás...

Todos estes fatos ocorreram depois que José Dirceu deixou a Casa Civil e teve seu mandato cassado. Não acuso José Dirceu de nenhum ato escuso e não estou imputando nenhuma conduta criminosa a ele, que isto fique bem claro. Os fatos que narro aqui são de conhecimento público, noticiados por grandes jornais e telejornais.  Mas é impossível não me perguntar se já não passou da hora de investigar seriamente a JD Assessoria e seus clientes, comparando o antes e o depois. Se há uma lei que regula as licitações e a contratação de serviços por empresas públicas, autarquias e pelo governo em todas suas esferas e cujo principal objetivo é obter os melhores serviços pelos melhores preços, em tese oferecendo a mesma condição a todos,  como é feita esta assessoria? Onde está a razão de seu sucesso? Se não há nada o que esconder, o que temer? É lobby? Se há tráfico de influência e desvios, quantas Operações Lava-Jato serão necessárias para coibir ações como estas que ocorrem em plena luz do dia? São denúncias e indícios que se arrastam desde 2010, há quatro anos portanto e nunca esta empresa foi investigada.


Sabemos  agora que o mesmo esquema que funcionou com sucesso dentro da Petrobrás se alastrou pelos ministérios e pelos projetos governamentais como “Minha casa, minha vida”. É preciso ter coragem para investigar a fundo este tipo de ação e quem sabe descobrir outros focos. A corrupção de fato é grande no Brasil e ela se fortaleceu, devorando bilhões em grande parte pela inércia das autoridades responsáveis em olhar com seriedade os indícios que aparecem em rede nacional, tomando  as medidas necessárias. É preciso que algo positivo emirja deste mar de lama, pelo menos um pouco de controle. Não podemos contar com a Polícia Federal para administrar todos os desvios que possam ocorrer dentro de uma empresa pública, mas é preciso que este tipo de denúncia, que aparece ocasionalmente nas páginas dos jornais e nos noticiários seja investigado a fundo e deixe de ser apenas palavras e nada mais. A verdade é clara mas também é preciso querer vê-la. Depois de vista, é impossível ignorá-la.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Sobre o Porto de Mariel


Pouco se vê e se ouve de Dilma nestes dias. Depois da declaração captada por um microfone aberto onde ela e Cristina Kichener falavam sobre as dificuldades em montar um ministério, ontem após o anúncio do restabelecimento das relações diplomáticas entre Cuba e Estados Unidos, ela celebrou o acordo e justificou os investimentos do Brasil na reforma do porto cubano como “estratégicas”. Alguns jornais hoje classificaram o investimento no porto como um “golaço” do Brasil, apostando no volume de cargas que será movimentado após o fim do embargo. Esqueceram que os Republicanos detêm a maioria no Congresso Americano e que são a favor da manutenção do embargo até que Cuba de fato torne-se uma democracia, ou seja, só após a morte dos irmãos Castro. Esquecem-se também que a opinião dos dissidentes cubanos tem peso nos EUA, que também são favoráveis à manutenção dos embargos.

O embargo já durou mais do que o necessário para cicatrizar as feridas causadas pela invasão da Baia dos Porcos e pela Crise dos Mísseis Cubanos, que foi o momento histórico onde a humanidade realmente se aproximou da aniquilação total. Não culpo exclusivamente os EUA pelo relacionamento ou falta de um com Cuba. Fidel cometeu erros absurdos como permitir a instalação dos mísseis soviéticos em Cuba e apoiou governos totalitários como o da Coréia do Norte. Aliás, a primeira carga que passou pelo porto como com destino à Coréia, foi interceptada no Panamá e verificou-se que se tratava de um carregamento de armas e peças de jatos. Os EUA cometeram atos absurdos como a malfadada invasão e as tentativas de assassinar Castro. Na verdade, os americanos serviram de bode expiatório de todos insucessos que ocorreram no país após a Revolução. Ficaram famosos os discursos de Fidel, que duravam horas, a cada pequena vitória dos cubanos contra as medidas isolacionistas dos EUA.

Mas voltando ao Porto de Mariel, por parte do Brasil não há o que se comemorar, pelo menos por agora. O que é preciso é garantir condições favoráveis ao Brasil no funcionamento do porto. Se Cuba estiver honrando os pagamentos à Odebrecht, e esta ao BNDES, é o esperado, é o cumprimento de um acordo. Aliás, acredito que as condições deste financiamento devam ser exaustivamente investigadas, pois ao que parece, houve uma certa “engenharia” para tornar particular um investimento feito pelo Governo Federal, que não foi aprovado pelo Congresso e com cláusulas e lastro bem “maternais”. O porto não pertence aos brasileiros, o porto é cubano. Mesmo que o embargo caia amanhã, economicamente nada significará para o Brasil que em 12 anos de governo petista nunca fez um esforço diplomático sério para estreitar as relações comerciais com os americanos; pelo contrário, fizeram acordos com o Irã e deixaram bem claro que o posicionamento ideológico deles era mais importante que as relações comerciais. Não é a toa que Israel acusou o Brasil de adotar um certo relativismo diplomático. Os EUA por sua vez fizeram seu acordo em particular. Com o aumento das viagens de brasileiros ao exterior, o volume de dólares injetado pelas volumosas compras dos turistas chegou em boa hora e foi muito bem vindo.


A geração de 150.000 (números de Dilma... ) empregos não justifica o investimento. Se os portos brasileiros estivessem funcionando a pleno vapor, estes empregos seriam fixos e desenvolveriam cidades e regiões inteiras. É preciso saber separar ideologia de economia e investimento de ajuda humanitária. Um investimento particular pressupõe um ganho monetário no final, um investimento público exige em contrapartida melhoria nas condições de vida da população afetada, tanto na qualidade como variedade dos serviços ofertados. Eles são a justificativa dos impostos, é quando eles se tornam palpáveis. Os investimentos públicos brasileiros devem ser feitos primeiro no Brasil. Se todos nossos portos estivessem devidamente equipados e funcionassem com excelência e nada mais houvesse a fazer com estes recursos internamente, justifica-se o investimento internacional. O BNDES não pode concorrer com o Banco Mundial e não pode oferecer recursos subsidiados à grandes empresas apenas. As condições, prazos e taxas dos empréstimos concedidos devem beneficiar setores e empresas que também precisam crescer,  garantindo qualidade, padrões e volume de forma a serem atraentes para o consumidor internacional. Os investimentos externos devem também ter como foco a defesa dos interesses brasileiros, o pagamento pontual e taxas bem diferenciadas das oferecidas internamente. Amigos, amigos, negócios a parte. E é muito cedo para Dilma comemorar seus “investimentos” externos, há mais explicações a serem dadas do que resultados. Por enquanto, o estilo “low profile” parece que vai continuar.

Com relação à vitória diplomática, o mérito é do Papa Francisco, que incentivou a reaproximação e do Canadá, que sediou as rodadas de negociação. Obama escreveu um artigo este ano para a Revista Forbes, na matéria sobre as pessoas mais influentes do mundo. Ele escolheu o Papa Franciscoe em seu texto ele dizia que o Papa o que há de melhor nas pessoas. Contudo, não desmereço os esforços do Brasil para esta reaproximação, pois além da identificação ideológica, ocupamos a terceira posição entre os países de maior fluxo comercialcom Cuba.

Carta a Tom Jobim


Em forma de carta, Vinícius de Moraes lembra a Tom Jobim o início da bossa-nova, quando Elizete Cardoso, gravava o disco "Canção do amor demais" , que é considerado o primeiro disco gravado do novo ritmo. Poucos sabem que João Gilberto é o violinista  em duas faixas. Que luxo!

O disco tem músicas que se tornaram eternas, como: "Chega de saudade", "Modinha","Luciana", entre outras. Segue a letra:

"Rua Nascimento Silva, cento e sete
Você ensinando pra Eliseth
As canções de "Canção do amor demais"
Lembra que tempo feliz ai, que saudade
Ipanema era só felicidade,
Era como se o amor doesse em paz
Nossa famosa garota nem sabia
A que ponto a cidade turvaria
Esse rio de amor que se perdeu
Mesmo a tristeza da gente era mais bela
E além disso se via da janela
Um cantinho do céu e o redentor

É, meu amigo, só resta uma certeza
É preciso acabar com essa tristeza
É preciso inventar de novo a amor."
                                                                  Toquinho e Vinicius de Moraes

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Sobre Jair Bolsonaro e Maria do Rosário

Todo mundo já conheceu um Bolsonaro na vida. Pode ser aquele parente que a família inteira avisa que é melhor não contrariar, pode ser aquele vizinho que já brigou com a rua inteira, um colega de trabalho que quando chega, acaba a conversa . Ele tem a opinião dele que é única, sua razão se sobrepõe à dos demais  e geralmente gosta de contrariar em assuntos bobos, como por exemplo se vai chover ou não, qual carro é melhor:  um Fusca ou um Corolla? De vez em quando ele pode concordar com você, pode fazer mais por alguém do que aqueles que a gente imaginava poder contar. O mundo está repleto de Bolsonaros, com as coisas boas e as ruins. Conviver com eles é um desafio e os cinco partidos pelos quais ele passou são prova disso. Enquanto deputado, suas atitudes e declarações são no mínimo polêmicas, algumas beiram o racismo; outras vão contra a lei e o bom. Há várias representações na Câmara contra ele e é fato consumado que aparentemente  o estado do Rio de Janeiro realmente o aprova, pois ele foi o deputado eleito com o maior número de votos.

Maria do Rosário é Maria do Rosário. O nome dela começa a ser sinônimo de falta de bom senso, de contato com a realidade. Mesmo tendo tido problemas com suas contas da eleição de 2008, Maria do Rosário eleita deputada em 2010 e foi nomeada Ministra de Direitos Humanos, onde protagonizou mais vexames do que qualquer um que por ali passou. Em sua cruzada contra a Homofobia, que é uma causa nobre, esqueceu que há pessoas neste país imenso que diariamente tem seus direitos básicos violados, como as crianças exploradas sexualmente, os idosos, as crianças que perdem a vida trabalhando como soldados do tráfico entre outros. E acho que o pior momento de Maria do Rosário enquanto  Ministra foi tentar usar politicamente o suicídio de um rapaz em São Paulo como crime de homofobia. Agora, em 2014, disponibilizou seu comitê  eleitoral para funcionar como uma Central de Telemarketing da campanha de Dilma Rousseff. De lá partiram várias ligações aos beneficiários do Bolsa-Família avisando que eles perderiam seu benefício se a candidata do PT não fosse reeleita. Fazer terrorismo com pessoas carentes não é digno de uma ex-ministra dos Direitos Humanos. Utilizar dados que pertencem ao Governo Federal para contactar estas pessoas também é crime.

E no Congresso Nacional os dois passaram a conviver. O problema entre os dois vem desde 2003, que foi a primeira vez que Maria do Rosário chamou Bolsonaro de estuprador. De lá para cá, a coisa entre os dois não melhorou. A última briga entre os dois pode custar o mandato de Bolsonaro. No dia 09 de Dezembro, em sessão conjunta da Câmara e do Senado, em que se votou as pendências do PLN 36, Bolsonaro explodiu e disse que “não estupraria Maria do Rosário porque ela não merece”.  Tem alguém no mundo que mereça, Deputado? Estupro é crime!


O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados abriu processo de cassação contra Jair Bolsonaro e o Ministério Público o denunciou por incitação ao estupro. Para que se faça justiça, ambos devem ter seus mandatos cassados. Da mesma forma que é inadmissível que Bolsonaro faça uma declaração dessas dentro do Congresso Nacional, há que se impedir que se continue usando a desinformação e o infortúnio alheio como degrau para alcançar objetivos políticos. O comportamento da candidata Maria do Rosário é incompatível com o que se espera de um deputado, que recebe de seus eleitores um mandato temporário para representá-los e defender seus interesses. Ao mentir para seus eleitores, ela perdeu a legitimidade para ser a porta-voz deles. Ao utilizar os dados destes beneficiários, cuja guarda e proteção cabem ao Governo Federal, houve uma clara violação da privacidade e da segurança (Onde estes dados vão parar? Quem são os responsáveis pela guarda e manipulação destas informações?) destas pessoas. Por suas ações, cada um, a seu modo, tornou-se indigno da confiança que seus eleitores depositaram sobre eles.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

A espera da lista negra

Até o final da semana espera-se que o Brasil tome conhecimento oficialmente da lista de acusados de envolvimento no Petrolão com foro privilegiado. Esta lista está nas mãos do Ministro Teori Zavascki há pelo menos três meses. Calcula-se que somente o  Congresso Nacional tenha 10% de seus parlamentares na lista. Os demais nomes são de ministros e governadores. Esta lista é tão importante e tão sombria que ela é responsável pela demora de Dilma em divulgar os nomes dos Ministros das demais áreas e fazer as nomeações de praxe, o que na prática significa repartir os cargos estratégicos entre os partidos da base aliada como pagamento pelo “apoio” e pelos minutos do horário eleitoral. Como eu disse em um dos meus posts anteriores, se de fato a lição tivesse sido aprendida e a falência da Petrobrás fosse o preço a pagar pelo fim das estripulias de políticos e partidos com aquilo que é público, na última semana o nome de Anthony Garotinho não teria sido sequer cogitado para a Vice-Presidência do Banco do Brasil.

Além de impedir a formação do novo governo, há o problema com as empresas públicas. Como no caso da Petrobrás boa parte dos envolvidos eram funcionários de carreira nomeados por políticos para os cargos de diretoria, as nomeações agora ganham contornos dramáticos. Como já há farta documentação que detectou os tentáculos do cartel de construtoras em várias áreas do governo, é de fato um desafio saber quem nomear. Talvez seja esta a explicação para a permanência de Graça Foster frente à presidência da Petrobrás. As ações da empresa já valem menos que o valor patrimonial e hoje caiu um pouco mais. Dilma vai perdendo um tempo precioso para transmitir confiança aos investidores da empresa, tanto os nacionais como internacionais. E para quem acha que a Petrobrás já bateu no fundo do poço, há ainda o impacto que será gerado quando as explicações do porquê, quais, a quem e a que valores ativos da empresa foram vendidos no exterior. Neste ponto há responsabilidade de fato do Conselho Administrativo da empresa, pois nem a aquisição ou venda de ativos pode ser feita sem consentimento expresso deles.

O Ministro Guido Mantega aparentemente ficará no governo até 31 de Dezembro, fazendo as últimas pedaladas antes de entregar o cargo ao seu sucessor, Joaquim Levy e já há duvidas se ele permanecerá no cargo por muito tempo. Sem a definição da quantidade e de quais ministérios serão cortados e sem sabermos quem os ocupará, seremos mais uma vez surpreendidos por Dilma e por Lula, que está trabalhando ativamente nos bastidores, pronto para começar a campanha presidencial para 2018. Há que se concordar que as surpresas feitas pelos dois ultimamente não tem agradado ninguém neste país.


Paralisada, desacreditada, fragilizada e responsabilizada pela maioria dos brasileiros pelos escândalos de corrupção e pelos desacertos na área econômica e agora fora do radar, Dilma vai se preparando para assumir seu segundo mandato. Bem diferente de quando recebeu a faixa das mãos de Lula, sua posse não desperta nos brasileiros segurança para conduzir a nação e nem ânimo para comemorar. Sabemos que quem subirá a rampa fracassou miseravelmente em sua missão, deixando o país em pior situação do que recebeu e dividindo a conta com todos brasileiros e  até agora não há sequer notícias de gestos concretos da Presidente indicando correções de rota, exceto na área econômica onde provavelmente o aperto será pior do que o que ela criticava que seus adversários fariam. Se hoje eu pudesse dar um conselho à Dilma seria para ela ser prudente e fazer cortes de cima para baixo, de realmente dar o exemplo. Afinal, o prato do brasileiro já não está tão cheio e ela mais do que ninguém sabe que a coisa vai piorar muito antes de melhorar.

E se eu pudesse dar um conselho à Polícia Federal e ao Judiciário, eu diria para eles prestarem bastante atenção nos aerportos do Brasil neste final de ano.Não podemos nos esquecer da aula que Pissolatto deu e de que muitos dos nomes da lista já não terá mais foro privilegiado.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Pedro, meu filho


Acho nesta música/poesia, Vinícius de Moraes conseguiu transmitir de forma admirável o sentimento de ser pai ou mãe. Sinto pelo áudio, mas foi o que eu consegui achar no Youtube!

Como eu nunca lutei para deixar-te nada além do amanhã indispensável:
Um quintal de terra verde onde corra, quem sabe, um córrego pensativo; e nessa terra, um teto simples onde possas ocultar a terrível herança que te deixou teu pai apaixonado - a insensatez de um coração constantemente apaixonado.
E porque te fiz com o meu sêmen homem entre os homens, e te quisera para sempre escravo do dever de zelar por esse alqueire, não porque seja meu, mas porque foi plantado com os frutos da minha mais dolorosa poesia.
Da mesma forma que eu, muitas noite, me debrucei sobre o teu berço e verti sobre teu pequenino corpo adormecido as minhas mais indefesas lágrimas de amor, e pedi a todas as divindades que cravassem na minha carne as farpas feitas para a tua.
E porque vivemos tanto tempo juntos e tanto tempo separados, e o que o convívio criou nunca a ausência pôde destruir.
Assim como eu creio em ti porque nasceste do amor e cresceste no âmago de mim como uma árvore dentro de outra, e te alimentaste de minhas vísceras, e ao te fazeres homem rompeste meu alburno e estiraste os braços para um futuro em que acreditei acima de tudo.
E sendo que reconheço nos teus pés os pés do menino que eu fui um dia, em frente ao mar; e na aspereza de tuas plantas as grandes pedras que grimpei e os altos troncos que subi; em tuas palmas as queimaduras do infinito que procurei como um louco tocar.
Porque tua barba vem da minha barba, e o teu sexo do meu sexo, e há em ti a semente da morte criada por minha vida.


E minha vida, mais que ser um templo, é uma caverna interminável, em cujo recesso esconde-se um tesouro que me foi legado por meu pai, mas cujo esconderijo eu nunca encontrei, e cuja descoberta ora te peço.
Como as amplas estradas da mocidade se transformaram nestas estreitas veredas da madureza, e o sol que se põe atrás de mim alonga a minha sombra como uma seta em direção ao tenebroso norte.
E a morte me espera em algum lugar oculta, e eu não quero ter medo de ir ao seu inesperado encontro.
Por isso que eu chorei tantas lágrimas para que não precisasse chorar, sem saber que criava um mar de pranto em cujos vórtices te haverias também de perder.
E amordacei minha boca para que não gritasses e ceguei meus olhos para que não visses; e quanto mais amordaçado, mais gritavas; e quanto mais cego, mais vias.
Porque a poesia foi para mim uma mulher cruel em cujos braços me abandonei sem remissão, sem sequer pedir perdão a todas as mulheres que por ela abandonei.
E assim como sei que toda a minha vida foi uma luta para que ninguém tivesse mais que lutar:
Assim é o canto que te quero cantar, Pedro meu filho...

Vinícius de Moraes

sábado, 13 de dezembro de 2014

Santo Agostinho

Uma vez li uma artigo em que o autor imaginava encontrar Santo Agostinho no elevador. A cada assunto discutido sobre os jovens, política, família e sociedade, Santo Agostinho falava uma de suas citações e o diálogo continuava normalmente. Para quem conhece um pouco da obra que ele deixou e admito que não é uma leitura fácil, tal diálogo se explica pela atemporabilidade de seu pensamento.  Santo Agostinho pode ser considerado como mais humano dos santos, porque gostava do lado prazeroso da vida ( “Dai-me castidade e continência, mas não agora”),  amou,  viveu na carne o conflito entre o clamor a vida mundana e o apelo da vida religiosa, se converteu e deixou várias obras que influenciaram profundamente a Igreja.Independente de religião, você pode encontrar em Santo Agostinho algumas respostas para velhos problemas. Cito algumas aqui:

Sobre a amizade: “Se dois amigos pedirem para você julgar uma disputa, não aceite, pois perderá um amigo. Se dois desconhecidos pedirem a mesma coisa, aceite,pois você ganhará um amigo”.
Sobre a fé: “Ter fé é acreditar no que não se vê. A recompensa é ver aquilo que se acredita.”
Sobre a verdade: “O que deseja a alma com mais veemência do que a verdade?”
Sobre a busca interior: “As pessoas viajam para admirar a altura das montanhas, as imensas ondas dos mares, o longo percurso dos rios, o vasto domínio do oceano, o movimento circular das estrelas e no entanto, elas passam por si mesmas sem se admirarem.”
Sobre a busca por conhecimento: “Há pessoas que desejam saber só por saber e isto é curiosidade; outras, para alcançarem a fama e isto é vaidade; outras para enriquecerem com sua ciência e isto é um negócio torpe; outras, para serem edificadas e isto é prudência; outras, para edificarem os outros e isto é caridade.”
Sobre pontos de vista: “Dois homens olharam através das grades de uma prisão. Um viu lama e o outro, as estrelas.”
Sobre a paciência: “A paciência é companheira da sabedoria”.
Sobre reconhecer  nossos erros: “Não há doente mais incurável do que aquele um que não reconhece sua doença.”
Sobre o amor: “ As ações do homem não se diferenciam senão pela raiz da caridade. Muitas coisas podem acontecer que de fato apresentar boa aparência, mas não procedem da raiz da caridade; até os espinheiros tem flores. Pelo contrário, certos gestos parecem rigorosos e até cruéis, mas são feitos para educar e são inspirados na caridade. Aqui fica de uma vez resumido o princípio:
Ama e faça o que quiseres;
Se tu calares, cala-te por amor;
Se tu falares, fala por amor;
Se tu corrigires, corrige por amor;
Se perdoares, perdoa por amor;
Que a raiz do amor esteja dentro de ti, uma vez que desta raiz não pode proceder senão o bem.
A caridade não é maldosa e nem preguiçosa;
Não é branda e nem tampouco fraca;
Não é abúlica e tampouco permissiva;
Não te iludas achando que amas teu filho porque não lhe impôs uma regra de vida ou que amas o teu próximo só  porque não se queixa dele;  

Isso não é caridade, é fraqueza e não se ama no homem o erro, mas o homem.

Um pouco de graciosidade

Sou uma pessoa que gosta muito do Natal, acho que é uma época que nos deixa mais generosos, mais felizes. Há várias explicações para esta mudança de comportamento, para alguns pode ser a manifestação da esperança que a data traduz; para outros as festas com a família e para outros o recebimento do décimo-terceiro salário. De qualquer forma, nesta época do ano gosto de assistir os filminhos e até mesmos os desenhos feitos especialmente para a data, de ver a decoração das ruas, tudo verde e vermelho, coberto de neve, como manda a boa e velha tradição européia.

Mas este ano há um clima pesado no ar. Talvez de expectativa por um ano que sabemos que será difícil economicamente e que já sentimos os efeitos no bolso quando vamos aos supermercados e vemos os preços absurdos de alguns itens e imaginamos um ano inteiro assim. Talvez resultado de um ano inteiro de escândalos e baixarias econômicas, éticas e políticas que acabaram dentro de nossa sala, transmitidas em tempo real. Mas a verdade é que estamos levando isto para dentro de nós. O Facebook que já foi um lugar onde todo mundo gostava de exibir o seu melhor, está sendo palco de diversas postagens e declarações do pior que cada um tem dentro de si. Acho que é tempo de reflexão, de fazer uma análise se não estamos, através de postagens e comentários, nos igualando ou sendo piores do que aqueles que criticamos.

Quando comecei este blog, fiz uma postagem sobre a falta de graciosidade em nossas atitudes e em nossas relações. Achei muito interessante os sinônimos de graciosidade: elegânia, garbo, gratuídade, atenção, afabilidade, gentileza. Fiz algumas alterações no texto e estou postando o artigo para vocês. Espero que vocês gostem.

“A terça-feira é o meu dia favorito da semana, desde criança. Costuma ser um dia agitado, mas sem aquela loucura toda da segunda-feira. No meu caso, ariana e ansiosa, a segunda costuma ser pior porque quero fazer tudo de uma só vez. Voltamos ao trabalho hoje, depois de cinco dias de descanso e de muita flanação de minha parte. Pouco a pouco a rotina vai se impondo trazendo as pequenas e grandes chateações e aquelas coisas sem importância nenhuma que tempos depois a gente se pega ainda pensando sobre elas.

Fui muito fã do U2 durante boa parte da minha vida, mais exatamente até o lançamento do álbum  "All you can't live behind", depois disso cada um seguiu seu caminho. Ontem tive vontade de escutar este CD. Gosto de quase todas as faixas, especialmente "Kite" e "In a little while", que o Joey Ramone escutou repetidas vezes de morrer. Mas o que me chamou atenção mesmo foi "Grace".Achei muito interessante, porque ele dá vários significados para palavra “Graça” e no fim ele termina dizendo que "Grace finds beautiful in everything" ( Graça encontra beleza em tudo).Trazendo para a minha realidade, acho que falta graça (ou graciosidade) em nossas atitudes e em nossas vidas, o que torna ainda mais árdua nossa missão de tentar manter a sanidade, lidando com a loucura própria e a alheia, em um mundo cada vez mais atribulado. Falta gentileza no falar, no olhar, nos relacionamentos. Um gesto gratuito de carinho, uma informação a mais, um sorriso.Acho que estamos muito acostumados a aguardar a tacada e nos colocamos sempre em posição para rebater, de preferência, bem forte e para fora do campo, matando o jogo. Mas acho que a gente não perde um minuto tentando ser a melhor pessoa, cultivando relacionamentos, deixando passar algo que para o outro é muito importante mas que dentro e fora do contexto, não significa nada.


Para terminar, gostaria de contar uma história que aconteceu comigo durante uma viagem. Um vendedor ambulante estava tentando vender algumas pedras para serem usadas em bijuterias ou em decoração. Embora eu tenha gostado, achei que elas acabariam me dando ainda mais trabalho e além disso o dinheiro já estava curto. Eu disse a ele que sentia muito, mas que no momento não poderia comprar. E ele, com uma gentileza de tocar o coração, agradeceu e me disse que tudo bem, que pelo menos eu ainda tinha minha gentileza."


sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

A entrevista

O filme pode até não ser grande coisa, mas acho que desde o lançamento de “Os versos satânicos” de Salman Rushdie não se via tanto barulho por uma obra de ficção.  O filme The Interview- A Entrevista , estrelado por James Franco e Seth Rogers que também assina o roteiro, chegará aos cinemas brasileiros dia 29 de Janeiro de 2015 e será lançado nos EUA no Natal,  sob ameaças de Kim-Jong-Un , o Comandante Supremo do regime comunista da Coréia do Norte,  de que algo terrível poderá acontecer aos EUA se o governo americano não impedir o lançamento do filme.

O enredo do filme é simples. O apresentador e o produtor de um programa americano descobrem que o líder norte-coreano é fã do show e decidem ir à Coréia para entrevistá-lo. A CIA porém tem outros planos para a dupla, já que pretendem usar a proximidade dos dois com Kim-Jong-Un para assassiná-lo. No filme, o líder coreano é retratado como um jovem, que detém um imenso poder e responsabilidade, que inspira temor em seus inimigos e em seu povo, mas que é imaturo e que também gostaria de continuar fazendo o que todos jovens fazem, como ouvir música, assistir filmes, enfim, aproveitar a vida.

O problema é que Kim-Jong-Un não gostou nada da idéia e utilizou seus métodos para mandar um recado à Sony, que é a produtora do filme. Hackers norte-coreanos invadiram o sistema do estúdio e roubaram uma imensa quantidade de informações. Os vazamentos, que já começaram, expõem algumas opiniões muito francas de produtores e diretores sobre atores e filmes. Assim, um produtor chamou Angelina Jolie de atriz mediana e mulher mimada; os filmes de Adam Sandler foram chamados de previsíveis e outras informações ainda serão “vazadas” na Internet. O governo norte-coreano desmente que a ação foi praticada por hackers do país, mas diz que provavelmente os autores são “simpatizantes” do regime.

Na semana passada, Sacha Baron Cohen parabenizou a dupla pela campanha de marketing, algo que ele não conseguiu com seu filme “O Ditador”. Não sei se assistirei o filme, mas acho que ele poderia passar desapercebido se não fosse o barulho feito por Kim-Jong-Un, que acabou se transformando em piada por levar tudo a sério demais. Talvez a vingança perfeita seria exigir uma boa participação na bilheteria.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

O outro lado da corrupção

Hoje o Ministério Público Federal denunciou 35 suspeitos de participar do esquema de corrupção na Petrobrás. A maioria dos denunciados funcionários ou diretores das empreiteiras. O MP pretende reaver aos cofres públicos R$ 1 bilhão de reais. Surpreendentemente, da Petrobrás,  apenas Paulo Roberto Costa está na relação apresentada hoje. Dado o tamanho do rombo, o número e a importância das empresas envolvidas, dificilmente um esquema destes permaneceria em operação por tanto tempo na clandestinidade e certamente não haveria ardil suficiente no mundo para enganar a Presidência, as outras Diretorias e o Conselho Administrativo.  Uma mudança geral nestes quadros e na composição do Conselho seria uma boa forma de materializar a indignação do governo, dissipar a desconfiança do mercado e recuperar a credibilidade no cenário internacional. Aliás, esta medida já deveria ter sido tomada há muito tempo e não há um fato sequer que justifique a permanência de Graça Foster na presidência da empresa. Pode ser que ela tenha tentado por outras vias encerrar este e outros esquemas e foi pega de surpresa pela Operação Lava-Jato, mas suas ações foram ineficientes para impedir outras negociatas e o péssimo resultado da empresa. Se hoje há um projeto para implantação de uma diretoria de governança não foi por iniciativa dela, mas principalmente pela recusa da PricewhaterhouseCoopers em assinar os balanços.

Mas o lado perverso desta história fantástica está criando um círculo pernicioso: A Petrobrás suspende pagamentos à empresas envolvidas na investigação ou às terceirizadas, que decretam falência ou não tem condições de arcar com os compromissos assumidos e trabalhadores são dispensados sem que seus créditos rescisórios tenham sido quitados. Em alguns casos, a Petrobrás alega que os contratos estão sendo analisados para verificar se há indícios de superfaturamento ou foram suspensos porque a empresa responsável pelas obras está diretamente envolvida na Operação Lava-Jato e em outros o problema é a falta de caixa. O caso da Iesa Óleo e Gás em Charqueadas, Rio Grande do Sul, é dramático. Sem dinheiro para pagar os funcionários e com o contrato suspenso pela Petrobrás, mil trabalhadores foram demitidos. A paralisação das obras implicará na suspensão da oferta de 3.000 vagas de empregos diretos e 5.000 vagas criadas indiretamente na cidade. O mesmo quadro se repete nas obras do porto de Maragogipe na Bahia, que tem 5.500 trabalhadores contratados. Destes, 600 já foram demitidos e outros, 1.100 serão dispensados nos próximos dias. Em Pernambuco, com o fim das obras, os trabalhadores foram dispensados, porém não receberam as verbas rescisórias e o mesmo acontece com os trabalhadores demitidos em Novembro, na Comperj,  Rio de Janeiro. É preciso lembrar que neste caso, 800 trabalhadores já tinham sido demitidos por causa da rescisão do contrato da Petrobrás com a Delta.

Na segunda-feira, a Presidente Dilma teve reuniões com sindicalistas e com sua equipe econômica para analisar o problema. A solução encontrada foi mais uma pedalada que só o Governo Dilma é capaz de fazer. Foi feito um acordo onde a Eletrobrás que está em situação dificílima,  reconhece uma dívida de R$ 9 bilhões de reais pelo uso de diesel nas usinas termoelétricas com a Petrobrás. Como a empresa não tem isto em caixa, foi autorizada a venda de títulos da dívida, emitidos pela Petrobrás com base no documento assinado pela Eletrobrás e  com garantia do Tesouro Nacional. Com a captação dos recursos desta venda, a Petrobrás pagará as dívidas das empresas com os trabalhadores, mas descontará o valor do montante do contrato. Nestas horas, aqueles R$ 1 bilhão que foi pago à Bolívia por algo que não foi pedido e não tem como ser usado faz falta. Note-se que este pagamento foi feito em Setembro.


É dramática a situação dos trabalhadores e das cidades, e qualquer assalariado deste país é capaz de entender exatamente o que eles estão passando, mas nada disso precisaria ter acontecido se o Governo Federal em 2009 seguisse as recomendações do TCU, que já havia detectado  fortes indícios de superfaturamento nos contratos. Justamente para evitar a paralisação das obras, Lula decidiu que elas deveriam continuar como estavam. Agora, defender a continuação destes projetos por causa do impacto social é inaceitável. É mais lógico que eles permaneçam paralisados, que os direitos trabalhistas sejam respeitados e que tenham seus contratos reavaliados, pagando-se o preço justo do que continuar neste esquema viciado, onde os recursos alocados para cada obra seriam suficientes para pagar quase outra. E é preciso parar de sangrar a Petrobrás e as empresas públicas. 

A conta foi parar no bolso dos trabalhadores mais uma vez e sabe Deus quantas outras não terão os mesmos destinatários. E se alguém acredita que a lição foi suficiente para Dilma e sua equipe, engana-se. O critério político para indicações de cargos estratégicos continua em alta. Nesta semana, Anthony Garotinho foi indicado por Dilma para assumir a Vice-Presidência do Banco do Brasil o que fez com que o valor das ações do banco despencasse na Bolsa de Valores. Até agora ele não deu nenhuma declaração oficial sobre o assunto. Garotinho foi radialista, prefeito, governador e deputado e tem uma condenação judicial por formação de quadrilha. Quais das credenciais de Garotinho  foram decisivas para esta indicação?