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Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Uma das soluções



A cidade de São Paulo não tem apenas uma, mas várias Cracolândias. A mais famosa é a que ficava perto da Estação da Luz, com suas feirinhas de drogas e grande número de usuários e que rendia mensalmente à facções criminosas aproximadamente R$ 8,4 milhões de reais. Nesta Cracolândia, habitavam crianças, jovens, pessoas de meia idade, enfim uma multidão, cujo único objetivo diário era consumir drogas, do raiar do dia até o nascer do sol seguinte. Para isso é preciso ter dinheiro, já que traficante não vende a prazo. Para ter dinheiro, alguns se prostituíam, outros faziam pequenos “bicos” e outros furtavam.

Por duas vezes o Governo Estadual de São Paulo tentou implantar a internação compulsória de dependentes e por duas vezes a Justiça impediu. Desta vez, por ação proposta pelo Ministério Público de São Paulo. Interessante esta ação, uma vez que o Código Civil considera o viciado em tóxico como incapaz a determinados atos da vida civil e na Lei Orgânica que criou o Ministério Público há previsão de abertura de processo civil e ação civil pública para proteger os direitos individuais indisponíveis. Direito Indisponível é aquele que não se pode abrir mão, como a vida, a dignidade, saúde entre outros. Qual desses direitos os frequentadores da Cracolândia estão gozando?

Saindo do mundo jurídico e indo para a questão médica, há ainda no Brasil uma corrente de psiquiatras e de especialistas em tratamento de dependentes químicos que acreditam que o vício resulta da miséria, sendo o uso das drogas um sintoma da doença maior, que é a extrema pobreza. Pessoas que estão dentro desta linha estão sim mais vulneráveis ao vício, quer pela proximidade com os traficantes, quer pela fragilidade dos laços familiares e isto é indiscutível. Mas o uso de drogas e de crack não é restrito a uma faixa etária ou classe social. O crack é uma droga extremamente viciante e debilitante, rápida e barata, sem os inconvenientes de outras drogas que produzem efeito semelhante, como dificuldade em achar o produto, preço ou via de acesso.Há inclusive celebridades que a usaram por um tempo, como por exemplo Charlie Sheen e Whitney Huston. E há também os portadores de doenças psiquiátricas que usam drogas para diminuir os sintomas de suas doenças, o que só aumenta o problema.

Somados os perfis, tem-se outro problema social, que é o aumento da população de rua, consumindo drogas em vias públicas, vivendo no meio do lixo, cometendo outros crimes e servindo aos interesses de facções criminosas. Esperar que uma pessoa nesta situação queira, por vontade própria deixar o vício, é apenas um pensamento que conforta. Organizações de Direitos Humanos lutarem para que eles tenham seu espaço é ir contra a definição mais básica de direito humano. Deixar nas mãos apenas das famílias a solução do problema, é desumano e sem sentido, porque se a pessoa já vive nas ruas é porque os laços familiares já foram cortados. Deixar um menor de idade em uma situação dessa, é matar no ninho qualquer esperança de futuro para este ser, pois mesmo que depois de um tempo ele vença o vício, o organismo dele já foi terrivelmente afetado e muitas vezes de forma irreversível. Aliás, nesta situação, criança tem querer?

Nos Estados Unidos, em especial na Califórnia há uma medida conhecida como 5150 HOLD que permite que uma autoridade qualificada ou um médico interne involuntariamente uma pessoa com alterações de seu estado mental, que represente um perigo para si ou para os outros por 72 horas. Neste prazo, o paciente é avaliado. Havendo o fechamento do diagnóstico, a pessoa é encaminhada para tratamento, caso contrário o prazo é renovado. Casos famosos foram a internação de Britney Spears, que depois passou a ser tutelada pelo pai e recentemente de Kanye West, cujo pedido às autoridades foi feito por seu médico.

Aqui não temos uma lei como esta. Para uma família conseguir a internação involuntária é extremamente complicado. Se o paciente possui uma doença mental, ai começa outro calvário, já que não se internam pacientes psiquiátricos. Por aqui todo mundo lembra do Juqueri, mas ninguém pensa em um modelo de casa de saúde mental que de fato funcione. Olhamos para trás, mudamos a lei mas esquecemos que o problema continua existindo e que muitas vezes a família não dispõe de recursos financeiros ou psicológicos para lidar com o doente.

Negar que a Prefeitura de São Paulo tenha o direito de internar estes pacientes é negar ao usuário de drogas a oportunidade de tomar uma decisão séria sobre seu destino, sem o efeito do crack. É também uma forma de atrasar o diagnóstico de uma doença que pode ser tratada com outros medicamentos que permitirão uma condição de vida melhor. É garantir o direito de vender livremente drogas aos membros de facções criminosas, que usam este dinheiro em outros “empreendimentos”. Para cada problema, deveríamos trabalhar por, pelo menos ,uma solução. Em nossa sociedade estamos criando vários problemas a partir de um. Se a internação involuntária não é uma das soluções, quais então são as outras possíveis para ajudar estas pessoas e famílias?

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Ponto de Vista - Cilane Assad de Souza: Depois da delação

Ponto de Vista - Cilane Assad de Souza: Depois da delação: Há duas semanas que a delação da JBS assombra o Brasil e lança sombras sobre a economia, as perspectivas de crescimento e os possíveis ce...

Depois da delação


Há duas semanas que a delação da JBS assombra o Brasil e lança sombras sobre a economia, as perspectivas de crescimento e os possíveis cenários políticos para 2018. Todo mundo sabia que após a delação da Odebrechet e da prisão de Eike Baptista que os irmãos Batista seriam os próximos. O crescimento e a diversificação dos investimentos do grupo, embalados pelos empréstimos mais que generosos dos bancos oficiais e do BNDES, concedidos pelos governos do PT, há muito geravam desconfiança em qualquer brasileiro. Era barbada prevista até em mesa de truco, no boteco da esquina.

Pensava-se que com o imenso material colhido em várias operações do MP de Brasília, Rio de Janeiro e da Lava-Jato seriam suficientes para elucidar as perguntas básicas, que são: como, quem, quando e por que:
- Como a JBS cresceu tanto nos últimos 14 anos?
- Quem se beneficiou?
- Quando tudo começou?
- Por que ela recebeu bilhões de aportes a juros e prazos para lá de camaradas e nunca questionados pelos adversários políticos e órgãos de controle?

Mas ao que parece, as fartas provas em poder da Polícia Federal e dos procuradores do Ministério Público de três estados diferentes não foram suficientes. Foi preciso que Joesley Batista, responsável confesso de vários crimes entregasse gravações, que sequer foram periciadas à Procuradoria Geral da República, comprometendo o Presidente e o Senador Aécio Neves. Em menos de um mês, Wesley foi ouvido, filmado, firmou um acordo de delação para matar qualquer Marcelo Odebrecht de inveja, enviou seu iate e avião para os Estados Unidos onde é dono de várias empresas compradas com dinheiro subsidiado brasileiro, especulou e ganhou pelo menos R$ 1 bilhão com o câmbio e foi para Nova York, perdoado por todos seus crimes.

A pressa no fechamento do acordo, a saída de um promotor que foi direto para a banca dos advogados dos Batista, sem quarentena , o perdão concedido, as propostas indecorosas do grupo para o pagamento da multa lançam uma sombra nas conduções da negociação que levou ao fechamento do acordo. A ausência de perícia nas gravações, cujas transcrições contêm erros, serão sempre um ponto duvidoso nesta história e depois de reveladas, nas circunstâncias em que foram gravadas, serão um alvo fácil para os advogados de defesa. Mas chama atenção a ausência de investigações. A carta de Janot, publicada pelo jornal “Folha de São Paulo” e pelo Portal UOL deixa claro que há mais crimes que estão sendo investigados pela PGR. Para o bem da instituição, todos esperam que de fato eles sejam tão graves que justifiquem tantos tropeços e tantas benesses em um caso onde o réu confesso entregou todas as provas.

O futuro imediato do país está em suspenso. É bem provável que o destino de Temer já esteja selado e a lista de prováveis substitutos é grande. Na próxima semana começa o julgamento da Chapa Dilma-Temer, processo iniciado pelo PSDB, sob a batuta de Aécio Neves, que segundo suas próprias palavras “só queria encher o saco do PT”. A crise política atinge a economia, aumentando o cenário de incertezas, em um momento em que todos acreditavam que a mais grave e longa crise econômica que atingiu o Brasil dava sinais de enfraquecimento. A esperança de aumento da oferta de empregos no segundo semestre deste ano já foi por terra.

Infelizmente, este mesmo Congresso que elegemos dará a palavra final. Entre eles, estão vários nomes da lista de 1.820 políticos que a JBS ofereceu propinas ou financiou campanhas. Entres eles estão os mesmos políticos que a JBS ofereceu R$ 5 milhões por voto contra o Impeachment de Dilma. Saindo Temer, é lá que acontecerá a eleição indireta para Presidente. Se homens e mulheres comprometidos com seu país são, escolherão um nome longe de seus partidos. É sabido que se chegarmos neste cenário, o futuro presidente terá que ser alguém ficha limpa, cujo nome não conste em nenhuma lista da PGR e da Lava-Jato e que tenha reconhecimento internacional. Ele será o avalista da transição e tem que ter força suficiente para esmaecer esta nuvem de incertezas que vivemos e o país inspira para os investidores.

O povo brasileiro e os 14 milhões de desempregados já pagaram um preço altíssimo pela irresponsabilidade dos 14 anos do PT no poder. Pagamos um preço altíssimo para que poucos enriquecessem muito às custas do que pertencia a todos. Não é hora de aventuras, de realização de projetos escusos de poder. Infelizmente para nós, estamos como o filósofo Diógenes, que andava com uma lâmpada nas ruas de Atenas, procurando um homem de bem. 

domingo, 15 de janeiro de 2017

Ecos de um passado não muito distante

                                Image result for chegada das tropas americanas na Polônia



A imprensa mundial noticiou em maior ou menor escala a chagada de 3.000 soldados americanos à Polônia, para fortalecer o exército da esquecida OTAN. O que poucos noticiaram foi que há meses a Rússia vem fazendo “exercícios de guerra” em várias áreas da Europa. São esparsas as notícias também sobre a reativação de antigas bases da OTAN, que receberam pessoal e equipamentos novos para deter um possível avanço inimigo (leia-se russo). Para quem não se lembra, já que o último grande combate que a OTAN participou foi a Guerra dos Balcãs, na década de 1990, a Organização do Tratado do Atlântico Norte foi criada em 1949, para fins de defesa mútua de seus membros, no auge da Guerra Fria. Do outro lado do muro, havia os países da Cortina de Ferro, liderados pela Rússia.

A Rússia tem sido protagonista de várias ações na Europa, da anexação da Crimeia ao fomento à guerra civil no leste da Ucrânia, Não sendo suficiente, teve participação decisiva na Guerra Civil da Síria, conflito em que a população foi a maior vítima dos excessos dos três lados desta guerra: rebeldes, Assad e Estado Islâmico. Depois do fracasso econômico interno e das sanções do Ocidente, a Rússia, comandada por Putin, eleito em um pleito cheio de irregularidades mostra ao mundo que não está morta e que por bem ou por mal, quer seu protagonismo da Era Soviética de volta. Some-se a isto o nebuloso papel desempenhado nas eleições americanas que elegeu Trump presidente.

Na Península da Coreia, os americanos enviam armas estratégicas capazes de abater os mísseis norte-coreanos no ar. O envio destas armas, os exercícios do exército americano, a desocupação de áreas na fronteira mandam um recado claro à Coreia do Norte, que de vez em quando dispara um míssil nuclear em uma sórdida chantagem com o Ocidente. O envio destas armas deixou China e Rússia descontentes e o Japão apreensivo.

Tudo o que temos visto são resultados dos erros cometidos após a Segunda Guerra Mundial, a Guerra da Coreia, da queda da União Soviética e a invasão americana ao Iraque e Afeganistão, que provocaram uma série de conflitos no Oriente Médio, criando um ambiente propício ao nascimento do Estado Islâmico e que também explica a onda de refugiados que chegou à Europa. Se o quadro não fosse preocupante o bastante, os EUA elegeram Trump para presidente, um homem que diz não se importar com o papel do Reino Unido nas relações internacionais, que ataca pessoalmente os que criticam suas declarações permeadas de preconceito e ódio e que ninguém sabe do que será capaz.

O que sabemos é que os americanos terão um papel menor nessa nova “desordem mundial” e que o um dos legados de Obama é a menor participação direta americana em combate. A NSA e os drones estão ai para isso. Como dizem os analistas, a “Pax Americana” chegou ao fim. Temos uma Europa enfraquecida, atordoada e dividida pelas consequências da chegada em massa de imigrantes. As barreiras se ergueram novamente e com elas vemos um crescimento dos discursos radicais nacionalistas. Não é a “direita” que dita os acontecimentos, é o medo e o desejo de sobrevivência em uma época em que todos se sentem ameaçados, onde o “politicamente correto” provou ser tão perigoso quanto o preconceito descarado, onde falta bom senso ou a mínima concordância sobre o menor dos temas. Para onde olhamos há divisões, questionamentos e discordância. Ninguém quer perder nada, ninguém abre mão de nenhum interesse.


Curiosamente, em uma sociedade que busca e incentiva líderes, não há ninguém grande o bastante, confiável o suficiente para diminuir a temperatura dos embates, para ser um conciliador, iniciando e conduzindo o diálogo entre as nações. O final da Era Obama deixa isto evidente: um bom homem está indo embora e deixará saudades. Quem governa são os fatos e atos, as potências mundiais reagem, não agem. Ou encontramos pontos maiores de concordância, ou pagaremos um preço alto com nossas vidas, com as vidas de nossos filhos pela nossa incapacidade em concordar em pontos mínimos. Temos tempos preocupantes a nossa frente e não é hora de radicalizar, de discordar pelo prazer da confrontação, é hora de união. Creio na capacidade que a sociedade tem em aprender com seus erros passados e tenho sérias dúvidas se Trump chegará ao fim de seu mandato. A globalização nos uniu para o melhor e o pior, busquemos portanto a grandeza.